sexta-feira, 13 de junho de 2014

OS RAIMUNDOS GANHARIAM MAIS

se o assunto "Rodolfo" não mexesse tanto assim com o grupo hoje em dia. Declarações do ex-raimundo, hoje um cantor gospel, dizendo que se arrependia das letras que cantou com a banda, andaram deixando Digão (vocal, guitarra) e Canisso (baixo) bem putos da vida.

Os dois responderam no Facebook, disseram que a banda é a eterna previdência privada dele, já que ele recebe dinheiro de direitos autorais e royalties ("não é nenhuma merreca", frisa Digão). Todo mundo está certo e todo mundo está errado: Rodolfo tem todo o direito de seguir seu caminho e de se arrepender do que quiser, e ganha um dinheiro limpo pelo tanto que já trabalhou. Mas faria melhor em não vestir a capa do cristão arrogante e soberbo (típico de algumas igrejas evangélicas, que querem "salvar" o mundo) e não cuspir no prato em que comeu.

Entrevistei a banda quando Cantigas de roda, o novo disco, estava ainda sendo preparado. Nem ia perguntar sobre Rodolfo, mas surgiu uma brecha e o assunto apareceu. Pincei só uma frase - não daria para não tocar nesse ponto - e pus no fim da matéria. De lá para cá, Cantigas saiu e mostrou uma boa sobrevida para o grupo. Que hoje lota espaços, inclusive no Rio de Janeiro, depois de passar quase dez anos com problemas para conseguir público - em 2005 vi um show dos Raimundos na Barra da Tijuca para uma plateia ridícula de tão pequena.

Para quem quiser recordar a época em que Rodolfo era o melhor vocalista (e grande letrista) do rock nacional dos anos 90, tem vídeos como esse aqui, que traz o show do grupo no Hollywood Rock de 1996 - uma época em que, no Brasil, o rock, mais do que mainstream, era tão natural quanto abrir a torneira e a água cair. Dos Raimundos hoje, basta dizer que têm um mercado a desbravar e um bom disco para lançar. E que o passado passe de verdade para ofendedores e ofendidos.

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