quinta-feira, 18 de setembro de 2014

QUARENTA DISCOS DE 1984

De 1994 todo mundo já falou.

De 1974, acredito que também - eu mesmo já falei duas vezes, em duas listas diferentes (aqui e aqui).

E 1984? O que teve de bom? Vamos lá?

"THE SMITHS" - THE SMITHS (Rough Trade). A estreia do grupo de Manchester causa polêmica entre fãs até hoje - muitos preferem as BBC Sessions do quarteto, da mesma época. Bobagem diante de canções maravilhosas como Reel around the fountain, What diference does it make?Hand in glove e outras. Gerou também um disco-fantasma, vindo das primeiras produções (depois descartadas) da banda com Troy Tate - e que pode ser ouvido em versões piratas ou aqui.

"OCEAN RAIN" - ECHO & THE BUNNYMEN (Korova). Ian McCulloch, vocalista do grupo de Liverpool, não é um dos sujeitos mais humildes da classe artística - tanto que já afirmou que esse álbum, produzido por eles e por Gil Norton (que anos depois comandaria discos dos Pixies e dos Foo Fighters), era o "melhor disco já feito". Se não é o melhor, está entre eles, e conseguiu sucesso equivalente à dedicação do quarteto. É o álbum de The killing moon, e ainda tem Seven seasSilverMy kingdom e outras belezas.

"KNIFE" - AZTEC CAMERA (Sire). Aquilo que hoje em dia todo fã de Ed Motta já conhece, o tal do AOR ("adult oriented rock", ou "radio"). Mas que em 1984 era só música para todo mundo ouvir e gostar, com  os pés no soul e no rock, sem deixar de lado a nostalgia pelo pop dos anos 60. O grupo, praticamente levado nas costas pelo inglês Roddy Frame, tornou-se conhecido mais pela releitura acústica de Jump, do Van Halen - mas aqui é "apenas" a banda de Still on fireJust like the USA, The backdoor to heaven The birth of the true.

"O PASSO DO LUI" - OS PARALAMAS DO SUCESSO (EMI-Odeon). Selvagem? foi o disco que redefiniu a obra do trio carioca. Mas o segundo álbum do grupo de Herbert, Bi e Barone é o que você vai querer ouvir na hora de recordar os anos 80 ao som de canções memoráveis. E é o disco que verdadeiramente traz lembranças juvenis a quem tinha entre 10 e 20 anos em 1984 - ÓculosMe ligaRomance idealAssaltaram a gramática, está tudo lá.



"TITÃS" - TITÃS (WEA). Não é um disco ruim, como os próprios integrantes da banda já fizeram muita gente acreditar. Não é um discão como o Cabeça dinossauro (1986) mas, que surpresa, parece até bem mais moderninho que o punk dez anos atrasado do terceiro disco. A estreia do (então) octeto paulistano une rock, punk, brega, new wave, guitarras entre jovem guarda, calipso e Mark Knopfler (sim, parece Chimbinha) e tem canções de emocionar, como a oração pop Sonífera ilhaToda corDemais e Querem meu sangue.

"SEU ESPIÃO" - KID ABELHA (Warner). Liminha, Herbert Vianna e Lulu Santos (com guitarra e voz audíveis na faixa-título) deram lá seus auxílios, ok. Mas o Kid Abelha - ainda com Leoni - vinha com uma leva de canções tão perfeita que seu primeiro álbum virou quase uma coletânea. É o disco de Fixação, Como eu quero, Por que não eu?, e do rock adolescente-adulto de Nada tanto assim e Hoje eu não vou.

"RAÇA HUMANA" - GILBERTO GIL (Warner). O mais próximo que Gil chegou de ter "uma fase new wave" (digamos), mas sem largar a mescla de ritmos brasileiros e rock que o consagrou. É o álbum que tem Tempo rei, Pessoa nefasta, Rock do segurança, o funk A mão da limpeza (talvez a melhor música sobre preconceito racial composta no Brasil). Ritchie, que começava a entrar na geladeira da CBS (hoje Sony), ganha dedicatória no encarte e faz vocais petergabriélicos em Tempo rei.

"FOREVER YOUNG" - ALPHAVILLE (Atlantic). Longevidade não é posto: o grupo alemão de rock e synthpop Alphaville formou-se em 1982 e existe até hoje. Mesmo assim, todo mundo só se recorda mesmo é do seu primeiro álbum e da faixa-título - de todo jeito, uma das músicas mais emotivas já construídas em cima de riffs gélidos de teclados. O álbum ainda teve outros singles muito bacanas, como Sounds like a melody e (The) Jet set. Quem lembra?


"POWERSLAVE" - IRON MAIDEN (EMI). Quinto disco do grupo londrino e a consagração de Bruce Dickinson como cantor e homem-de-cena do Iron. Só clássicos, como a faixa-título, Aces high, Flash of the blade (em que o personagem central era "São Jorge ou Davi e sempre matava a besta") e a quilométrica Rime of the ancient mariner. E, só para completar, foi o disco que o trouxe o grupo ao Brasil pela primeira vez, no Rock In Rio original.

"WELCOME TO THE PLEASUREDOME" - FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD (ZTT/Island). Você mal deve lembrar, mas esse grupo moderninho dos anos 80 veio de Liverpool, originado de uma certa cena punk que havia lá. De Relax, Two tribes e Power of love, claro, você lembra - tocam até hoje em festas por aí. Todas estão nesse corajoso álbum duplo de estreia.

"RONALDO FOI PRA GUERRA" - LOBÃO & OS RONALDOS (RCA). O retrato de uma época em Corações psicodélicos, Rio do delírio, Ronaldo foi pra guerra e Tô a à toa Tókio, logo após Lobão ter sido colocado e retirado da geladeira pela gravadora - e realizado seu alegado sonho de fazer parte de uma banda. Psicodélico demais para ser "só" rock dos anos 80 e new wave.

"RECKONING" - R.E.M. (I.R.S.). O grupo americano já começava a chamar a atenção a ponto de a gravadora I.R.S. mandar recados para o estúdio avisando que queria um segundo álbum mais "comercial". Antes que algum executivo do selo resolvesse aparecer de surpresa no estúdio, o quarteto decidiu acabar o álbum em tempo recorde. Com músicas como 7 chinese bros e o hit So. Central Rain (I'm sorry) a banda passava no teste do segundo disco.


"THE UNFORGETTABLE FIRE" - U2 (Island). Produzido por Brian Eno, o U2 vinha com disposição para experimentações de estúdio e sonoridades que todo mundo define como "etéreas" e "atmosféricas", em meio a sessões de gravação no quartel-general da chamada new age music, o Windmill Lane Studios, na Irlanda. Tem Pride (In the name of love), Bad e A sort of homecoming.

"AT WAR WITH SATAN" - VENOM (Combat). Você vai se amedrontar com os vinte minutos da faixa título, que conta a história de uma secular batalha entre o céu e o inferno (obviamente vencida pelo lado negro da força). Vai bater cabeça com músicas como Genocide e Cry wolf e dar risada da última música do álbum, a autoexplicativa Aaaaaarrghh. A tentativa do Venom de passar um verniz sério e conceitual em seu black metal fez até a imprensa fora do eixo metálico se interessar pela banda, e lhes abriu novos horizontes. Ouça levando a sério ou não.

"MAIOR ABANDONADO" - BARÃO VERMELHO (Opus Columbia). O rock brasileiro não estava tão atrasado assim. O Barão Vermelho se deixava influenciar pelos veteranos Rolling Stones - mas eram os Stones dos anos 80, mais antenados e coloridos, mesclados ainda com a batida meio reta, meio suingada do The Police. Maior abandonado, a música, tinha o riff fodão que o rock brasileiro necessitava há anos. E rolava o mesmo clima em outras músicas indispensáveis, como Baby suporte, Por que a gente é assim? e Bete balanço.

"VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA" - VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA (Baratos Afins). Um dos primeiros passos do supergrupo formado por vários nomões do rock paulistano (gente como Thomas Pappon, futuro Fellini, e Nasi, futuro Ira!) foi desistir completamente de lançar seu primeiro álbum por uma gravadora. Entre mortos e feridos, gravaram as oito faixas sem perspectiva de lançá-las, até que a loja paulista Baratos Afins decidiu colocar a mescla de punk, pós-punk, socialismo e ironia destrutiva (tem uma música chamada Nazi über alles) do grupo à venda.

"CADÁVER PEGA FOGO DURANTE O VELÓRIO" - FERNANDO PELLON E CONVIDADOS (Vento de Raio). Cercado de amigos como Paulinho Lêmos, Sinval Silva, Cristina Buarque e Rafael Rabello, o compositor e cantor Fernando - hoje geólogo da Petrobras - adiantou a podreira musical de Rogério Skylab em vários anos. E num disco de samba tradicional, preso na censura por um ano e que fala de câncer (Porta afora), suicídio (Com todas as letras), morte nas esquinas (Carne no jantar), dores de amores (Tal como Nazareth), encerrando com um samba-enredo fúnebre (Flores de plástico ao amanhecer). Se você não conhece, conheça já.

"RIDE THE LIGHTINING" - METALLICA (Megaforce). O baterista Lars Ulrich mata dois coelhos com uma só cajadada e sugere ao grupo gravar o segundo álbum na sua terra, a Dinamarca - onde encontrariam estúdios baratos e ele poderia visitar parentes. Foi de lá que saíram clássicos do thrash metal como For whom the bells tolls, Fight fire with fire, Creeping death e belezas como The call of Kthulu e Fade to black.

"METRÔ LINHA 743" - RAUL SEIXAS (Som Livre). Reposicionado no mercado após os dois episódios do infantil Plunct, plact, zuuum, Raul voltou pela gravadora das Organizações Globo com um LP predominantemente acústico, alguns candidatos a hit (a faixa-título, Meu piano, Mas I love you), duas regravações sem graça (Eu sou egoísta e O trem das sete) e, na despedida da ditadura militar, uma gozação antimilitarista, Mamãe eu não queria, imediatamente censurada. Deu errado a ponto de muitos fãs de Raul nem saberem que esse disco existe. E Raul, então em alegado rehab, voltou a beber.

"1984" - VAN HALEN (Warner). O fim de uma era: após conseguir suas maiores vendagens com 1984, o Van Halen ficaria bastante ferido. David Lee Roth saiu do grupo para trilhar uma carreira de cantor de rock farofa que deu meio certo (ok, o cara pôs Steve Vai na mídia e ainda gravou uma versão bacaninha de California girls, dos Beach Boys) e uma trilha paralela de ator definitivamente cagada. Com músicas como Panama, Jump e Hot for teacher, é o disco que muitos fãs de ocasião têm em casa. Hoje David, você deve saber, está de volta ao grupo.


"NEW SENSATIONS" - LOU REED (RCA). A Rolling Stone chegou a dizer que se tratava do melhor disco em que Lou Reed se envolvia desde Loaded (1970), do Velvet Underground. A imagem da capa, com Lou brincando de videogame, demonstra um clima bem mais arejado que o de álbuns anteriores. E só por ter I love you Susanne, é mesmo - mas tem a marginália de My friend George e a gozação de (bom, talvez aquela capa com ele brincando de videogame não seja tão inocente assim...) My red joystick.

"WORD OF MOUTH" - KINKS (Arista). Praticamente uma exclusividade do rock inglês desde os anos 60 (uma briga violenta no palco, durante a primeira turnê americana da banda, os baniu dos Estados Unidos por alguns anos), os Kinks ainda viviam um período de grande sucesso nos primeiros 80. Em Word of mouth, conseguiram um de seus maiores hitsb da época, Do it again, que virou até nome de um filme sobre a banda em 2010.

"BORN IN THE USA" - BRUCE SPRINGSTEEN (CBS). Apenas uma ilusão de ótica: você que só prestou atenção em Bruce após o single-clipe coletivo We are the world, pensa que esse álbum saiu em 1985. Saiu em 4 de junho do ano anterior, após passar por mais de dois anos de elaboração em estúdios e mil discussões entre Springsteen e seu empresário Jon Landau, que queria um single vendedor para o disco. E antes mesmo da faixa-título alcançar as paradas, a vez foi de Dancing in the dark, que esteve até em trilha de novela no Brasil (Amor com amor se paga, Globo, 1984).


"IN THE SIGN OF EVIL" - SODOM (Devil's Game). A primeira onda de black metal tinha, entre outros, os ingleses do Venom e os alemães do Sodom - que depois se tornaram uma banda popular e cheia de influências do punk, e existem até hoje. No começo, falavam de ocultismo e guerra, em músicas como Outbreak of evil, Sepulchral voice e Burst command til war.

"THE TOP" - THE CURE  (Fiction). Quase um disco solo do líder Robert Smith, feito após uma briga física com o baixista Simon Gallup, que sairia do grupo. Tocando praticamente tudo, Smith conduziu a banda para um lado mais psicodélico, bem diferente até do que o Cure faria depois, em discos como The head on the door (1985). O hit foi The caterpillar.

"LEGEND: THE BEST OF" - BOB MARLEY AND THE WAILERS (Island). O primeiro grande best-of do cantor lançado após sua morte vendeu horrores e fez o reggae renascer mundialmente. O portal de curiosidades pop Dangerous Minds acusa o disco de mostrar um Bob Marley "reembalado para brancos, sem o seu lado militante". Nem tanto: No woman no cry, Get up stand up e Buffalo soldier estão lá e não são exatamente canções açucaradas e alienadas. Mas enfim, é um álbum mais pródigo em clássicos pop, de Could you be loved a Is this love.


"TUDO AZUL" - LULU SANTOS (Warner). O melhor disco de Lulu na primeira fase da sua carreira. Não teve grandes vendagens, mas imortalizou a faixa-título, Tão bem, O último romântico e Lua de mel. O melhor lado B da história do cantor-guitarrista, Ano novo lunar, também está aí. No ano seguinte, viria a asfixia de Normal (1985) e uma outra fase, com Lulu (1987), de grandes vendagens e ainda mais hits.

"CRUCIFICADOS PELO SISTEMA" - RATOS DE PORÃO (Punk Rock). Os RxDxPx foram a primeira banda punk da América Latina a gravar um LP inteiro seu. Crucificados, estreia do grupo (João Gordo, vocal; Mingau, que hoje está no Ultraje A Rigor, na guitarra; Jabá no baixo; Jão, bateria), saiu sem tanto alarde assim. Brigas entre punks de São Paulo e do ABC paulista acabaram fazendo com que o álbum sequer tivesse show de lançamento. Hoje é um clássico, com direito a regravação do grupo anos depois, com outra formação (Sistemados pelo crucifa, de 2000).


"CREATURES OF INFLUENCE" - INFORMATION SOCIETY (Twin Tone). Você sabia que o Information Society, orgulho pop dos anos 90/00, gravou seu primeiro disco em 1984? Gravou sim, e nem os integrantes da banda são lá muito fãs do álbum ("é horrível!", chegaram a afirmar em entrevistas). No entanto foi de lá que saiu o primeiro hit do grupo, Running, que costuma estar no setlist da banda até hoje.

"ZEN ARCADE" - HÜSKER DÜ (SST). Quando o punk começou a ficar, com o perdão da palavra, progressivo. Em seu segundo disco (duplo), o Hüsker falava de um jovem que sofria abusos em casa e se defrontava com a crueldade do mundo. Músicas como Pink turns to blue, Broken home, broken heart e a quilométrica Reoccurring dreams lançaram as bases para o Green Day faturar com o conceitual American idiot (2006).


"UNDER WRAPS" - JETHRO TULL (Chrysalis). Está longe de ser o disco mais fraco do Jethro, como muitos fãs o classificam - a sonoridade meio eletrônica do álbum espantou muita gente. Repleto de letras sobre espionagem e perseguição (obsessão do líder Ian Anderson, na época), tem as boas Lap of luxury, Radio free Moscow e o hit pop e acústico Under wraps 2. Depois disso, o grupo gravaria um álbum com a London Symphony Orchestra (A classic case, de 1985) e interromperia os discos por dois anos.

"MY WAR" - BLACK FLAG (SST). A banda que, segundo testemunhas, mais influenciou o rock de Seattle - após fazer shows por lá nos anos 80. Em seu segundo LP, com Henry Rollins à frente, largavam os hardcores curtos para aterrorizar com faixas longas e lentas, entre o punk e o metal. My war, Beat my head against the wall e Nothing left inside são impressionantes e perturbadoras. Guerra na mente e no aparelho de som.


"POR AQUELAS QUE FORAM BEM AMADAS" - ZÉ RAMALHO (CBS). O disco "de rock" de Zé Ramalho foi roqueiro até em sua elaboração, com direito a farras, drogas, bebida e muito hedonismo em hotéis durante as turnês. Traz novidades como a parceria de Ramalho com Jards Macalé (Mulheres, cantada com Wanderléia e Zezé Motta), Paisagem da flor desesperada (de Ismael Semente Proibida, ex-baterista do grupo recifense Ave Sangria), O tolo na colina (versão em português de The fool on the hill, dos Beatles, por Ramalho e Erasmo Carlos). E a capa concebida por Zé do Caixão.


"SOME GREAT REWARD" - DEPECHE MODE (Mute). O quarto disco do Depeche Mode - uma banda de rock, mais até do que synthpop, pelo estilo de vida e pelo apuro rocker que sempre deu às suas canções - causava controvérsia por causa do single Master and servant, sobre sadomasoquismo. E falava sobre paz em People are people, com seu discurso pró-tolerância e diversidade.

"VELÔ" - CAETANO VELOSO (Philips). A tentativa de Caetano de criar uma "fase rock" (ou vá lá, "new wave") em seu trabalho, à base de alguns equívocos - sai o tom meio hippie urbano das produções com A Outra Banda Da Terra e entra uma turma que incluía até músicos que já haviam tocado com Arrigo Barnabé. Podres poderes foi amada e odiada em igual proporção e foi o hit do disco. Nine out of ten, de Transa (1972), reaparece. Comeu ganhou regravações também de Erasmo Carlos e até do grupo Magazine, de Kid Vinil - essa, foi parar na abertura da novela A gata comeu (1985). O quereres e Língua, essa com Elza Soares, são as melhores.


"CHICO BUARQUE" - CHICO BUARQUE (Barclay). Para muitos, o último grande momento de Chico até hoje. Vai passar virou um dos vários hinos das Diretas Já e um quase-título do disco. Mano a mano, parceria com João Bosco, podia virar filme. Samba do grande amor virou hit de rodinhas emepebísticas de violão - até hoje é, aliás. E ainda tem Pelas tabelas, Suburbano coraçãoBrejo da Cruz, quase jazz-nordestino-pop.

"THIS IS SPINAL TAP" - SPINAL TAP (Polydor). O rock com senso de humor. A gozação com o cenário do hard rock anos 70/80 e com todos os exageros e megalomanias envolvendo bandas, artistas e empresários tanto foi influenciada pela história do rock como influenciou novas bandas - o Soundgarden gravou Big bottom. Ainda tem Tonight I'm gonna rock you tonight, America, Cups and cakes, (Listen to the) Flower people. E em 1992, justamente no auge do rock de Seattle, voltaram com outro disco, Break like the wind.

"THREE OF A PERFECT PAIR" - KING CRIMSON (Virgin). O último disco do King Crimson na década de 80 - em 1994 sairia Vrooom - prossegue o reposicionamento da banda para a geração new wave, sem deixar de lado conceitos antigos, já que tem até uma música chamada Larks tongues in aspic III (mesmo nome do álbum do grupo de 1973). Faz parte de uma trilogia que incluía também Discipline (1981) e Beat (1982) e que marcava a volta de Robert Fripp e sua turma num período em que o som progressivo precisava mesmo de uma volta digna.

"ROUPA NOVA" - ROUPA NOVA (RCA). Criado à sombra das bandas de bailes cariocas dos anos 70 e do pop mineiro (e dos jingles radiofônicos), o Roupa Nova se populariza de vez ao mudar de gravadora. Vai parar na abertura da novela Um sonho a mais com Whisky a go go e toca em todos os cantos e rádios do Brasil com Tímida, Não dá e, especialmente, Chuva de prata. E ainda tem Top top, dos Mutantes, em versão anos 80.


"THE WORKS" - QUEEN (EMI). Tem quem odeie. Afinal, é o disco de Radio Ga Ga e I want to break free, domínio total dos sintetizadores e das batidas eletrônicas na sonoridade de uma banda que se orgulhava de cagar solenemente para tudo isso, nos seus primeiros discos. O difícil é resistir justamente ao apelo dessas duas músicas aí, e de It's a hard life e Hammer to fall.



TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

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