segunda-feira, 8 de setembro de 2014

QUARENTA FATOS SOBRE O ABBA

Fiz essa matéria aí ao lado há uns meses para O Dia, falando dos 40 anos do primeiro disco do Abba, Waterloo. Para quem é fã da banda sueca, 2014 é um ano cheio, com relançamentos e discos ao vivo. Além de um livro, Abba - A biografia, de Carl Magnus Palm, que acaba de sair por aqui.

Abaixo, relembre 40 fatos, histórias e situações bizarras referentes ao grupo. E se você é um roqueiro empedernido e radical, perca a vergonha de gostar da banda. Vale a pena.


ERA SÓ MAIS UM ANDERSSON. Benny e Bjorn tinham algo em comum. Apesar de não serem parentes, Bjorn também herdou do pai o popularíssimo (na Suécia, claro) sobrenome Andersson, mas tanto ele quanto seus irmãos o trocaram quando chegaram à idade adulta. E ainda tinha um outro quase parente na história: Stig Anderson (que se chamava "Andersson" mas tirou um s do nome), empresário e descobridor do Abba.

HEP STARS. Formado em 1963, o Hep Stars é considerado até hoje o grupo sueco-com-vocais-em-inglês mais bem sucedido do país. O visual do grupo, com os cinco integrantes hasteando cabeleiras lisas, lembrava um bando de Brians Jones (ou Johnnys Ramones). Benny Andersson tornou-se tecladista do grupo a partir de 1964 e esteve por lá na fase mais bem sucedida da banda, de músicas como Farmer John e Cadillac.

INGLÊS ERRADO. O maior hit do Hep Stars, lançado em 1966, Sunny Girl, é tido por Carl Magnus Palm como um "marco para a história do pop sueco", por causa da bela melodia e da influência dos Beatles e da música clássica. A letra, escrita praticamente com anotações fonéticas, trazia versos bizarros como "she is domestic, she is property" ("ela é doméstica, ela é propriedade") porque Benny Andersson não sabia como dizer que a menina era "correta e bonita".

SUÉCIA POP. Na época em que os rapazes do Abba começavam seus projetos musicais, o país era até bem servido de programas de música pop, na TV e no rádio. Um dos programas mais populares no rádio era o Tio i topp, que foi levado ao ar pela Sveriges Radio de 1961 a 1974. Foi lá que vários hits de bandas como Beatles e Creedence Clearwater Revival tornaram-se populares no país. Havia também o Svenkstoppen, mas esse só tocava músicas feitas por artistas suecos, ou temas instrumentais. O primeiro programa televisivo sueco dedicado à música jovem, o Drop in, foi ao ar pela primeira vez em 1961, três anos antes de ir ao ar o Top of the pops, parada musical da TV britânica. O Drop in chegou a apresentar os Beatles ao vivo em 1963.

E O BJORN ULVAEUS? Enquanto Andersson tocava em frente com os Hep Stars, Bjorn era uma das vozes do Hootenanny Singers, que durou de 1961 a 1975 e fazia um som próximo do folk, com violões e banjos. O maior hit do grupo - que misturava canções em inglês e em sueco - foi a releitura de Green, green grass of home, de Tom Jones, em 1967. Em 1966, o grupo chegou a fazer uma versão abolerada (e em espanhol) de Ave Maria no morro, de Herivelto Martins, que saiu num EP. O grupo assinaria com a gravadora que projetou o Abba, a...

... POLAR MUSIC. Criada em 1963 pelo produtor Stig Anderson e pelo parceiro Bengt Bernhag, a Polar surgiu na Escandinávia e teve como primeiro grande hit os Hootenanny Singers, numa época em que Stig andava vasculhando as paradas em busca de um artista novo. Foi a gravadora que projetou o Abba e responsabilizou-se por todos os seus hits. Apesar das reclamações de que o selo deixava outros artistas à sombra do quarteto, lançou vários outros grupos e cantores - mais recentemente, pôs nas lojas discos de Hellacopters e de Joey Tempest, vocalista do Europe. Ulvaeus e Andersson tornaram-se sócios do selo nos anos 70.

AGNETHA E FRIDA, ou Anni-Frid, como a cantora morena do Abba era conhecida no início da carreira, eram as duas moças do grupo. Assim como os dois rapazes, elas também tinham suas carreiras musicais antes do Abba. Agnetha cantava desde a adolescência e já vendera 80 mil cópias de um single aos 17 anos, com uma canção de sua autoria, Jag var så kär. Antes do quartetp, gravou quatro álbuns solo. Frida era contratada da EMI sueca desde 1967 e aparecia bastante na TV. A partir de 1971, passou a ser produzida por Benny, com quem se casou.


OS CASAIS se juntaram profissionalmente em 1972. Em junho sairia o primeiro single, People need love, creditado a Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid. Durante o sucesso do Abba, as duas metades passaram por várias crises e tempestades conjugais, quase todas relacionadas de alguma maneira ao excesso de trabalho e de turnês mundiais. "Antes, achava que os problemas dos casais só tivessem começado pouco antes da separação", me disse Carl Magnus.

RING RING. Composta por Andersson, Ulvaeus e Stig Anderson, essa música foi criada para ser enviada à seleção sueca do festival Eurovision e alavancar mundialmente a carreira de Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid. Não deu certo, mas a banda gravou seu primeiro LP na época, também chamado Ring ring, e fez sucesso.

HERÓIS DO POP. Dois deles têm lá seus méritos pelo sucesso de Ring ring. O cantor americano Neil Sedaka, sucesso nos anos 50 com canções como Breaking up is hard to do e Stupid cupid, foi chamado para escrever a versão em inglês da canção, ao lado de seu parceiro Phil Cody. E o produtor maluquete Phil Spector foi, com seu célebre wall of sound (massa de overdubs de instrumentos que dava grandiloquência às músicas que gravava), o grande inspirador da gravação e da mixagem da música. Foi graças a músicas como Ring ring que a sonoridade do Abba passou a ser chamada por aí de "bolo de noiva".

O NOME ABBA. Veio de um concurso promovido por Stig e a Polar Music entre fãs da banda - e alguns chegaram a propor combinações imbecis como "Baba" e "Alibaba". Jogando um pouco de areia na credibilidade do tal concurso, Stig já se referia ao grupo informalmente como "Abba" e achava o nome sonoro.


SÓ QUE... Bom, na época havia uma empresa que vendia peixe enlatado, que se chamava ABBA e funcionava na Suécia, mas isso não foi obstáculo. A firma deixou o grupo usar o nome, "desde que não o jogasse no lixo", como informa Carl Magnus Palm.

EUROVISION. Se você hoje conhece, curte e dança ao som do Abba, a culpa é desse festival, que une a Europa inteira em torno de novas canções e novos talentos, existe desde 1956 e foi onde o grupo, em 1974, se inscreveu com a canção Waterloo, com a qual acabou ganhando o evento. O desconhecimento a respeito dos novos valores suecos era tão grande que, no programa do festival, apareciam creditados como "The Abba".

WATERLOO. Após participar do festival com essa música, em 6 de abril, com visual superproduzido (incluindo as famosas botas prateadas das duas meninas), o Abba despontou para o mundo e soltou música pop bolo-de-noiva na cara da sociedade. Herdada de uma estranha mistura de jazz e rock progressivo (a banda britânica Wizzard sempre foi citada como influência da canção), a música trazia um certo toque inusitado que marcaria várias letras do Abba, falando de uma moça que capitula diante da chegada de um novo amor assim como Napoleão entregou os pontos na batalha de Waterloo, em 1815. O Abba que você conhece virou bandão aí.

SÓ QUE... Muitos críticos da banda pegaram no pé porque consideraram a referência à batalha de Waterloo uma brincadeira um tanto cruel. O Abba que você também conhece, sempre vítima de críticos e roqueiros empedernidos, teve início aí.


ALIÁS E A PROPÓSITO. Naquela mesma época, o Abba lançava seu primeiro LP sob o acrônimo de quatro letras. O disco era também chamado Waterloo e tinha músicas como a faixa-título, Hasta mañana, Watch out, Honey honey, Suzy Hang Around e outras. Saiu recentemente numa edição megablaster em CD, comemorativa de 40 anos.

E MAIS Em 2005, Waterloo foi escolhida a melhor canção de toda a história do festival Eurovision. 


ANTES DA MTV. Numa época em que clipes eram chamados de "promos" e eram feitos em película - e eram realizados apenas por nomões do pop, gente como Elton John, George Harrison e John Lennon - o Abba começou a fazer vários deles. Saíam quase em série, para exibição nos poucos programas de TV que passavam esse tipo de atração. Se o quarteto não podia estar em todos os lugares do mundo, lá estavam eles na televisão (inclusive no Brasil!) por intermédio de vídeos como Mamma Mia, I do, I do, I do, I do, I do, S.O.S, Dancing queen e vários outros. Foi graças à exibição de promos como esses, desde o comecinho, que o Abba ganhou sucesso massivo na Austrália.

SUCESSO NA TERRA DOS CANGURUS. Sim, o Abba logrou tanto êxito por lá que, no Brasil, já foi comum até saíram textos aqui e ali referindo-se a eles como "banda australiana". A televisão em cores havia acabado de chegar à Austrália em 1974 e os clipes alegres e coloridos do grupo (que, sem sombra de poseurismo rocker, olhava direto para a câmera e parecia encarar os fãs) viraram mania nacional. Logo em 1974, três singles foram lançados um atrás do outro, exclusivamente no país. A partir daí, um público numeroso passou a esperar todos os lançamentos do grupo no país, até que...

PÂNICO NA TERRA DOS CANGURUS. Em fevereiro de 1977 a banda arriscou fazer uma turnê pela Austrália e o que se viu mal pode ser chamado de sucesso. Foi histeria coletiva, com fãs sendo pisoteados, estádios com lotação máxima, perseguição de jornalistas em busca de furos e até helicópteros de estação de TV correndo atrás dos quatro. Agnetha, que já vinha ficando cada vez mais de saco cheio das turnês, começou a querer cair fora aí.

VIRE À DIREITA. No começo dos anos 70, a Suécia vivia um momento de (vale o clichê) ebulição política, com várias manifestações e movimentos musicais alternativos, notadamente ligadas à esquerda do país. Criando músicas pop açucaradas, basicamente para entretenimento, o Abba era satanizado pela geração proggare - uma turma sueca da época que defendia o engajamento político e o despojamento musical. Como volta e meia algum integrante da banda era visto dando alguma declaração alienada ou conservadora (pelo menos sob o ponto de vista dos manifestantes suecos), ou simplesmente alinhada com a direita da época, havia quem não perdoasse o grupo por isso.


ABBA PUNK (1). Difícil de acreditar, mas um sucesso do comportado quarteto sueco paira sobre um hit dos Sex Pistols. O grupo punk inglês chupou um riff entreouvido no refrão de S.O.S, do Abba, e o colocou na malcriada Pretty vacant. O plágio foi confessado pelo próprio (alegado) autor da música, o ex-baixista do grupo, Glen Matlock.

ABBA PUNK (2). Aliás, bem antes dos roqueiros perderem em definitivo a vergonha de gostar da banda, integrantes de bandas punk como o Clash e os Ramones, além dos próprios Pistols, se diziam fãs do quarteto. Já o Abba detestava a onda nova. "Era como jogar uma pedra numa janela", dizia Benny em entrevistas.

E NO BRASIL? (1) Por aqui, nos anos 70/80, muita gente gravou releituras do Abba. Ring ring, primeiro hit do quarteto, ganhou uma versão em português logo em 1973, de uma cantora chamada Sueli, com o nome Férias na praia. A rainha do rock nativo Celly Campello retomou a carreira em 1976 lançando uma versão em português de Dance while the music still goes on, chamada Dance (Enquanto houver canção). O casal Jane & Herondy, no mesmo álbum do hit Não se vá, em 1977, verteu para o português Dancing queen, com o nome de A melhor noite do mundo. Lançadores contumazes de versões, os Fevers transformaram The winner takes it all em Não fui o vencedor em 1981.

E NO BRASIL? (2) Nos anos 70, o Abba fez tanto sucesso por aqui que surgiram algumas imitações bem baratas. O riff de piano da abertura de Honey honey foi parar na abertura do hit disco-rock Cara de pau, cantado pela dupla Ana & Angela, em 1977, e feito na aba do Abba. Incluída na trilha da novela global Te contei? (1978), a música fez sucesso a ponto de ganhar várias versões: em clima de carnaval, orquestrada, infantil (no clássico Brincando de roda numa discothéque, da Patotinha, de 1978).

E NA ITÁLIA? Fez um puta sucesso por lá (e existe até hoje) um quarteto chamado Ricchi & Poveri, formado em Gênova por dois casais e, digamos, bastante influenciado pelo Abba. O grupo vendeu mais de 20 milhões de cópias de hits compostos e gravados bem na cola do quarteto sueco, como Voulez Vous danser, Come vorrei e Mamma Maria. Assim como o Abba, eles também tiveram um salto para o sucesso participando do festival Eurovision, em 1978, cantando Questo amore. Em 1981, o grupo virou um trio com a saída de uma das meninas, Marina Occhiena.

E NO BRASIL? (3) Mamma Maria, do Ricchi & Poveri, você deve lembrar, é aquela mesma música regravada em 1983 pelo grupo pop carioca Grafite. Feita por Paulo Camargo, a versão em português do hit italiano trazia versos maravilhosos como "lá pelas nove, eu passo lá/naquele lance pra te pegar/tô numa de te azarar, gatinha/o sol tá quente, a praia tá cheinha".


E NO PARAGUAI? Radicada no Brasil mas nascida em terras paraguaias, a cantora Perla gravou uma dezena de versões do quarteto. As mais famosas, claro, são Fernando (o nome continuou o mesmo do original) e Pequenina (Chiquitita, no original). Mas na voz dela, S.O.S virou Paz de um grande amor, Thank you for the music transformou-se em Hoje eu agradeço, Gimme gimme gimme virou Diga que me quer e Hasta mañana... bom, Hasta mañana continou com esse mesmo nome. Em 2002 boa parte desse repertório foi reunido na compilação Perla canta Abba e outros hits.

ALIÁS E A PROPÓSITO Assim como os Fevers, Perla também gravou The winner takes it all em português - que, em belo portunhol, virou O jogo já acabou. As duas versões saíram no mesmo ano (1981).


POLAR STUDIOS. Construído num antigo cinema na Escandinávia, o estúdio do Abba foi inaugurado em 1977. E passou a ser usado não apenas pelo quarteto, como também por outros grandes artistas. O Led Zeppelin gravou lá seu último álbum, In through the outdoor (1979), repleto de teclados e, que gozado, soando tão grandiloquente quando o bolo-de-noiva sonoro do Abba. A lista de nomões que já gravaram lá inclui Ramones, Backstreet Boys, Rammstein, Genesis, Roxette, The Hellacopters e outros.

ABBA TRANSÃO. Durante a gravação de In through the outdoor, John Paul Jones, baixista e tecladista do Led Zeppelin, tocou no órgão (sem trocadilho) e no sintetizador de Bjorn Ulvaeus em músicas como All of my love. A ala masculina do Abba, a fim de dar um tempo no dia a dia matrimonial, teria acompanhado o vocalista Robert Plant e o guitarrista Jimmy Page em idas a inferninhos. O fato foi revelado por Plant e Page em entrevistas.


ABBA EM CD. Tem gente que pensa até hoje que Brothers in arms, dos Dire Straits (1985), foi o primeiro disco de pop-rock a sair em CD. Não foi: The visitors, último álbum do Abba, de 1981, ganhou uma pioneira edição no formato, pelo selo Polydor. Na foto ao lado, Bjorn e Benny posam com duas cópias do disquinho. Note o jurássico aparelho de CD atrás deles. Quem também teve um CD produzido nessa época, mas apenas para fins demonstrativos, foram os Bee Gees, com o álbum Living eyes, do mesmo ano. Na época, Bjorn já se separara de Agnetha e já estava até casado novamente.

AFINAL, ACABOU MESMO? A volta do Abba foi algo comentado pelos fãs durante vários anos - e até hoje, com os dois casais já tendo vivido mais tempo separados do que juntos, tem quem espere o retorno. O grupo deu bastante pano pra manga, já que nenhum dos quarto chegou a falar oficialmente sobre o fim do quarteto e até 1983, os músicos ainda negavam a separação e falavam de um disco novo.

POLAR MUSIC PRIZE.  Em 1989, pouco depois de vender sua gravadora para a gigante PolyGram (hoje Universal), Stig Anderson desenvolveu o Polar Music Prize. A honraria é tida como uma espécie de "Prêmio Nobel da Música" na Suécia, e é concedida anualmente para um artista clássico e outro popular. O primeiro prêmio foi dado só em 1992 a Paul McCartney e aos Estados Bálticos da Letônia, Estônia e Lituânia (estes, devido ao apoio dado à formação de artistas e à cultura local da música). Em 2014, o roqueiro Chuck Berry e o diretor de óperas Peter Sellars levaram os seus. Em 2005, o artista popular premiado foi ninguém menos que Gilberto Gil.


ERASURE. O duo pop foi um dos maiores responsáveis pelo retorno do grupo às paradas, em 1992, por causa do EP Abba-esque, no qual reliam quatro canções do grupo: Lay all your love on me, SOS, Take a chance on me e Voulez-Vous. O sucesso foi tanto que o disco ganhou uma versão remix, Abba-esque, The remixes, logo em seguida.

COLETÂNEA. Numa época em que todo mundo só falava do rock de Seattle, uma coletânea fez muita gente conhecer ou lembrar do Abba. E, ah, graças a uma troca de guarda geral na crítica musical, ganhou elogios. E mais: fez um monte de roqueiros admitirem que sempre gostaram do quarteto. Abba Gold se tornou tão importante que ganhou edições com listas de músicas diferentes ao redor do mundo. Foi também reeditada com músicas extras. Evidentemente, ganhou esse ano uma edição dupla de 40 anos do Abba. E, mais evidente ainda, teve em 1992 uma edição em VHS - com todos os principais clipes, mostrando que havia muita criatividade em vídeo na era pré-MTV.

ABBA ROCK. Nos anos 70, quem era roqueiro não gostava de Abba. Ou fingia não gostar. Só que o "retorno" da obra do quarteto, nos anos 90, reposicionou na memorabília pop uma série de coisas esquecidas, e pôs na linha de frente do rock uma série de artistas que cresceram de frente para a TV recebendo na cara toda a iconografia pop dos anos 70 - Michael Jackson e seus irmãos, disco music, o rock ameno do Fleetwood Mac, Bay City Rollers. Kurt Cobain (Nirvana) se declarou fã, e em seguida muita gente elogiou a banda, de Bono Vox (U2) a Pete Townshend (The Who). Foi o que abriu caminhos para grupos como o punk Attaque 77 regravarem músicas do grupo. E...

ABBA ANTICRISTO. Recentemente quem gravou Abba foi o grupo metálico-sinistro Ghost BC, que releu o hit I'm a marionette no EP If you have Ghost, só de covers. Incrível: pelo menos um dos Nameless Ghouls (nome pelos quais são chamados os cinco músicos que acompanham o líder Papa Emeritus II) admite gostar de disco music, em um papo comigo para O Dia. "Gosto muito, e das coisas dos anos 70, 80 e 90. Mas só até 1997. Depois disso, tudo ficou uma merda", disse.

BJORN AGAIN. O grupo cover mais ilustre do Abba veio (de onde mais?) da Austrália, existe desde 1988 e, em 1992, ganhou seu lugar ao sol após receber elogios do próprio quarteto e abrir para o Nirvana (!) no festival de Reading. No mesmo ano, abriram o leque ao lançar o EP Erasure-ish, uma referência ao Abba-esque, do duo eletrônico - só com músicas do próprio Erasure relidas para versões no estilo do Abba, como A little respect. E, sim, na tal apresentação de Reading, Smells like teen spirit foi vertida para o tom grandiloquente e melancólico do grupo sueco.


DAÍ EM DIANTE... Os ex-Abba continuaram mantendo suas carreiras solo e seus novos casamentos. Em 1993, na cola de Abba gold, sairia mais uma coletânea, More Abba gold, mas dessa vez com mais lados-B do que grandes hits, e o acréscimo de uma canção inédita gravada em 1982, I am the city. Em 2008, pela primeira vez após 19 anos, os quatro Abba apareceram em público na premiére sueca do filme Mamma mia!, cujo roteiro foi construído em cima de músicas do grupo. Houve claro, alguma tensão provocada pela idolatria dos fãs - e pela reclusa Agnetha, que só apareceu no evento em cima da hora (na foto acima, todo mundo da banda posa com os atores do musical no dia da premiére).


TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

Um comentário:

  1. Muito interessante. Gosto principalmente da parte que diz : "E, ah, graças a uma troca de guarda geral na crítica musical, ganhou elogios."
    Aqueles críticos antigos não estavam com nada e depreciavam tudo que não era americano ou inglês na música pop (ou seja, tremendos imperialistas)
    O ABBA foi um dos primeiros a romper com esta hegemonia EUA/Reino Unido e embora seu pop tivesse nítida influência do que se fazia de música pop nesses países, trazia tbém uma clara e grande influência do folk europeu do clássico e das big bands entre outras vertentes que faziam parte do caldeirão mágico de Benny & Bjorn. Mas o tempo (ou seria o público que sempre curtiu e amou?) colocou tudo no seu devido lugar.

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