quarta-feira, 25 de junho de 2014

QUARENTA MICOS E HISTÓRIAS ESTRANHAS DE ARTISTAS

Preste atenção agora: você também já pagou mico. Já ficou bêbado e falou merda, já fez cagada pública, se bobear já se envolveu em brigas, já passou dos limites, já disse coisas das quais se arrependeu amargamente, já foi injusto e quem sabe até desleal. Micos todo mundo paga. Não dá para julgar ninguém pelas bostas que faz em determinado momento. Ou melhor, até dá sim - dependendo da bosta e de com quem se faz. Mas nem é o caso aqui.

Fazer merda nunca deixou de estar na moda. Pode servir de lição, de exemplo. Recentemente, Roberto Carlos fez, James Hetfield (Metallica) fez. Raul Seixas já pagou micos fenomenais, Elvis Costello tem um a lhe perseguir até hoje. Ozzy Osbourne é mais conhecido, por muita gente, pelos king kongs que paga do que por sua música. Conheça abaixo quarenta exemplos de cagadas feitas por gente ligada ao universo pop que, entra ano e sai ano, ninguém esquece. Sem julgamento, sem crueldade porque, ora bolas, se você ainda não fez merda, um dia ainda vai fazer. Como esses caras aí embaixo.



METALLICA. No fim dos anos 90, a banda de heavy metal estava com sangue nos olhos e bolso coçando. Processou a loja virtual Amazon.com pela venda de um disco pirata, meteu o estilista Pierre Cardin na justiça por conta de um smoking Metallica e chegou para cima da grife de lingeries Victoria's Secret por causa do uso do "Metallica" no nome de numa série de batons (!). Mas é por causa do processo contra o Napster que o quarteto tem até hoje que responder a perguntas capciosas em entrevistas e adular os fãs com shows-surpresa e lançamentos exclusivos. No começo de 2000, o grupo descobriu que uma música nova chamada I disappear tocava em rádios, após ser baixada pelo site. Os quatro entraram numa brabíssima disputa judicial e ganharam fama de banda que processava os fãs - já que haviam feito um levantamento de nomes de usuários do Napster que downloadearam a canção. Fãs quebraram CDs, juraram ódio eterno aos ex-ídolos e o estrago feito na imagem do grupo determinou muitos dos passos do Metallica desde então.

JAMES HETFIELD. O vocalista do Metallica sempre caçou. Nos anos 90, chegou a afirmar que cortou o cordão umbilical de sua filha sem maiores traumas porque está "acostumado a ver sangue de animais". A dedicação ao (discutível) esporte só agora lhe trouxe dores de cabeça, devido ao vazamento da história de que ele narraria uma série do History Channel sobre a caça a ursos, The hunt ("A caçada"). Junto da notícia, uma foto sua portando um rifle, ao lado de um urso morto. Apesar de uma campanha na web com mais de 20 mil assinaturas pedindo que o Metallica fosse eliminado do line-up do festival britânico de Glastonbury, o grupo vai se apresentar e até lançou música nova, Lords of the summer - First pass vacation.

ROBERTO CARLOS. Movido exclusivamente por grana, Roberto mandou tirar de circulação o livro Roberto Carlos em detalhes, do jornalista Paulo César de Araújo. Obriga até hoje a Sony - dizem - a não reeditar seu primeiro álbum, Louco por você (1962) e, comenta-se, já teria tentado eliminar de sua discografia seu homônimo segundo disco, lançado no ano seguinte. Implicou com o livro Jovem guarda, moda, música e juventude, escrito por Maíra Zimmermann, e que nem é uma biografia sua - nesse caso, as tentativas para tirá-lo das livrarias foram infrutíferas. E quando você acha que ele já não pode fazer mais nada para estragar mais sua imagem, ele aparece na propaganda da Friboi ("Me chocou porque sempre vi o Roberto como um cara sensível à causa animal", me disse Paulo César).

ELVIS COSTELLO. A história cabulosíssima de que o cantor londrino teria soltado frases racistas sobre os cantores Ray Charles e James Brown numa festa o persegue até hoje. Em 1979, bebaço, conversando com Stephen Stills e Bonnie Bramlett, ele teria classificado Brown como "crioulo rebolativo" e Ray como "um crioulo ignorante e cego". Na época, convocou uma coletiva para se explicar. Afirmou que estava bêbado, que deveria ter ficado atento às palavras e concluído seu pensamento antes de ele vazar para a imprensa (por obras de Bonnie). Em 2013, entrevistado para a rádio Okayplayer, disse que "na minha juventude eu era arrogante. E achei que estava apenas sendo irônico. Quando falei isso, aconteceu uma verdadeira briga de bar".

DAVID CASSIDY. O pré-Justin Bieber. Símbolo sexual da sitcom americana The Partridge Family (no Brasil, Família Dó-Ré-Mi), Cassidy nunca se conformou com o sucesso pop numa série "familiar" que passava na TV. Iniciou uma carreira solo sob tons bem menos brandos e mais próximos do hard rock a partir de 1972. No mesmo ano, deu uma desastrada entrevista à Rolling Stone falando sobre experiências com drogas e sexo - um escândalo que o fez perder contratos e dar adeus ao sucesso como ídolo adolescente. Mas ele ainda conseguiria vários hits, como I write the songs. Em 2013, foi pego no bafômetro.

CARLINHOS BROWN: Talvez a caxirola - uma espécie de caxixi de plástico, criado pelo músico para ser o instrumento oficial da Copa de 2014 - irritasse bem menos que a vuvuzela. Mas depois que torcedores do Bahia, após uma derrota para o Vitória em abril do ano passado, atiraram em campo o instrumento (distribuído a todos numa espécie de "estreia oficial" da caxirola), deu merda. Apesar de contar com o entusiasmo da própria presidente Dilma Rousseff, o instrumento acabou inicialmente vetado nos estádios pelos quais passaria a competição, sob a alegação de que não era seguro. Hoje a caxirola está liberada e pode ser encontrada até nas lojas oficiais da Fifa, segundo nota liberada pela empresa fabricante. Mas o sonho da criação da "vuvuzela brasileira" decididamente não deu certo para o percussionista.

LATINO. O portal R7 fez recentemente um bom apanhado de situações do funkeiro na linha "passei dos limites". Ele já postou no Instagram uma foto sua de sunga, bebendo champanhe num iate. Já levou um tombo na frente de mais de 30 mil pessoas quando cantava o hit Renata ingrata. No começo da carreira, foi atacado por fãs em Belo Horizonte e saiu, digamos, meio rasgado. E não apenas na roupa. "O local estava muito cheio - onde cabiam duas mil pessoas tinham três mil. Na época eu usava calças de tactel. E na saída do show, uma menina com umas unhas bem grandes me pegou por trás. Hoje eu uso cueca, mas na época não usava. A menina segurou minha bunda e o segurança me puxou. Rasgou a calça e o saco juntos. Levei oito pontos", disse o cantor a Silvio Essinger no livro Batidão - Uma história do funk. Deve ter doído...

JOHN LENNON. Entre 1973 e 1974, Yoko Ono ficou de saco cheio de "ser odiada por estar com Lennon e de ele ser odiado por estar comigo", e das inconstâncias da personalidade do marido. Deu-lhe um temporário pé na bunda. Começava a chamada fase "lost weekend" do ex-beatle. Ao mesmo tempo que John reatava amizades (até com Paul McCartney, com quem chegou a encontrar-se em estúdio e a ameaçar um trabalho em dupla), entupia-se de drogas e álcool. Foi expulso do estúdio da gravadora A&M, junto com toda a equipe que fazia o disco que seria Rock n roll (1975), após alguém quebrar uma garrafa de bebida na mesa de som. E foi chutado do badalado clube Troubadour junto com o amigo Harry Nilsson após importunar repetidamente o número dos comediantes Smothers Brothers, que se apresentavam no palco.


MICK JAGGER. Como diz aquela velha canção dos Rolling Stones, "você não pode ter tudo o que você quer". Ainda mais se Mick Jagger estiver na arquibancada torcendo por você. O cantor ficou com fama de pé-frio no futebol após a Copa do Mundo de 2010, já que todas as seleções para as quais foi torcer in loco foram eliminadas. Inglaterra e Brasil foram sacadas da competição com Jagger vibrando no estádio, bem como os Estados Unidos - a cuja derrota para a seleção de Gana ele assistiu ao lado do ex-presidente americano Bill Clinton. Recentemente, declarou torcer para Portugal antes do jogo contra a Alemanha. Foi assistir ao jogo e, claro, a seleção lusa perdeu.

CAETANO VELOSO X MTV. Na história da relação do baiano com o canal há duas histórias de fazer ruborizar até os fãs mais fieis do cantor. Após repetidas falhas de som no VMB 2004, rolou o famoso piti "vergonha na cara, emetevê! Bota essa porra pra funcionar!". E para quem se recorda (não achei vídeos disso no YouTube) tem a entrevista de Caetano ao Gordo a go-go, de João Gordo, durante a qual o cantor diz orgulhar-se de ter trazido as guitarras para o Brasil, dá murros na mesa do apresentador e solta a pérola: "Se hoje existe Sepultura, agradeçam a mim!!".

U2 NO LIVE AID. Há controvérsias sobre a histórica apresentação da banda irlandesa no festival criado por Bob Geldof, em 1985. Foi inegavelmente o show que mostrou o U2 para o mundo, meses após a banda quase ter entrado no line-up do primeiro Rock In Rio (Roberto Medina disse ter desistido do U2 devido à indelicadeza de seus empresários). Para muitos fãs de primeira hora, foi uma aparição, digamos, sui generis do vocalista Bono Vox, com vários quilos a mais e um mullet já caindo de moda. Enquanto você decide, assista aí ao show.

SHABBA RANKS. Sucesso nos anos 90 com hits como Mr. Loverman, o jamaicano Rexton Rawlston Fernando Gordon (é seu nome verdadeiro) teve mais que um minuto de fama. Foi contratado pela poderosa Sony Music, vendeu muitos discos, levou a remotíssima cultura do raggamuffin para as paradas e deixou sua marca na trilha do blockbuster A Família Addams 2 com uma versão rap/reggae de Family affair, de Sly & The Family Stone, entre outros feitos de ouro. Sem dar bola para os novos tempos politicamente corretos e seguindo os preceitos de uma espécie de onda gangsta a surgir no reggae jamaicano, Ranks lançou algumas letras homofóbicas em seus discos. E queimou geral o filme com declarações como "homossexualismo é uma doença, é um procedimento maligno. Porque Deus Todo-Poderoso, Ele mesmo confessa, odeia homossexuais. Na Jamaica, se um cara assim é encontrado em nossa comunidade, a gente apedreja ele até matar". Shabba, vale dizer, anda sumido desde 1999 - em 2013 disse estar preparando um álbum novo.

NICO. Ao ser perguntada sobre o motivo de seu namoro com o judeu Lou Reed nunca ter engatado, a cantora alemã não mediu palavras: "Lou nunca gostou de verdade de mim por causa do que meu povo fez com o dele". A declaração bizarra da cantora repercutiria mal por vários anos, até que ela decidisse fazer algo pior: disse a um repórter da Melody Maker que não gostava de negros. O fato causou sua dispensa da gravadora Island, fundada na Jamaica e que tinha Bob Marley como top de linha. "Eles (Island) levaram para o lado pessoal, apesar de serem de uma raça diferente. Bob Marley não parece um negro, tem feições de gente branca. Eu não gosto das feições. Eles são como animais, canibais, não é?", teria falado ao jornalista Lester Bangs. Jesus...

BOB DYLAN. O cantor americano já está longe de ser um dos caras mais bem-humorados do mundo. Imagina após o que aconteceu com ele no Grammy 1998. Ao cantar (aparentando extrema má vontade) Love sick, teve o palco invadido por um sujeito chamado Michael Portnoy que, sem camisa e com o peito pintado com a expressão "soy bomb", começou a fazer uma coreografia das mais bizarras. Alguns músicos da banda de Bob até riram, mas o cantor não conseguiu esconder a raiva. O multitarefa Portnoy é compositor, músico (manteve bandas como XAR e Little Tapedecks), comediante, artista plástico, performer e poeta - o tal do "soy bomb" era uma espécie de micropoema de uma linha só. Mas roubar a cena no show de Dylan não o deixou tão mais famoso assim.

NIRVANA. "Tudo o que sobe, desce", já pregavam os Fevers no tema de abertura da novela global Elas por elas, em 1981. O baixista do Nirvana, Krist Novoselic, parece não ter ouvido a canção do veterano grupo carioca - ou pelo menos não ter estudado Física no colégio. No Vídeo Music Awards de 1992, durante a apresentação de seu grupo, resolveu incrementar seu número jogando o baixo para cima. O problema todo aconteceu na hora de aparar a queda do instrumento... (veja aqui).

BLAZE BAILEY. Presente no Iron Maiden entre 1994 e 1999, o vocalista britânico não foi muito bem aceito pelo público do grupo, por - afirmava-se - não alcançar no palco a mesma extensão vocal que conseguia no estúdio. Discute-se até hoje se Bailey foi tratado com injustiça ou não, mas a verdade é que não deu certo. Em 1996, durante o show de lançamento do álbum The X factor no Chile, Bailey (com a ajuda do líder-baixista Steve Harris) caiu na asneira de acertar contas com um fã que cuspia nele. "As imagens que vazaram no YouTube deixam tudo fora de contexto, porque na verdade eram seis fãs cuspindo na gente", disse Bailey.

RAUL SEIXAS. Em 12 de novembro de 1979, o Jornal da República publicava uma reportagem de Valério Meinel chamada O sangrento código do comércio de drogas. Numa época em que o assunto ainda era bem pouco investigado, a matéria falava sobre um universo de crimes que "nunca são desvendados pela polícia" e cuja repercussão "não ultrapassa o local onde fica a boca de fumo", ainda sob o signo do assassinato da atriz Claudia Lessin Rodrigues, dois anos antes. Um dos crimes abordados era a morte do traficante argentino Hugo Angel Amorrotu, que havia levado tiros após tentar bater em traficantes (José Orestes e os irmãos Paulo Cesar e Wilson, diz o texto) que lhe teriam levado uma carga de cocaína "batizada" com açúcar. Hugo era um dos caratecas argentinos contratados por ninguém menos que Raul Seixas para integrar sua equipe de seguranças, e o assassinato dele aconteceu justamente no apartamento em que o cantor morava na época, na Rua Assis Brasil, em Copacabana - o que já serviu para colocar o artista (então em baixa e lançando um disco fraco, Por quem os sinos dobram) nas capas de alguns jornais popularescos da época.

JIM MORRISON. Pouco antes de morrer, o chapado vocalista dos Doors foi procurado por uma espécie de ONG anti-drogas, Do It Now, que queria porque queria que o cantor gravasse um spot no estilo "just say no" para eles. Tanto quiseram, que conseguiram. Morrison topou e abriu a primeira tentativa de gravação com a frase : "Alô, seus babacas que estão ouvindo rádio em vez de fazer dever de casa. Aqui é o Jim Morrison", prosseguindo depois com pérolas como "alô, amigos, não tomem anfetaminas. Fumem maconha, pelo amor de Jesus Cristo" (você acompanha a história toda aqui). E o mico ficou mesmo é com a tal da Do It Now.

MC5. Banda-encrenca do rock americano dos anos 60/70, o MC5 - você deve saber - fez muito, mas muito barulho com seu disco de estreia, Kick out the jams (1969), que trazia a frase "kick out the jams, motherfuckers!" logo na abertura da faixa-título. A Hudson, maior cadeia de lojas de discos do estado de Michigan, recusou-se a vender o álbum. A resposta da banda foi publicar um anúncio num jornal alternativo de Detroit com a frase "Foda-se Hudson". O problema foi terem esquecido de avisar à sua gravadora, Elektra, que colocariam o nome da empresa no anúncio. Foram demitidos por telefone pelo próprio presidente da firma, Jac Holzman.

"HOLLYWOOD BABYLON". O cineasta maldito Kenneth Anger sabe, ou inventa que sabe, de mil micos e histórias estranhas dos artistas de Hollywood. Tanto que colocou todos os que conhecia (ou que supostamente conseguiu inventar) em seus livros Hollywood Babylon, cujos dois volumes saíram em 1959 e 1984. Anger pegou pesado em revelações, fictícias ou não: a atriz do cinema mudo Clara Bow teria feito sexo com todo o time da UFC, Rodolfo Valentino teria tido um caso com o ator mexicano Ramon Novarro... O cineasta diz também que Ramon, que foi assassinado, teria na verdade morrido engasgado com um pênis de borracha em formato art-déco. Muitos dos casos citados eram pura especulação. Kenneth promete há anos um terceiro volume, que, diz ele, trataria de atores como Tom Cruise e da brigada hollywoodiana que segue a Cientologia. E, de fato, chegou a sair um Hollywood Babylon vol. 3 nos anos 90, mas sem nenhuma participação do ocultista Anger - que prometeu jogar uma praga nos autores.

CHORÃO X CAMELO. Discute-se até hoje quem teria pago mico legítimo naquela briga em que o falecido vocalista do Charlie Brown Jr. deu um soco e uma cabeçada no ex-Los Hermanos Marcelo Camelo. A verdade é que quem tem noções mínimas de polidez e civilidade não sai socando outros por causa de opiniões ou recriminações. Mas Chorão (cujo caso foi considerado "culpa concorrente" pelo juiz que o julgou - dado o fato de Marcelo ter supostamente feito várias declarações desfavoráveis ao vocalista e à sua banda, todas clipadas) andou contando o seu lado da história (aqui e aqui). Sua versão envolve até desentendimentos anteriores com o barbudo. A versão de Camelo está aqui.

JIMI HENDRIX. No livro Are you experienced?, em que detalha sua história ao lado de Jimi Hendrix, o baixista Noel Redding recorda que o frontman do trio chamou Jesus de Genésio durante um show no Madison Square Garden, em Nova York, em janeiro de 1970. Tomou um ácido (que lhe foi dado em péssima hora pelo empresário e suposto vilão Mike Jeffery) e perdeu a linha em pleno show. Perguntou para uma garota na plateia se ela estava menstruada ("posso ver através de suas roupas", teria falado) e abandonou o palco logo na segunda música.

CHUCK BERRY. Nos anos 90, além de lenda do rock, Berry era dono de restaurantes nos Estados Unidos e vivia de forma razoavelmente tranquila. Só que continuava com hábitos nada recomendáveis. Um dia, obedecendo sabe-se lá a que instintos, decidiu instalar câmeras nos banheiros femininos de seus restaurantes. Foi descoberto, processado por mais de 60 clientes mulheres e perdeu mais de US$ 12 milhões nessa brincadeira. Em entrevistas, desculpou-se dizendo que não sabia de câmera nenhuma. Inocente...

RICK JAMES. Um dos inspiradores do batidão que gerou o funk carioca, o americano Rick já aprontava das suas antes da fama. Em 1966, montou um grupo que quase gravou para a Motown, Mynah Birds, e que tinha até Neil Young (o próprio) como guitarrista. Só que Rick era desertor da marinha e ninguém sabia disso - foi preso e o grupo precisou dar um tempo forçado. Em 1993, doidão de drogas, fez mais do que pagar micos. Cometeu dois crimes hediondos. Saindo com uma menina chamada Frances Alley, suspeitou que ela estivesse roubando suas drogas. Em represália, a estuprou por seis dias seguidos e a violentou com um cachimbo quente de crack. Logo em seguida, sequestrou a executiva do mundo da música Mary Sauger e a espancou durante 20 horas. James morreu em 2004 por causa de problemas pulmonares e cardíacos.

PHIL SPECTOR. O corte (oi?) de cabelo bizarro usado por Phil durante o julgamento por assassinato pelo qual passou na década passada (veja imagem aqui) já é, digamos, mico a dar com pau. Mas o hábito do produtor de praticamente torturar os músicos com os quais gravava (mantendo-os presos no estúdio em sessões que se estendiam por dias inteiros) e de apontar pistolas para os artistas que produzia (John Lennon e Ramones foram vítimas) colabora para que ele entre em qualquer lista de famosos com comportamentos bem esquisitos. Durante a gravação do controverso álbum de 1977 de Leonard Cohen, Death of a ladies' man, apontou uma besta (espécie de arma medieval) para o cantor. O crime de Cohen? Ir ao estúdio dar sugestões para a mixagem mesmo após Spector ter proibido sua presença por lá.

JERRY LEE LEWIS. Para os Estados Unidos de 1958, o casamento do rockstar Jerry, então com 22 anos, com sua prima de 13, Myra, foi mais que um grande mico. Foi um abuso quase criminoso, visto que o cantor e pianista foi parar na lista negra das rádios, levou boicote de todo o meio musical e teve uma turnê cancelada. Só em meados dos anos 60 ele foi recuperando a fama. Myra escreveu em sua biografia (transformada em 1989 no filme Great balls of fire) que sofreu muita violência doméstica quando casada com Lewis, inclusive na frente dos filhos do casal. Após o fim do casamento com Lewis, ela casou-se de novo e tornou-se corretora de imóveis.

CHICO BUARQUE. O cantor de Futuros amantes, Olhos nos olhos, Ela faz cinema e outros clássicos reveladores da alma feminina manteve uma postura igualmente reveladora quando pipocou na mídia a polêmica do grupo Procure Saber, que reunia uma porrada de artistas encabeçados pela empresária Paula Lavigne. Num bizarro artigo para o jornal O Globo, acusou o jornalista Paulo César de Araújo de não tê-lo entrevistado para a pesquisa que gerou o livro proibido Roberto Carlos em detalhes - coisa que Paulo desmentiria no dia seguinte com um vídeo da entrevista. Rolou também uma discussão a respeito de aspas pinçadas por Paulo de uma suposta entrevista que Chico teria/não teria dado nos anos 70 ao extinto jornal Última Hora - o assunto ocupa algumas páginas do livro O réu e o Rei. Seja como for, o ato de Chico repercutiu muito mal, até por seu passado de resistência à ditadura e pela maneira como o Procure Saber já vinha aparecendo nos jornais.

GILBERTO GIL. O cantor baiano tem um currículo artístico à prova de micos. Até o período em que se meteu com política, nos anos 80, visando à prefeitura de Salvador, costuma passar batido. Atender ao pedido da amiga Elis Regina para participar de uma suspeitísisma passeata contra a guitarra elétrica, em 1967 - e que na verdade era uma armação da então poderosa Rede Record para promover o programa Frente única da Música Popular Brasileira - talvez tenha sido o maior dos seus vexames, visto que seu disco de 1968, Gilberto Gil, traria guitarras em praticamente todas as músicas.

ELIS REGINA. "Por seus erros, por se descontrolar, por se desentender com os outros e consigo própria, Elis descobriu ao longo da vida o direito de mudar de ideia", diz a apresentação da biografia Furacão Elis, no próprio site da autora do livro, Regina Echeverria. Ocorridas numa era em que o posicionamento político era cobrado de maneira bem veemente e residia nos detalhes, essas mudanças de trajetória botaram a cantora em maus lençóis. Poucos anos após participar da passeata contra a guitarra elétrica, gravava até Beatles em Ela, de 1971. Em 1972, participou do show da Olimpíada do Exército (obrigada pelos militares, como sempre disse) e foi enterrada por Henfil no cemitério do personagem Cabôco Mamadô - ouviu cobranças por causa disso durante muito tempo. Hoje, fica a impressão de que o grande mico foi mesmo do clima de patrulhamento dos anos 70, e não de Elis.

GLENN DANZIG. Mauzão, fortão, tatuado e cascudo, o baixinho vocalista da banda de heavy metal Danzig passou por isso em 2004. Levou um baita soco do cantor do grupo de metal North Side Kings, Danny Marianino, após uma discussão de bastidores. Como havia uma câmera gravando toda a cena, Danzig decidiu não reagir, temendo processo. "Vários amigos meus perderam dinheiro com isso, dando porrada nos outros e sendo processados. Um amigo trabalhou com o Guns n Roses e disse que quando o Duff McKagan (ex-baixista) ia aos clubes, sempre teria um cara que o provocava, e que tinha um amigo com uma câmera. No dia seguinte, se ele reagisse, processo de um milhão de dólares a caminho", disse o baixote ao Blabbermouth. Marianino, por sua vez, recebeu milhares de e-mails odiosos de fãs do Danzig, além de muito cyberbullying. Tanto que decidiu publicar um livro sobre a experiência, Don't ever punch a rockstar - A collection of hate mail & other crazy rumours.

FRANK BLACK. Lançado em 2006, o DVD Loud quiet loud era um documentário sobre a turnê de "volta" da banda, dois anos antes. Com exceção do guitarrista Joey Santiago, que se mantinha sereno, todo mundo do quarteto teve seu momento de piração. A baixista Kim Deal precisava ser cuidada pelos pais e pela irmã gêmea para não sucumbir ao álcool e às drogas. O baterista David Lovering (que, antes da volta da banda, sustentava-se com shows de mágica e catação de objetos de metal na praia) começou a se entupir de remédios legais no meio da tour. O mico (voluntário) ficou com o líder Black Francis/Frank Black, que deixou-se filmar em situações nada gloriosas: demonstrando extrema má vontade para acertar detalhes do novo disco solo com um produtor, fazendo uma bateria de entrevistas por telefone na cama do hotel usando apenas cuecas, repetindo frases de auto-ajuda antes de dormir no ônibus de excursão, virando a cara para não cumprimentar fãs, etc.

TIM MAIA. A infância e adolescência passadas na "universidade das ruas" da Tijuca pode até ter dado vivência ao cantor, que disse ter aprendido cedo tudo sobre "roubos, drogas, seringas" e ser diplomado em "dor de corno e sofrências". Pessoas que conheceram o Tim pré-fama dizem que o futuro astro do soul e da MPB costumava ser acometido de medos bem estranhos - amigos costumavam fingir que iam se atirar do trem ou cortar o pescoço com uma faca só para pôr medo no cagão Tim Maia. No livro Noites tropicais, de Nelson Motta, o artista aparece recusando-se a subir no bondinho para um show no Morro da Urca ("só entro nessa porra com anestesia geral", disse). Em Vale tudo, bio do cantor também assinada por Nelson, Tim obriga um motorista que vai pegá-lo em casa para um compromisso a não passar dos 40 km por hora. Bem...

KISS. Muitos fãs do grupo americano hão de concordar: a fase em que o quarteto passou a se apresentar sem máscara, em busca de maior reconhecimento de seu som e do peso de suas músicas, foi um baita vexame. O primeiro show da turnê de cara limpa foi, ora pois, em Portugal, em outubro de 1983, quando lançavam o disco Lick it up. Isso durou até 1996, quando voltaram com o line-up dos bons tempos, as roupas de couro (igualmente abandonadas na nova fase) e as maquiagens. De cara limpa, brotaram hits esparsos e álbuns meio mais ou menos, como Crazy nights (1988) e Hot in the shade (1989, do hit Forever).

PLAYBACK. O recurso é usado largamente em grande apresentações de alguns anos para cá: Madonna, Chris Brown, Britney Spears, Shakira e Katy Perry já foram flagrados lutando para sincronizar os movimentos labiais com as vozes que rolavam no fundo - com resultados que vão do desastroso ao engraçadíssimo. No universo do rock, os Red Hot Chili Peppers levaram pedradas de fãs e não-fãs quando confessaram que apenas os vocais de Anthony Kiedis não eram dublados no show da banda no SuperBowl, em fevereiro. "A NFL (Liga de Futebol Americano) não queria ter um som ruim, isso não estava em discussão", argumentou o baixista Flea, por escrito. No mundo do rap, uma falha técnica deixou 50 Cent sem palavras (e sem ação) durante seu show no BET Awards, em 2007.

DINHO OURO-PRETO. Reconhecido pelo próprio cantor, o show do Capital Inicial no último Rock In Rio foi um baita mico. Abusando do "cara" e do "véio" que usa a toda hora, tropeçou num discurso contra o deputado Natan Donadon - julgado pela câmara, mas com mandato mantido - e ainda pôs um nariz de palhaço. "Pelo nervosismo, pensei: 'Putz, isso começou errado. Não devia nem ter começado. Devia ter dito outra coisa'", disse ao UOL. Bom, discursos estranhos no Superstar e notas boas dadas a bandas horrorosas à parte...

BJORK. "Bem vinda a Bangkok". Bastou ouvir essa frase para a cantora islandesa atacar a repórter de TV Julie Kaufman, que a esperava no aeroporto da capital da Tailândia. Pulou em cima da jornalista, puxando seus cabelos e rasgando sua roupa. Bjork, visivelmente estressada na ocasião (e acompanhada pelo filho), pediu desculpas por seu comportamento mas alegou estar "sendo perseguida" pela jornalista há quatro dias. Em 2008 atacou o fotógrafo Glenn Jeffrey, do New Zealand Herald e rasgou sua camisa, quando ele a clicava após sua chegada no aeroporto de Auckland, Nova Zelândia.

ELVIS PRESLEY. O rei do rock não se considerava um junkie - todas as drogas que usava eram legais e conseguidas com prescrição médica (de procedência para lá de duvidosa). Mas sete anos antes desses mesmos medicamentos lhe tirarem a vida, ele se ofereceu para ajudar na luta anti-drogas do governo Nixon, e, como é público e notório, encontrou-se com o presidente. Mais: disse também que poderia "influenciar o movimento hippie a deixar as drogas". Mais ainda: memorandos da época documentam que Presley afirmou durante o encontro que "os Beatles eram uma força antiamericana. Vieram a este país, ganharam dinheiro e voltaram para a Inglaterra promovendo um tema antiamericano" (as drogas e a contracultura, satanizadas pelo governo Nixon). Lançado em 1997, o filme Elvis meets Nixon, de Allan Arkush, trata disso.

YOU TUBE. Aparentemente o portal está em vias de cometer um mico fenomenal e histórico com a possível exclusão de gravadoras independentes caso elas não aceitem as condições do novo serviço de streaming da empresa. Além disso, boa parte das grandes gravadoras e emissoras de TV já vêm tirando vídeos do ar e deixando mais pobre o que era para ser um espaço livre.

LEGIÃO URBANA. De acordo com uma pesquisa feita pelo Fantástico após a matéria a respeito da briga entre a dupla Dado-Bonfá e o herdeiro de Renato Russo, seu filho Giuliano Manfredini, 97% dos telespectadores dão razão aos ex-companheiros de Renato na disputa por direitos envolvendo o nome Legião Urbana. Quem está certo, discute-se na justiça. Mas é um grande mico existir um site da banda sem que haja participação dos ex-integrantes - com a vida dos dois sendo contada lá. E, enquanto isso, Por enquanto surge na propaganda da cerveja Brahma, vexame maior ainda em se tratando de um grupo cujo líder já deu esporro em dois músicos que puxavam palmas da plateia, berrando que "essa é uma banda séria, não admito isso!".

OZZY OSBOURNE. Doidão milenar e homem à prova de constrangimentos (é só dar uma lida rápida na autobiografia Eu sou Ozzy para ter certeza disso), o ex-atual-Black Sabbath cometeu um crime em 1988 que quase o fez incinerar a própria carreira, de forma bastante séria. Ozzy tentou estrangular sua mulher Sharon Osbourne. "Ele foi para a cama. Eu estava descendo as escadas. Ele desceu de pijama, sentou-se bem à minha frente e disse: ‘Chegamos a uma conclusão’", relatou a empresária. "Eu fiquei bem sarcástica e disse: ‘É mesmo? Que decisão é essa?’ e ele disse: ‘Sinto muito, mas achamos que você tem que morrer. Não há outra opção’. Eu o mandei calar a boca e ele pulou sobre mim, agarrou meu pescoço”. Sharon apertou um botão para chamar a polícia. Ozzy escapou e foi preso alguns dias depois, fora de órbita - ao acordar na prisão, não fazia a menor ideia do que havia feito para estar lá. Foi perdoado e teve sua queixa retirada pela mulher, com quem está até hoje.

TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

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