quarta-feira, 10 de setembro de 2014

FERNANDA MONTENEGRO E A MANGUEIRA

Papo rápido com a simpaticíssima Fernanda Montenegro e com o baluarte do samba Nelson Sargento publicado hoje em O Dia. Os dois subiram ao palco da Cidade das Artes juntos ontem e repetem a façanha logo mais.


SAMBA DECLAMADO PELA GRANDE DAMA
Projeto Inusitado reúne Fernanda Montenegro e a Mangueira
Publicado em O Dia em 10/09/2014

Fernanda Montenegro tem samba no pé. E paixão pela escola Verde e Rosa. “Como é que uma carioca como eu, que viveu no subúrbio até os 17 anos, não vai gostar de samba? E da Mangueira?”, brinca a dama do teatro brasileiro, que participa hoje do projeto Inusitado, na Cidade das Artes, num encontro com baluartes da Estação Primeira de Mangueira. 

O bamba Nelson Sargento, presidente de honra da agremiação, acompanha a atriz num repertório cheio de clássicos, como Folhas secas (de Nelson Cavaquinho), Corra e olhe o céu (de Cartola) e Agoniza, mas não morre (dele próprio), ao lado de vários outros integrantes da Velha Guarda. É a segunda e última noite do show.

A atriz vai recitar as letras. “O show vai trazer a Mangueira declamada em poesia”, conta o cicerone Nelson Sargento, admirador de Fernandona. “Ela é uma grande atriz e uma pessoa maravilhosa. Tinham que fazer uma estátua para ela na Mangueira!”, brinca. 

A diva do teatro já havia feito show parecido no Teatro Fernando Torres com a turma da Portela, declamando letras de antigos sambas da Azul e Branca. “Tanto a Mangueira como a Portela são representativas de uma cultura popular belíssima”, diz, antes de se corrigir. “Aliás, nem gosto desse termo, porque, quando se fala em ‘cultura popular’ supõe-se que exista uma ‘cultura impopular’, né? E os versos de Cartola são de uma inspiração comparável a Carlos Drummond de Andrade, a Manoel Bandeira.”

Fernanda seria a homenageada da Unidos de Viradouro em 2015. Mas a escola desistiu, ao saber que a atriz não poderia ir ao desfile. “Não vai dar. Começo a gravar em janeiro a nova novela do Gilberto Braga, Babilônia”, explica.

Ela conheceu a Cidade das Artes logo na sua abertura para o público, quando foi lá assistir ao monólogo de Marco Nanini, A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento. “Eu acho que o tamanho dela mete medo na população em volta”, brinca. “Mas a gente tem que tomar conta do espaço, e tem que fazer valer a altura do investimento.”

O Inusitado já está em seu quinto show e trouxe anteriormente apresentações de Frejat, Paula Toller, Blitz e de uma superbanda de rock brasileiro montada pelo diretor de cinema Andrucha Waddington — que, por sinal, é genro de Fernanda.

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