sexta-feira, 13 de junho de 2014

JÚNIOR: MEMÓRIAS DA COPA 82, DA PRAIA E DE "VOA, CANARINHO VOA"

Eu tinha dito outro dia no Facebook que não gostava de futebol e nunca tinha gostado. Mentira. Torci muito na Copa de 1982, com oito anos. Com aquela seleção, não tinha jeito mesmo: era torcer ou torcer. Mil anos depois disso, encontro-me co-editando e escrevendo (ao lado do amigo Leandro Souto Maior) quase tudo numa revista chamada Rio Praia Linda, que existiu durante alguns meses no ano passado. E escolheram ninguém menos que Júnior, nomão da turma de 1982 e hoje comentarista, para a capa.

Foi fácil marcar com Júnior, que só pediu um tempo para verificar com a Globo, onde ele bate ponto, se poderia fazer a matéria ("comigo é tudo pão, pão, queijo, queijo, sabe, amigo?", disse por telefone). Rolou numa boa. O papo foi numa manhã, na praia da Barra da Tijuca, e incluiu assuntos como futebol de praia, volei, praia limpa, a Copa de 1982, samba (o sucesso
Povo feliz, que ele gravou num compacto e que vendeu muitos discos impulsionados pelo futebol-arte dele, de Zico e de outros nomes), peladas, hábitos praieiros e outras coisas. Curta aí.


JÚNIOR DA PRAIA
Fera do Flamengo nos anos 70 e 80 e rei do futebol de areia, ele fala sobre seus hábitos praieiros
Texto e reportagem de Leandro Souto Maior e Ricardo Schott


Parafraseando aquele meme bizarro das redes sociais, dá para dizer que o ilustre Leovegildo Lins da Gama Junior, ou simplesmente Júnior, 59, ama/é a praia. Tal como ama/é também o futebol. A ponto de unir as duas paixões e transformá-las numa só profissão - a partir dos anos 90, quando o ex-jogador do Flamengo profissionalizou o beach soccer. E eternizar-se não apenas como o polivalente Capacete (como se tornou conhecido graças ao formato de cabelo que usava nos anos 70/80, uma juba black domada) ou como o "Vovô Garoto" de quando retornou, nos anos 90, a jogar pelo time rubro-negro.

"A galera que não me viu jogando pelo Flamengo passou a me conhecer como Júnior da Praia", alegra-se o futebolista (e comentarista da Rede Globo), de olho nas redes de vôlei, numa bela manhã de sexta-feira, em frente ao Barramares, na praia da Barra da Tijuca. Logo ao chegar, cumprimenta moradores e jogadores, olha o mar e recorda-se de quando trocou, há três décadas, a amada Copacabana pelo clima diferenciado da Zona Oeste.

"Rapaz, faz dias que não jogo meu voleizinho", inquieta-se. O joguinho de Júnior esperou por mais uma hora, enquanto ele conversava, esbanjando calma e simpatia, com a Rio Praia Limpa.

Você é sempre citado como uma figura do Rio. Mas você nasceu em João Pessoa (PB). Quais são suas lembranças de lá? Na verdade poucas, porque eu vim com 5 para 6 anos. As lembranças são muito mais através de fotografias. Tinha umas festas de São João nas quais meu tio Américo fazia umas fogueiras imensas. Isso está muito visível na minha cabeça. A outra coisa é a praia. Minha família tinha casa na Praia do Poço. Tinha um alpendre, uma varanda em que ficava todo mundo sentado vendo as jangadas. Eu era muito pequeno, mas isso ainda está bem visível.

A praia como lugar para jogar bola começou aqui, então? Sim. Cheguei no Rio e fui morar em Copacabana, na Rua Domingos Ferreira. Estou na Barra há trinta anos, mas meu cordão umbilical ficou lá. Minha mãe ainda mora lá, meus dois irmãos também. Tinha e tem meu time de praia lá, o Juventus, que completa 80 anos este ano. A rapaziada que jogava bola comigo é de lá. Isso tem um valor muito grande para mim até hoje. São pessoas que me conheceram moleque. Tem gente ali que me viu com cinco anos, quando eu estava chegando ao Rio. Tenho carinho especial por todas elas. Mas a minha relação com a praia foi imediata. Meu tio-avô tinha uma rede em frente ao hotel Olinda, na Rua Siqueira Campos, esquina com Avenida Atlântica. A gente ia com ele para a praia cedo para ajudá-lo a armar a rede. O meu irmão mais velho já ia à praia, jogava futebol de areia no Juventus e começou a jogar vôlei. Eu tinha 8 anos e ele tinha 10. Ele começou a jogar no mirim e eu fui atrás quando tinha idade. A praia representou para mim a descoberta da diversão. E quem mora perto da praia não tem como não se envolver com isso.

Você praticou outros esportes de praia? Você gosta de surfe, por exemplo? Nós pegávamos naquela época jacaré, que era com uma pranchinha de madeirite. Era uma prancha feita de uma madeira fininha, com a parte da frente inclinada. Praticávamos de pé de pato. Às vezes era com um pé de pato só, para dar impulso para pegar a onda. Depois fomos para a prancha de isopor, que eu não gostava porque aquilo queimava, ardia pra caramba. Tentei surfe mas meu negócio sempre foi jogar bola: futebol, vôlei, futevôlei... Era tradicional jogarmos pelada na beira da água em Copa, quando tinha aquele espaço grandão que você botava duas sandálias em pé. As senhoras que passavam reclamavam pra caramba. Tinha uma que de vez em quando tomava uma bolada e voltava reclamando... E tinha também o frescobol.

O Flamengo descobriu você na praia? Houve um processo antes... Fiz primeiro uma experiência no Botafogo, porque o Neném Prancha era muito amigo do Tião Macaco, que era porteiro do meu prédio e tomava conta do Juventus. A gente escutava as histórias do Seu Neném e ele me chamou. Fiquei lá dois meses treinando. Mas nesse período o Joel Martins (treinador) me botou de lateral. E eu era meio-campista. Pedi para mudar para o meio de campo e ele: "Pô, tem muita gente...", e eu saí. Depois fiz uma experiência no Flamengo, já com 15 para 16 anos. Passei também pelo Fluminense, com 17 para 18. Depois fui para o América, levado por um amigo meu, Rogério Batman. Vi lá a primeira discriminação no futebol.


Como assim? Fui jogar lá com um amigo meu, o Bahia. Ele jogava comigo na praia, nós morávamos em Copacabana. Depois de um certo tempo - nós já treinando, no esquema todo do clube - vem o supervisor e distribui uma quantia em dinheiro para cada um dos jogadores. Nada de especial, era só uma ajuda de custo, para o ônibus. Quando chegou na vez do Bahia e na minha, ele nos pulou. Perguntei e ele: "Vocês não precisam, vocês moram em Copacabana". Nunca mais voltei, achei aquilo um absurdo. Pagava as passagens com meu dinheiro.

E não voltou mais? Não, não. Dei uma parada, queria estudar, fazer vestibular. Um amigo do meu tio era segurança do edifício Luis de Camões - que dava ao nome à minha turma, a Turma do Camões. Era a galera que ficava em torno do prédio, na Rua Figueiredo de Magalhães com Rua Domingos Ferreira. Ele falou: "Pô, sou amigo do Modesto Bria, queria que você fosse ao Flamengo...". Eu já tinha feito um monte de testes, queria mesmo era estudar. Fui mais pela amizade dele com meu tio. Minha sorte foi que nesse períoido em que fui treinar, o Fla estava passando por uma transição. A turma de 1973 - Rondinelli, Cantarelli, Zico, Rui Rei - estava subindo para o profissional. Isso já foi no começo de 1974. Abriu um espaço muito grande para muita gente. Já estava lá desde 1973 e entrei nessa história. Só joguei um ano no Juvenil, em 1974 e no fim do ano fui para o Profissional. Foi aquela coisa da oportunidade. Ela não tem cabelo, se você não pegar ela passa!

Você já tinha meio que desistido do futebol? Sim. Os treinamentos eram no sábado da tarde, que é o dia nobre do futebol de areia. Às vezes eu saía do treino do Flamengo correndo para pegar o segundo tempo do Juventus na praia. Era muito fominha. Aquilo era diversão. Era uma coisa que eu tinha paixão mesmo em fazer.

Aliás, comenta-se bastante que sua dedicação ao futebol de areia livrou você de contusões e males parecidos. É verdade? Sem dúvida. Isso não foi planejado, claro. Eu passei 22 anos como profissional, sem ter um problema muscular, uma distensão. Fui ter isso já com 45 anos. E principalmente ajudou na questão de articulações, de tornozelo e joelho. Fui operar meu joelho pela primeira vez no ano passado, já com 58 anos. O médico que me acompanhou desde o juvenil até o encerramento da minha carreira até foi procurado por alguns jornalistas algumas vezes. Eles queriam entender o porquê disso. O que ele falou foi que minha formação, dois oito aos 18 anos, foi toda em cima da areia. As articulações e minha musculatura foram formadas de um jeito diferente. Eu não podia fazer peso, por exemplo. Quando fazia, ficava todo travado. Minha musculatura já tinha uma forma.

Com que jogadores conhecidos você jogou na praia? De jogadores que eram de uma geração antes da minha, teve o Fred, que era irmão do Paulo César. E o próprio Paulo César. O Renato, goleiro do Flamengo, campeão do time em 1974. O Edinho, do Flu - esse foi meu contemporâneo mesmo, jogava no Copaleme enquanto eu jogava no Juventus. Depois vieram o Adalberto, o Adílio, o Jaime, que jogava no Royal do Leblon.

Você foi criado em Copacabana, e é um bairro em que o morro e o asfalto vão à praia. Diria que o futebol de praia une classe sociais? Sem dúvida. A gente ia para o samba no Vila Rica, na Ladeira dos Tabajaras. Muitos companheiros do Juventus iam para lá. Aprendi a tocar os instrumentos de percussão de samba lá. Repique, surdo... Foi tudo no morro. Era uma outra época, dava para irmos tranquilamente e nunca houve preocupação por parte dos pais da gente. Isso em 1967, 1968... Eu já tinha 14, 15 anos. A gente jogava na quadra de terra batida. Até hoje há uma relação grande do Juventus com o Vila Rica. Havia amigos que tinham uma condição bem acima de todo o mundo. Nem por isso, no aniversário dele, ele deixava de chamar o pessoal do morro. Antigamente as pessoas nem falavam "fulano mora no morro", falavam "ele mora lá em cima". Dava para identificar quem morava lá em cima, como se dizia, pela roupa. Hoje isso nem acontece mais. Já há essa integração, houve uma grande evolução da sociedade. A única coisa que eu sinto é que muitos contemporâneos meus, com a entrada da droga, do tráfico... Quem não tinha algo definido na vida se envolveu com isso. Muitos já não estão mais aqui para contar suas histórias. Mas alguns estão lá até hoje. No dia 14 de dezembro vamos nos reunir para comemorar 80 anos do Juventus. São cinco gerações e a galera do Tabajaras vai estar com a gente. Vai ser entre as ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães.

Você já gravou discos como sambista. Samba e praia têm a ver? Durante um bom período, no carnaval, antes de ir para os bailes, tocávamos das 15h às 20h, na Avenida Atlântica. Algumas vezes, íamos para o lado do calçadão. Tinha mais gente lá e tinha sempre um maluco junto da gente, o Jonjoca, que passava um chapéu para ir recolhendo dinheiro das pessoas. Lembro que na primeira vez que ele fez isso falamos: "Para com isso, tá maluco?". Só que ele foi lá, passou o chapéu e depois comprou dez cervejas para a galera! Ninguém tinha a cara de pau dele. Mas nem era nossa parada, a gente ia curtir. A gente alugava uma carrocinha do Angu do Gomes, cobrava R$ 20, pagava a carrocinha e comprava a cerveja.

Quais foram os maiores desafios que você teve na hora de fazer o beach soccer erguer-se no Rio e no Brasil? Minha paixão sempre foi o futebol de areia. Quando descobri o beach soccer em 1993 me entreguei de cabeça e fiquei oito anos naquilo ali. Imagina, com 55 anos me meti a jogar um torneio! Você vê só a minha loucura! Jogava com meu filho e com o Felipe, filho do Claudio Adão. Faltava jogador e fui completar. Só parei porque quando chegava no sábado de noite eu não conseguia nem andar, cara. Correr com uns moleques de 20 e poucos anos na areia, não dava... Eu ficava morto. Mas foi uma grande experiência jogar com meu filho e com o filho de um amigo.

Ele era profissionalizado até então? Não, nada. Comecei com ele quando recebi um convite. O primeiro convite para jogar em Miami foi para os jogadores de São Paulo, mas alguém falou: "Olha, não esquece do Júnior, ele sempre jogou futebol de praia". O idealizador dessa história foi um ítalo-americano, o Giancarlo Signorini. Ele bolou o jogo porque achava que os americanos precisavam de um futebol que fosse divertido para todo mundo: quem jogava, quem estivesse em casa e quem estivesse asssistindo no local. Eu estava de férias, mas falei com minha mulher: "Vamos lá, uma semana em Miami, a gente vai se divertir, fazer umas compras, pegar uma praia". Era uma brincadeira, mas os caras começaram a se envolver no jogo de uma forma tal que virou coisa de verdade. Pensei: "Isso é a cara do Rio!". Conversei com o Giancarlo e ele tinha estudado com um dos filhos do Roberto Marinho na Suíça. Ele precisava de uma estrutura e eu o apresentei ao pessoal da Koch Tavares, que já tinha a estrutura do beach volley. Fizemos o primeiro mundialito, comigo responsável um pouco pela formação dos times. Nossa ideia era de que precisávamos de um apelo para trazer público. Chamei o Zico, o Paulo Cesar, o Claudio Adão. Terminei ficando oito anos nessa brincadeira, que virou coisa profissional. Tivemos também que nos preparar. Imagina, jogando com caras de vinte anos menos que a gente, contra um time americano, na televisão...

E como você viu a chegada da profissionalização e os primeiros prêmios? A gente começou a discutir isso nessa época. Nós tínhamos cachê individual. Eu não tinha contrato. Não queria ficar preso. Eu fazia uma avaliação vendo quantos torneios tinha por ano, onde eram. Falava: "Esse dá para eu ir, esse não dá", mas acabava mesmo era indo em todos. Entrava de cabeça na história, comandando um pouco. O retorno foi vermos o crescimento do esporte. Quando a gente via que a audiência na Globo tinha sido maior do que a da corrida na qual Ayrton Senna foi tricampeão do mundo... Vimos então que fizemos um bom dever de casa. As pessoas ficavam em casa para ver o esporte. Outra coisa legal é que como eu fui longevo - peguei anos 70, 80 e 90 - já tem uma garotada que nem me viu jogar no Fla e me conhece como Junior da Praia. Quando eles começaram  a acompanhar, eu já tinha deixado de jogar nos campos. E mesmo assim cheguei até eles. Consegui ter mais essa galerinha do meu lado.

E chegaram também novos jogadores... Fomos trazendo os garotos: Junior Negão, Neném, Renan, Benjamin, uma rapaziada que a gente conhecia da praia, para que depois começasse um processo de renovação. Esse pessoal só jogava futebol de praia ou futevôlei. Não tinha muita perspectiva. A melhor coisa que fizemos foi endereçá-los para o lado profissional do beach soccer.  Os caras viveram, e vivem, do beach soccer. Uma coisa que começou num embriãozinho pequenininho e mesmo hoje não é tão profissional quanto gostaríamos - se não houver uma reviravolta, o beach soccer vai ter problemas para se manter.

Por que? Porque o processo foi inverso. Começou-se direto com a seleção, em vez dos clubes. Geralmente é o contrário. Em 2001, quis trabalhar com a federação do Rio para melhorarmos o que começou oito anos antes. Queríamos começar a fazer torneios femininos, por exemplo. A ideia era que tivéssemos uma seleção brasileira. A seleção de hoje é a mesma  de oito anos atrás. Isso não é legal. Esse processo deveria ter acontecido com mais rapidez.

Quais são seus points praieiros? Onde você curte ir à praia? Desde 1984 quando casei, eu vim parar aqui no Barramares. Mas ia muito ali no Barra Beach, o Zico ia à praia lá e nós ficamos  um tempo lá. Conheci um cara que era da rapaziada do Barramares. E logo depois comecei a vir aqui. Em 1989, na volta da Itália, eu ia para Copacabana. Ficava lá direto. Mas depois passei a vir para cá. Aqui não dá mais para sair, digo que daqui só para o (cemitério) São João Batista.

O que o atrai aqui? A Barra era meio Copacabana antiga. Tinha pouca coisa. Agora está urbanizada, bem entre aspas. Antigamente tinha as barraquinhas bem humildes. O Hamilton foi sorveteiro aqui, pegava minhas crianças pequenas. A gente tinha conta lá, chegava no fim do dia e o cara "Olha, tem x picolés". Confiávamos piamente nele. Esse tipo de relação humana a gente tinha. O Roberto, que é barraqueiro até hoje, era um amigo, a gente o ajudava, ele ajudava a gente. Em Copa, esse tipo de relação existia muito. Além das amizades. O Barramares tem mais de 4 mil pessoas.

Mais alguma outra praia? Copacabana. Saio daqui e vou para a Siqueira Campos. Vou para lá, tomar chope com eles, jogar bola. É lógico que hoje tem uma molecada. Fizeram torneio de futevôlei outro dia, cheguei lá 9h e saí 19h. Antigamente era na Rua Figueiredo Magalhães. A gente frequentava o Bar Benfica, que minha mulher dizia que era o Malfica. É a sede do Juventus até hoje. Depois abriram um bar chamado Temperado na Siqueira Campos em que deixavam fazer tudo que a gente gostava - o dono era o Marcelo, que hoje é dono da Adega Pérola. Hoje a gente saiu de lá porque ele vendeu o bar e fomos para o Corujinha, que fica na Hilário de Gouveia esquina com a pracinha. Isso você só encontra em Copa, porque na Barra não tem esquina. Você só vai achar essa esquina ali na Olegário Maciel, em poucos lugares em que há bares no estilo Copacabana.

Você pega uns jacarés ainda? 
Com quase 60 anos, não dá para fazer essas estripulias não... Hoje é só na beirinha e para tirar a areia, o suor, refrescar. Em Copa, no mar, a gente pescava de latonete. E o que era isso? A linha de nylon enrolada numa lata que você fazia uma espécie de chicote e jogava lá para pescar. A gente se divertia pra caramba. Só minha mãe que se horrorizava porque voltava com uma meia-dúzia de galhudos, papa-terra... Uns peixes pequenos. Aquilo ali para ela limpar era um problema! A gente também pegava tatuí. Cara, os tatuís sumiram. A gente fazia frigideira de tatuí. Copacabana teve uma grande mudança quanto aterraram para fazer as pistas duplas.

E o que você gostaria de ver na praia hoje? 
A organização das praias precisa melhorar. Sempre reclamamos muito da falta de banheiros. Isso é o principal, a coisa mais absurda. Uma orla como essa... Fui outro dia para Pescara, que é uma cidade com um litoral bem grande. É explorada de forma diferente daqui. O cara tem um quiosque, por exemplo, e é responsável pela praia na frente dele. O cara tem que limpar aquilo ali, botar as barracas, as espreguiçadeiras. Tudo pago. Há espreguiçadeiras mais caras do que outras. Depois os caras passaram a montar redes de vôlei lá. E eles são obrigados a deixar tudo limpo. Você vê por exemplo aquela descida lá da praia (aponta), que era há pouco tempo de terra batida. Encontrei um assessor de um político aqui e sugeri que fizessem uma escada. Tem muitas senhoras aqui, isso pode causar acidentes. Um detalhe, coisa simples, que faz falta. E só aparece quando você está perto de eleição. Vêm aqui oferecer poste, luz...

Mais alguma coisa? 
Os eventos na praia foram banalizados. Antigamente você tinha os eventos de vôlei, alguns campeonatos de surfe, os torneios de verão de futebol de praia... Chega o verão e é quando as pessoas querem fazer dinheiro, com incentivos, etc. Não que isso não tenha que acontecer, mas muita gente vê isso como filão. Tem que organizar porque a praia é 0800.  E você logo vê gente fazendo cercadinho, discriminando, querendo ganhar dinheiro. No mais, queria ver praia limpa. E consciência dos banhistas, de jogar lixo no lixo, levar saquinho para recolher o lixo na praia.

É isso! 
É isso? Posso ir jogar meu voleizinho? Valeu!



JÚNIOR DO SAMBA O pagode da praia virou disco e clipe em 1982, pouco antes de Júnior embarcar para a Copa da Espanha - aquela, do mais histórico escrete canarinho. E surgiu da amizade do jogador com um luminar do samba, o cavaquinista Alceu Maia. "Ele me ligou e falou: Aí cumpadi, tem uma música aqui pra você!'", diz Junior, que estava concentrado na Toca da Raposa e prestes a embarcar com o Flamengo para Portugal. "Alceu me ligou e tiramos o tom pelo telefone. E ele falou: 'Tu vai chegar aqui e vai botar só a voz. Segura a voz na sexta que sábado de manhã tu tá no estúdio'", recorda.

O problema é que Junior estava há um mês trancafiado na concentração e louco para ver os amigos. Bom, de problema, acabou sendo a solução. "No Leblon tinha um pagode que a gente frequentava na Bartolomeu Mitre. Fui dormir às 5h, depois de cantar a noite inteira. Às 7h eu acordei, porque a gente tinha marcado estúdio às 8h e eu queria ir pra praia. Minha voz ainda estava aquecida, fizemos tudo em duas horas", conta.

Povo feliz, de Memeco e Nonô, hit do disco (o lado B foi Pagode da seleção, de Júnior e Alceu Maia), celebrizou-se por um refrão abençoado, "Voa, canarinho voa/mostra pra esse povo que és um rei". E por um clipe gravado em condições pra lá de adversas. "Quando saí de lá, os caras da Globo estavam lá e falaram: 'Vamos precisar fazer um clipe pro Fantástico'. Pensei: 'Eu, fazer clipe pro Fantástico? Tchau, mermão, vou pra praia''', brinca Júnior, que ainda receberia mais visitas da estação até se convencer.

"Eles falavam que ia ser rápido. Só que não existe clipe rápido e eu ia viajar de noite. Falei: 'Bom, se for do meu jeito, a gente faz'. Me reuni com a minha rapaziada no Rondinella, um bar ali na Siqueira Campos. Gravamos de 16h até 19h. Ficou bacana, eu sério pra caramba, cantando samba", recorda o cantor-comentarista-jogador. No fim das contas, 720 mil cópias foram vendidas. "Mas a música só ficou conhecida pelo futebol que aquela seleção jogava", divide o êxito.

Um comentário:

  1. Eu morava entre 1979 e 1985 no Camões e vi e ouvi várias vezes o Junior com sua turma fazer samba de primeira no BAR BENFICA. Ele era muito animado. Seu jogo de fim de ano em frente a Figueiredo Magalhães era fantastico e só tinha craques. Que época fantastica. Ele costumava frequentar também o ARATACA.

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