segunda-feira, 11 de agosto de 2014

VISÕES PERIFÉRICAS 2014

Um papo com Marcio Blanco sobre a edição 2014 do festival Visões Periféricas. Saiu ontem em O Dia.

VISÕES PERIFÉRICAS COM FILMES E DEBATES ONLINE
Oitava edição do festival, que abre na terça-feira, ganha caráter interativo, exibição em tempo real e ganha pela primeira vez uma seleção de longas
Publicado em O Dia em 09/08/2014

Identificado com a cultura das favelas e das periferias cariocas, o festival de cinema Visões Periféricas chega nesta terça à sua oitava edição transformando-se num evento nacional. Pela primeira vez, mostras competitivas e debates serão exibidos em tempo real, com a possibilidade de muita interação pelo Twitter. Tudo pode ser acompanhado pelo portal www.visoesperifericas.org.br. As exibições e bate-papos são no Oi Futuro de Ipanema. 

“Agora qualquer pessoa do Brasil pode conhecer o festival”, conta o coordenador Marcio Blanco. “Queremos trazer um olhar diferente sobre as periferias, e elas são muitas. Essa comunicação com outros estados ajuda na construção de uma imagem do Brasil. E no resgate da memória afetiva do morador da periferia.” 

A festa ganha abertura com um dos filmes que, recentemente, levou o imaginário da favela a correr mundo: Acalanto, curta do maranhense Arturo Saboya. Indicado ao Festival de Cannes em 2013 e vencedor de Gramado no mesmo ano, ele traz no elenco a homenageada da nova edição do evento, a atriz Léa Garcia. 

Outra novidade é que em meio às mostras de curtas, como Visorama (de estudantes de projetos de formação audiovisual) e Fronteiras Imaginárias (de realizadores independentes), pela primeira vez o Visões Periféricas traz uma seleção de longas. Um deles, Remoção, de Luiz Antonio Pilar e Anderson Quack, lembra o processo de remoção de favelas da Zona Sul do Rio nas décadas de 60 e 70. A exibição é no Centro Cultural Justiça Federal na sexta, às 19h. 

“Esse filme fala de antigas favelas como o Parque Proletário da Gávea e o Morro da Catacumba”, conta Blanco. Um tema que sempre retorna — comunidades como a do Morro da Providência constantemente sofrem com intervenções que deslocam moradores. “A memória dessas pessoas está impregnada do afeto pelo espaço em que vivem. A memória afetiva não é construída por historiadores, mas por quem vive nesses lugares.” 

Como em outras edições, o Visões Periféricas tem programação nas comunidades do Alemão, Borel e Cantagalo e em sete cineclubes espalhados pelo Rio de Janeiro. A premiação da mostra competitiva acontece no Oi Futuro de Ipanema, no próximo domingo, às 17h. Após o cortejo do grupo Tambores de Olokun, os filmes vencedores serão exibidos na Praça General Osório, às 20h30, num telão.

LÉA GARCIA NO VISÕES 2014 "A Léa Gracia sempre lutou para que o ator negro tivesse seu espaço reconhecido e sempre teve muita consciência do papel dela. Mas independentemente de ser uma atriz negra, ela é uma grande atriz", diz Blanco, sobre a homenageada do Visões Periféricas em 2014. Aos 84 anos, Léa Garcia iniciou-se no cinema trabalhando justamente em Orfeu negro, clássico franco-brasileiro de 1959 dirigido por Marcel Camus. Participou de mais de 50 produções, entre filmes, minisséries e novelas. "É fundamental fazermos essa homenagem a ela, pelo conjunto da sua obra e pela sua postura como atriz. Ela pode fazer várias outras denúncias a partir do seu trabalho", acredita Blanco.

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