quinta-feira, 7 de agosto de 2014

LIAH

Um papo muito animado com a cantora e compositora paraense Liah Soares, que lançou EP no Teatro Rival ontem, cheio de histórias legais.

O SOM DE LIAH
Cantora lança EP no Rival, prepara DVD e recorda tempos difíceis em São Paulo: "Cheguei a passar fome"
Publicado em O Dia em 6 de agosto de 2014

Uma das diversões de Liah Soares é pular corda. E acredite: a gatíssima cantora e compositora paraense de 34 anos, que faz show hoje no Teatro Rival lançando o EP digital O som é o sol, cuida do corpo fazendo apenas isso. “Descobri que sou ótima na corda e pulo todo dia. Boto fone de ouvido e fico pulando. Eu não malho, só trato da alimentação. Mas quando der um mês antes de gravar meu primeiro DVD, em outubro, vou começar para ficar em forma”, brinca ela.

Liah gravou seu primeiro CD em 2003 e passou a frequentar as rádios com canções gravadas por nomes como Angélica, Wanessa, Rick & Renner, Tânia Mara, Sandy & Junior. Ou até por ela própria. Ivete Sangalo cravou um hit recente com uma música sua, Beijo de hortelã, no DVD Multishow ao vivo: 20 anos. Quem acompanhou Em família, última trama das 21h da Globo, ouviu a voz de Liah embalando o romance de Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes), com a açucarada Você por perto, que está no EP novo. Já Desperdiçou, gravada por Sandy & Junior e seu primeiro grande sucesso como autora, fez dez anos em 2013.

“Jura? Tudo isso?”, assusta­-se Liah, rindo e lembrando de quando Angélica foi a primeira a gravar uma música sua, Fotos no espelho, em 2001.

“Recebi um adiantamento enorme de direitos autorais e paguei logo um ano de aluguel. Só que esqueci de comprar outras coisas importantes, como comida”, brinca. Eram tempos de ingenuidade. “Quando fui receber o dinheiro, falei na editora musical: ‘Nossa, como a Angélica é generosa, agradece a ela para mim!’. Eu só fui encontrar a Angélica pessoalmente anos depois, quando fui ao programa Estrelas. Contei essa história e ela morreu de rir”.

Pouco antes, em 1999, Liah tinha se mudado do Pará para São Paulo, para vencer na vida como compositora. “Cheguei a desmaiar de fome na rua. Eu cantava num bar e fazia só uma refeição lá, porque não tinha dinheiro para jantar. Meu pai me deixou viajar, mas me deu seis meses para gravar um disco e fazer sucesso. E eu nem podia confessar que estava com problemas, ou ele ia lá me pegar”, brinca. “Quando a Angélica gravou minha música, eu já estava com as malas prontas, indo para a rodoviária”.

Novidades não faltam na vida da cantora paraense, que mora no Rio desde 2006 e desconversa quando é perguntada sobre sua vida amorosa (“ah, sempre tem essas perguntas, né?”, graceja). O tal DVD que ela anuncia vai ser gravado em Belém no Teatro da Paz (“o mais antigo do Brasil”, lembra) e vai colocar metais, toques latinos e regionais no seu som pop. “Eu adoro guitarrada e até o Pinduca (lendário guitarrista paraense) vai estar no DVD. O paraense é muito ligado à latinidade. Desperdiçou era um som meio latino, Sandy & Junior é que deram aquela cara pop”, anuncia.

O EP marca uma nova parceria, com o escritor Guilherme Fiuza (de Meu nome não é Johnny). “Conheci o Guilherme quando fiz um show numa feira do livro. Ele é músico, tem uma banda que toca Beatles, e disse: ‘Poxa, nunca consegui compor’. Aí resolvi desafiá­lo: mandei a melodia de O som é o sol e pedi para ele fazer a letra”, conta Liah. Fiuza fez o dever de casa e... também desafiou Liah. Eu e ela, que está no EP, foi feita para o monólogo Ela e eu que Fiuza acaba de escrever para a atriz Maria Clara Gueiros, e que mostra o encontro bizarro entre uma mulher e uma barata.

No show de hoje, Liah apresenta sua carreira em blocos. Canta músicas de seus CDs, canções que fizeram sucesso em vozes conhecidas (como a própria Desperdiçou), recebe o cantor Emmerson Nogueira para um pot-pourri de clássicos dos Beatles. E relê músicas como Get lucky (Daft Punk) e Comme d’habitude (Claude François). A cantora participou do programa musical The voice, no ano passado, a convite de um dos produtores, e diz ter se descoberto como intérprete lá. “Até me falaram para cantar coisas minhas, mas nem quis. Acho que foi a primeira vez que apareci na TV sem estar com um instrumento musical na mão”, conta.
A FILHA DO SEU ANTÔNIO Liah é a popstar da família, mas garente: o pai Antônio é quem merece o posto. "Se ele for no Jô Soares, vai ficar uns três blocos contando histórias", calcula. O pai foi o responsável por fazer a filha gostar de ler e escrever. "Ele me trazia livrinhos de poesia de cordel e me pedia para ler para ele. Eu falava: 'Mas pai, não era o senhor quem devia ler para mim?' Anos depois, descobri que ele era analfabeto. Meu pai trabalhava numa venda e havia o hábito de as pessoas comprarem fiado e pedirem para anotar. Ele não anotava porque não sabia escrever, mas guardava tudo na memória". O pai também "escolheu" a data de nascimento e o signo. "Ele era órfão, aí um tio dele do Maranhão disse que ele havia nascido em 1944, entre fevereiro e outubro", diz, rindo. "A gente comemora dia 13 de junho, porque é o dis de Santo Antônio. Quem nasce em junho é de Gêmeos, mas ninguém tira da cabeça dele que ele é do signo de Touro!"

Nenhum comentário:

Postar um comentário