sexta-feira, 16 de maio de 2014

QUARENTA (+1) MÚSICAS ASSUSTADORAS

É de dar medo, muito medo. Enquanto tem muita gente por aí que se dedica a preencher o mundo com sons fofinhos, tem uma outra galera que passa o tempo compondo músicas com o objetivo único de assustar. Provocar medo, pavor ou simples tensão - ou até nojo, sei lá. Ou depressão. Ou sentimentos nada nobres. Não se trata de uma mania recente e, digamos, nos anos 60 e 70 era até mais comum haver gente escrevendo canções só para dar medo. Até porque, tanto aqui quanto em outros países, parecia mesmo que o mundo dava medo.

Voltei à minha mania de fazer listas de 40 itens (tô fazendo 40 anos esse ano, enfim) compilando 40 músicas que servem para deixar qualquer ser humano em estado de alerta. Ou quem sabe cagando de medo e cheio de vontade de dormir de luzes acesas. Não é o tipo de música para você escutar hoje, em casa, sozinho - aliás talvez seja o tipo de som para você ouvir enquanto corre na praia ou precisa estar totalmente ligado numa tarefa. Confira, ouça tudo no YouTube, baixe, mas não leve as letras a sério. Nem morra tanto de medo assim.

(As músicas com *, sou obrigado a confessar que só ouvi uma única vez na vida e não pretendo ouvir de novo)




"REVOLUTION 9" - BEATLES. "Você precisa perder o medo da música", já cantaram os Titãs. No caso da sombria colagem sonora que John Lennon soltou no Álbum branco (1968), fica complicado: o que mais tem por aí é gente que há anos, trata o disco duplo dos Beatles como se a última música fosse Cry baby cry, que vem antes dessa. O que Lennon chamou "a imagem de uma revolução, mas usando sons" consiste em nove minutos de manipulação de tapes, risadas estranhas, fitas rodadas ao contrário, diálogos tirados do arquivo de sons da EMI, etc. Crie seu filho ouvindo Beatles mas não o deixe ouvir isso na infância.

"BLACK SABBATH" - BLACK SABBATH. A era de paz e amor parecia definitivamente enterrada quando o Black Sabbath soltou seu primeiro disco, homônimo, em 1970. A faixa-título, um dos sons mais assustadores da história do rock, contava uma história de terror e medo sobre vultos negros e ritos estranhos, ao som do trítono, intervalo musical dissonante tido como o "som do diabo". E avisava para quem ainda não havia entendido, fosse na Inglaterra, fosse no Brasil: "As pessoas seguem mortas de medo/pessoal, é melhor correr e tomar cuidado".

"SATANIC MASS" - COVEN *. Misturando psicodelia e satanismo baixaria, o grupo americano estreava com o LP Witchcraft destroy minds ans reaps souls em 1969 lançando uma espécie de beat-heavy-metal - liderado pela loura sinistra Jinx Dawson. Para encerrar o álbum, a banda não viu nada demais em produzir uma missa negra de treze minutos no estúdio e ocupar quase todo o lado B de seu debute com ela. Sim, medonho.


"LUCIFER RISING THEME" - JIMMY PAGE *. Atendendo a um pedido do diretor Kenneth Anger, o guitarrista do Led Zeppelin compôs a trilha desse filme que ele começou a fazer em 1966 e concluiu em 1972. Mas não entregou a trilha pronta a Anger, que preferiu usar temas compostos pelo músico Bobby Beausoleil, que foi integrante da banda psicodélica Love (e estava preso por assassinato na ocasião). A trilha feita por Page contém elementos que apareceriam na música do Led em discos como Physical graffiti (1975), sob uma aura de morbidez e ocultismo. Circulou por décadas em lançamentos piratas e só foi lançada oficialmente em 2012. Não ouça antes de dormir.


"CAMBRIDGE 1969" - JOHN LENNON & YOKO ONO *. Vinte e seis minutos de vocais agudos, gritos, choros e lamentos em geral, acompanhados de microfonias e barulhos mil. Isso era o lado A de Unfinished music 2: Life with the lions, segundo disco do casal Johnandyoko (como eles costumavam se apresentar) lançado em 1969. A tensão da música reflete a época: Yoko tivera um aborto espontâneo e Lennon seguia em brigas com os futuros ex-colegas dos Beatles.

"DISSERTAÇÃO DO PAPA SOBRE O CRIME SEGUIDA DE ORGIA" - TITÃS. Berrada e declamada por Branco Mello com várias microfonações, a música faz parte de Titanomaquia (1993), disco "grunge" do grupo paulista. A letra tem trechos retirados de uma obra do Marquês de Sade e detalha como a pena de morte acontece ao redor do mundo. Tenso.

"ATEM" - TANGERINE DREAM *. Atem, o quarto disco da banda alemã de rock progressivo e eletrônico, saiu em 1973. Tem cara de bad trip, misturando climas meditativos e sons assustadores, especialmente na faixa-título, que ocupa todo o lado A do LP original. Apesar do susto, foi o disco que conquistou de vez o DJ John Peel, da BBC, e que escancarou as portas do mercado americano e britânico - os próximos álbuns sairiam pela Virgin. Mas é o tipo de som que faz qualquer um passar a dormir com as luzes acesas.

"CLARISSE" - LEGIÃO URBANA. Poucos acordes, clima deprê ao extremo, Renato Russo quase chorando ao vocal, dez minutos de duração. Clarisse chega a assustar de tão triste, com seu clima mórbido e sua letra que fala de uma garota que está trancada no banheiro "e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete". Foi banida pelo cantor do álbum A tempestade (1996) por medo "de uma onda de suicídios" e vazou nos outtakes de Uma outra estação (1997), último disco de inéditas da banda, lançado após a morte de Renato.


"SUICIDE NOTE PT 2" - PANTERA. "Não vale a pena o tempo de tentar/reconstruir uma vida podre/vou dar um fim aos problemas sem encarar nada/foda-se você, fodam-se todos vocês". No esporrento e quase experimental disco The great southern trendkill (1997) o Pantera era a voz do desespero e do fim da linha em meio a gritos, chiados, guitarras apitando e muito barulho.

"DE CONVERSA" - CAETANO VELOSO*. Gritos, grunhidos, falas sobrepostas e nenhuma letra aparente - só na hora em que surgem uns trechos de Cravo e canela, de Milton Nascimento. A viagem experimental de Caetano abria o estranhíssimo álbum Araçá azul (1973) após uma vinheta da convidada Edith do Prato. E tratava de assustar e expulsar os ouvintes que tentassem achar ali o Caetano dos discos anteriores. Música medonha do Brasil.

"PODRIDÃO" - TOLERÂNCIA ZERO. Formado no interior do estado de São Paulo, o Tolerância Zero gravou um único disco em 1999, com o clássico da grosseria musical Ninguém presta. No fim do álbum, o quase rap Podridão acrescentava um pouco de ódio e (vá lá) terror urbano à história, em meio a teclados sinistros, narração soturna e, do meio para o final, uma torrente de barulhos. Para criar (muita) tensão.

"FRANKIE TEARDROP" - SUICIDE*. Um pacato pai de família, beirando a pobreza, vai para casa e mata a esposa e os filhos. E depois se mata. Er... o nada recomendável ato de Frankie é narrado minuto a minuto com sussurros seguidos de berros ríspidos (sem aviso prévio), programação eletrônica, riff de teclado a encher o saco e clima psicótico. Está no primeiro disco, lançado em 1977, do duo eletrônico formado por Alan Vega e Martin Rev. De dar medo mesmo.


"NO FUNDO DO POÇO" - WALTER FRANCO. Música experimental e pós-psicodelia davam o tom da estreia do cantor paulistano, Ou não (1973). No fundo do poço já havia surgido em versão quase samba na abertura da novela O hospital (TV Tupi, 1971). Aqui ressurge como bad trip estereofônica, com ruídos e vozes intermitentes e um clima que sugere como seriam os discos do doidão Daminhão Experiença se fossem gravados com uma produção de verdade. 

"WUTHERING HEIGHTS" - KATE BUSH. Inspirado no clássico livro O morro dos ventos uivantes, de Emily Bronte, o hit de 1977 da cantora britânica - incluído em seu primeiro disco, The kick inside, lançado no ano seguinte - pôs pânico em muitas criancinhas na segunda metade dos anos 70, graças aos seus vocais fantasmagóricos, lembrando uma versão pagã do Markito (aquele imitador que batia ponto no programa do Ratinho). Come tudo senão vou chamar a Kate Bush!

"DAZED AND CONFUSED" - LED ZEPPELIN. Composta por um tal Jake Holmes e surrupiada na cara dura por Jimmy Page para os New Yardbirds - e depois, você sabe, para o Led Zeppelin - Dazed até que merece figurar nessa lista, graças ao solo de guitarra com arco de violino que Page incluiu na versão do duplo The song remains the same (1976). Belo, intenso e, para muitos, assustador.

"HEY, FOXYMOPHANDLEMAMA, THAT'S ME (STUPID MOP)" - PEARL JAM. Revolution 9 da banda americana. Fecha o terceiro disco, Vitalogy (1994), e traz na letra diálogos e frases que Eddie Vedder, o vocalista, tirou de um programa de TV sobre pacientes de um hospital psiquiátrico. Tudo narrado em meio a uma argamassa mórbida e torturante de ruídos. Tem quem ouça esse disco a todo momento mas pule essa música. Compreensível.


"MATANDO GUEROS" - BRUJERIA. "Matar um garoto branco/vingança para o nosso povo/aceite as leis do diabo". Diante de uma letra dessas, pouco dá para dizer. O grupo americano, com origens no México, é uma das coisas mais bizarras e amedrontadoras que o metal extremo já legou, com suas letras falando sobre temas amenos como satanismo, narcotráfico e assassinato de jovens americanos.

"I REMEMBER NOTHING" - JOY DIVISION. Seis minutos de clima deprê e mórbido, um ruído estranho no fundo, vidros quebrando e a sensação de que alguma coisa bem estranha está para acontecer - e nada acontece. A última música da estreia do grupo britânico, Unknown pleasures (1979) soa como um estranho e raivoso pedido de socorro ("violento, a mão dele destroça a cadeira/reage e desmaia em desespero/preso numa jaula e rendido muito cedo/eu em meu mundo particular, aquele cara que você conheceu").

"GALLONS OF RUBBING ALCOHOL FLOW THROUGH THE STRIP" - NIRVANAMúsica-bônus de In utero (1993), gravada pelo Nirvana quando da vinda do grupo ao Brasil, no estúdio Companhia dos Técnicos, em Copacabana. Jam bêbada repleta de berros e solos doidões de guitarra, um sinal desesperador de que havia alguma coisa estranha por acontecer. E aconteceu.

"L.A. BLUES" - STOOGES. Dorgas, mano. A última música do segundo disco do grupo de Iggy Pop, Funhouse (1970) comprimia em quatro minutos doses de cocaína, heroína, barulho, confusão, sexo, violência e sentimentos nada nobres, num improviso de estúdio que lembrava um jazz psicodélico e experimental. E pouco lembrava blues.

"BOOKS OF MOSES" - ALEXANDER "SKIP" SPENCE - O músico canadense, que fez parte do Jefferson Airplane e do Moby Grape, lançou Oar, seu único disco solo, em 1969. Sofria de esquizofrenia, abusava do LSD e havia sido internado após destruir um quarto de hotel com um machado de incêndio. Books of Moses é um dos temas mais enlouquecedores do álbum, á beira do desespero.


"JANITOR OF LUNACY" - NICO. A música de abertura de Desertshore (1970), terceiro disco da ex-chanteuse do Velvet Underground, foi feita com o pensamento em Brian Jones, ex-guitarrista morto dos Rolling Stones. Bom, é o item mais ameno desta lista. Você pode escolher entre achar a canção muito bonita ou em achar um tanto torturante escutar quatro minutos de vocais gélidos e música desritmada, produzida num harmônio.

"ESTILO DE VIDA MISERÁVEL" - RATOS DE PORÃO. Faz parte de Carniceria tropical (1997), o disco mais violento e desesperado do grupo punk paulistano. Abre com um trecho do filme Pixote, de Hector Babenco, e prossegue com uma base apocalítica de guitarra, baixo, bateria e urros, gravados por João Gordo com a boca cheia de bolo.

"THE LITANIES OF SATAN" - DIAMANDA GALAS *.
 Dezessete minutos de música avant-garde que lembram tudo: tapes ao contrário, uma missa negra, uma versão operística de Revolution 9 (Beatles). Definida por críticos como "terror vocal", Diamanda estreou com esse disco assustador, de 1982, cuja faixa-título põe tons amedrontadores numa poesia de Charles Baudelaire. Tenha medo, muito medo. E também de outros discos dela, como Diamanda Galás, de 1984.

"CINTA CITA" - JORGE ANTUNES *. Compositor ligado à música experimental e aos sons eletrônicos, Jorge lançou em 1975 o álbum Música eletrônica, pelo selo Mangione Discos. E inaugurou a era dos sons não-acústicos no Brasil, com alguma badalação na mídia e poucas vendagens. O resultado final é, digamos, um tanto incômodo (no bom sentido) e quase psicodélico, lembrando trilhas de documentários brasileiros dos anos 70 (leia mais sobre esse disco aqui).

"INTERLUDES WITH LUDES" - THEM CROOKED VULTURES.
O supergrupo formado por Josh Homme (Queens of Stone Age, voz e guitarra), John Paul Jones (Led Zeppelin, baixo) e David Grohl (Foo Fighters, bateria) lançou seu primeiro álbum em 2009. Entre um hard rock maníaco e outro, soltaram essa espécie de samba de terror, com melodia desesperadora e letra narrando uma bad trip persecutória.

"SYSYPHUS (PARTS 1-4)" - PINK FLOYD.
 Quando o grupo britânico de rock progressivo ainda não havia saído totalmente da sombra do ex-líder Syd Barrett, acreditava fazer "música de vanguarda". Uma fórmula que deu supercerto em A saucerful of secrets (1968), mais ou menos certo na trilha do filme More (1969), chegou ao ápice em Atom heart mother (1970) e, bem, testou paciências no LP de estúdio do duplo Ummagumma (1969). Você escolhe entre achar o álbum uma obra-prima ou não (tem quem ache). Sysyphus, composta e tocada pelo tecladista Richard Wright (e só por ele), com sua quatro partes que surpreendem e dão lá seus sustos, é a mais perfeita trilha para a história daquele personagem grego que carregava uma imensa bola até o topo da colina, só para vê-la rolar para baixo e ter que levá-la de novo.

"FOME" - DAMINHÃO EXPERIENÇA. É para rir, mas pode incomodar e assustar. O maior hit do cantor carioca virou quase uma canção de rodinha de violão, cantada por fãs ("amooor, é ilusão/casei com mulher de segunda mão/fiquei na solidão"). Se na jovem guarda as rimas eram de "assim" com "mim", o louco Daminhão inova rimando "cabacinho" com "coraçãozinho" e "carinho". Nada fofinho.


"AFTER CEASE TO EXIST" - THROBBLING GRISTLE *. Todo o lado B do LP The second anual report (1977), estreia do grupo eletrônico-psicodélico-psicótico liderado pelo músico e ocultista Genesis P. Orridge era ocupado por essa, digamos, música. Vinte e um minutos de barulhos estranhos e ruídos no estilo monstro-no-armário. Dá para colocar qualquer um maluco, ou com insônia. Há quem diga que isso é o verdadeiro punk.

"RHUMBA" - ZÉ RODRIX. Tema instrumental e policial composto pelo cantor-compositor-escritor carioca para o violento filme O esquadrão da morte (1975), dirigido por Carlos Imperial. Dá a impressão de que alguma coisa terrível e muito violenta que está para acontecer (link para baixar o disco aqui).

"I HEAR A NEW WORLD" - JOE MEEK AND THE BLUE MEN.
 Tem algo muito errado com essa música. Após segundos de silêncio, entram ruídos estranhos e um vocal distorcido, criando uma espécie de música pop do espaço, anos antes da psicodelia tomar as paradas de sucesso - a canção é de 1960. O produtor Joe Meek, que lançou essa faixa no EP I hear a new world, sofria de transtorno bipolar, era maluco por ocultismo e pela ideia de gravar vozes do outro mundo (chegou a instalar gravadores em tumbas) e se suicidou em 1967, após matar a dona de seu apartamento.

"TODOS HIPNOTIZADOS" - OLHO SECO. Uma das mais fortes e violentas gravações do punk paulistano, levada adiante por microfonias, ruídos, berros e por uma letra falando em punhaladas pelas costas. A gravaçao original está nas faixas bônus da raríssima versão CD da coletânea Grito suburbano (1982). Dá um medinho. E o Olho Seco ainda está por aí.

"BENEDITO" - BEMÔNIO. Um grupo carioca que faz uma espécie de ambient music aterrorizante. Lançado em formato digital em 2013, o disco Santo traz apenas temas instrumentais, todos com nomes de santos - Benedito vai crescendo entre ruídos intermitentes e loops de orações (ouça toda a discografia do grupo aqui).



"SONG OF CLIFFORD" - PATTY WATERS *. Gemidos, sussurros, barulhos e silêncio (de dar mais medo que todos os itens citados) numa das músicas mais malucas do álbum College tour (1966). Tida como uma cantora de "jazz de vanguarda", Patty já foi citada por Diamanda Galás e Patti Smith como grande influência. Bom, por aí dá para entender muita coisa...

"SPEAK" - SWANS. Banda pós-punk americana a meio caminho do som ruidoso dos grupos da coletânea No New York (1978) e da barulheira-que-toca-em-rádio do Sonic Youth - criador do SY, o guitarrista Thurston Moore chegou a ser um Swan. O primeiro EP, de 1982, era bem tenso, com músicas como Speak e Take advantage.

"MURDER" - HELMET. Essa banda americana calcada no experimentalismo guitarrístico já ganhou status de "novo Nirvana" no auge do grunge - e foi contratada pela Interscope a peso de ouro. Antes do sucesso encerraram seu primeiro disco, Strap it on (1990), com essa pérola da distorção, do barulho e do ódio, cuja letra fala em coisas amenas como hábitos mórbidos, espancamentos até a morte e assassinatos.

"STIGMATA" - MINISTRY. A visão de mundo de Allen Jourgensen, líder do veterano grupo de metal industrial, é um delírio aterrador movido a drogas pesadíssimas. Stigmata foi lançada em 1988 no disco The land of rape and honey, que marcou a virada do som eletrônico para o peso violento. A versão do disco ao vivo In case you didn't feel like showing up acrescenta todo um universo de blasfêmias e intolerância à história.



"ANYTHING JESUS DOES, I DO BETTER" - LOCUST. Estranho o suficiente para incluir um tecladista, o grupo californiano de grindcore pode ganhar o clichê sem problema algum: é a mais perfeita trilha sonora para o fim do mundo. O disco Plague soundscapes (2003) traz várias minipancadarias - maior parte delas com menos de um minuto e quase todas com títulos enormes. Uma delas é essa aí.

"22 GOING ON 23" - BUTTHOLE SURFERS. A banda texana não fica atrás do Ministry em terrmos de autodestruição e comportamento desencapado - o líder Gibby Haines é inclusive velho chapa de Allen Jourgensen. Acrescentam um pouco mais de bom humor e ironia à receita, mas os climas aterrorizantes volta e meia batem ponto ali, como em 22 going on 23, com levada bizarra e um papo bizarro entre duas pessoas como "letra".


"TURNING VIOLENT" - FLAMING LIPS. A veterana banda psicodélica sempre teve paixão por climas assustadores e, ao mesmo tempo, belos. Em um de seus singles mais recentes, Turning violent, passam quase todo o tempo tocando silenciosamente - até que dão um belo dum susto nos ouvintes. Curta aí. Vale o susto.




BÔNUS: "SOM" - PERSONA (1975) *. Na minha humilde opinião, um dos discos mais assustadores que já ouvi - e foi feito no Brasil. O projeto que se esconde por trás do nome "Persona" inclui músicos do Tutti-Frutti, banda que acompanhava Rita Lee. O álbum era a trilha sonora de uma obra de arte criada pelo artista plástico Roberto Campadello: um espelho no qual duas pessoas podiam fundir suas próprias imagens, ao olhar para eles, provocando experiências sensoriais (saiba mais disso aqui).

Quando o espelho foi comercializado, o disco foi lançado encartado nele, trazendo onze músicas compostas por Campadello e pelo guitarrista Luis Carlini. No som, melodias sombrias, clima de bad trip, locuções estranhas e conversas paralelas no fundo de algumas músicas (confira todas as imagens de capa, contracapa e encartes aqui).


TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

5 comentários:

  1. Sei que talvez você não goste deste comentário Ricardo, não sei muito bem o que pensa a respeito de "remix", mas no meio desta lista INCRÍVEL que você disponibilizou, tem muita coisa com um ótimo potencial para trabalhar com remix. Coisas fantásticas mesmo. Muito obrigado!!!

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  2. Fala doutor. A faixa do Coven foi remixada e lembro de já ter ouvido um remix de "Matando gueros". Abç.

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  3. E gosto bastante de remixes, desde que acrescentem coisas legais ao original.

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  4. Sim, sim! Com toda certeza um remix deve agregar um bom conteúdo, ou então não vale a pena mexer no original. Parabéns mais uma vez. Great!

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  5. Faaaala, Schott! Há uma música do Pink Floyd que me dá um certo medo, ao menos no inicio da canção, hehehe... Chama-se "FLAMING", do primeio LP. Aliás, há várias passagens sinistras nesse álbum.
    http://www.youtube.com/watch?v=NPoZoEV9AsU
    Abraço!

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