quarta-feira, 25 de junho de 2014

MICHAEL JACKSON

Cinco anos sem Michael Jackson - vai aí uma data quase redonda (meio redonda) para a alegria dos jornalistas.

Quando eu trabalhava no
Jornal do Brasil escrevi essa reportagem com os músicos brasileiros que chegaram a dividir estúdios ou qualquer tipo de trabalho com o rei do pop. Na época, 2008, Michael estava fazendo 50 anos. Djavan, Ivan Lins e Moogie Canázio (engenheiro de som) deram seus depoimentos. Lembro que o do Ivan veio por e-mail e foi um texto bem maior que isso. Cheguei a sugerir que fosse publicado na íntegra, mas não rolou.

Ficou faltando o depoimento do Paulinho da Costa, superpercussionista brasileiro que mora nos EUA e tocou com Michael em vários discos - pôs até cuícas em
Wanna be startin' something, abertura do clássico Thriller (1982). Passei um bom tempo no pé dele, cheguei a abordá-lo de maneira bastante afobada (e ele foi bem simpático, graças a Deus) no camarim do show da cantora Diana Krall no Vivo Rio, naquela época. Mas ele preferiu não falar.


Leia o link quase original dessa matéria (é de quando ela foi replicada pelo Terra) aqui.

BRASILEIROS RECORDAM CONTATO COM O ÍDOLO MICHAEL JACKSON
Publicado pelo Jornal do Brasil em 29 de agosto de 2008

Desde o lançamento de Off the wall, disco que inaugurou a carreira discográfica de Michael Jackson na Sony, músicos brasileiros freqüentam o estúdio do cantor. O mais freqüente deles é o percussionista carioca Paulinho da Costa, que mora em Los Angeles desde o começo dos anos 70, participou de todos os álbuns do cantor desde 1979 e a jornalistas costuma dizer que na gravação do multipremiado Thriller encontrou o cantor "seguro e relaxado", além de bastante simpático.

O mesmo discurso tem o engenheiro de áudio brasileiro radicado nos Estados Unidos Antonio Moogie Canázio, que, no começo dos anos 90, fazia a engenharia de gravação do disco Brasileiro, de Sergio Mendes (1992), e acabou sendo convidado pelo então produtor de Jackson, Bruce Swedien, para cuidar de algumas músicas de Dangerous, lançado pouco antes - que tinha sucessos como Black or white e Remember the time.


"Durante as sessões, Jackson foi extremamente dedicado ao trabalho. É um detalhe até antagônico, se você levar em conta todo o sucesso e todo o poder dele", recorda ao Jornal do Brasil, por telefone, de Los Angeles, afirmando que seu ídolo mesmo, na época, era o produtor Swedien.

"Ele comandou uma equipe muito boa, bastante unida e com tempo e espaço para experimentar e pesquisar coisas novas, mesmo dentro de um trabalho pop".

Outro brasileiro que fez sessões com Jackson foi Laudir de Oliveira, então percussionista do grupo pop americano Chicago. Laudir tocou no álbum Destiny (1978), um dos últimos dos Jacksons com o irmão mais novo, e acabou sendo testemunha de um momento de ruptura na história do cantor, que pouco depois faria sucesso solo.

"Não tinha pressão, mas havia expectativa quanto a ele, tanto que o grupo passou a ser produzido pelo Quincy Jones, que depois seria produtor dele", diz Oliveira, impressionado com o gap entre o Jackson de outrora e o atual.

"O cara que eu conheci em 1978 não era esse aí, não. Ele era um cara humilde, tímido, que pedia opinião de todo mundo. Nunca imaginaria que ele iria querer virar branco ou algo do tipo".

Se Laudir, da Costa e Canázio estiveram juntos de Jackson em momentos que foram cruciais para o cantor, dois compositores e cantores brasileiros acumulam histórias em que as relações com o rei do pop poderiam ter modificado suas vidas profissionais.

Djavan, por exemplo, recebeu, em 1986, um pedido do então produtor de Jackson, Quincy Jones, para que fizesse uma música para o próximo álbum do cantor, que seria Bad (1987).

Na época, Djavan e Jones estavam relacionados profissionalmente: o compositor tinha algumas de suas canções editadas pela empresa do produtor, nos Estados Unidos. O autor de Oceano mandou a melodia, que receberia letra do próprio Jackson, mas com atraso.

"O Jones havia me pedido com oito meses de antecedência, imaginando que faria a música em um mês, mas só enviei no fim da produção do disco. E era uma música pop, mas muito rebuscada, inadequada para ele", diz Djavan, que é fã de Thriller, clássico de Jackson, que considera um álbum revolucionário.

"É imbatível. O Michael tem a noção de como fazer pop e não ser banal", acredita o músico.

Apesar do contato profissional não ter rendido nada, Djavan pôde conhecer o cantor, quando precisou ir a Los Angeles encontrar Jones. Na época, ele mixava Bad no estúdio Sunset Sound.

"Ele estava num quarto do estúdio, vendo desenho animado num televisor pequeno, rindo bastante. E estava pintado de vermelho, como um apache", recorda.

Djavan lembra também um detalhe que chamou muito sua atenção: "Jackson lembra um passarinho assustado, que fica olhando nervosamente para os lados e, quando uma pessoa o encara, vira o olhar".

Ivan Lins foi outro brasileiro a quase ser gravado por Jackson, e justamente em Thriller. Divergências entre o cantor, seu parceiro Vitor Martins e um dos advogados do produtor Quincy Jones impediram que Um novo tempo entrasse no álbum, com letra em inglês feita por Rod Temperton.

"O advogado quis nos dar uma rasteira e passamos oito meses brigando. Nem sabemos se ouviu a música", diz o cantor, que conhecera Jackson pessoalmente em 1981 numa situação inusitada: o rei do pop era um dos convidados de uma feijoada em homenagem a Lins, na casa de Quincy Jones em Los Angeles.

"Ele brincava com as filhas do Jones, completamente alheio. Fui apresentado a ele e Jackson só me estendeu a mão, sem levantar. A (cantora) Patti Austin me disse que ele era um mosca-morta e que, quando tinha que entrar no palco, precisavam empurrá-lo", lembra Lins.

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