quarta-feira, 10 de setembro de 2014

UMA CONVERSA FRANCA COM IGGOR CAVALERA

Quinta tem Cavalera Conspiracy no Circo Voador!

Bati um papo com Iggor Cavalera, baterista do grupo (e ex batera do Sepultura) para
O Dia. Conversamos sobre vida em família, mudança para Londres e disco novo.


EM LONDRES, UMA VIDA NOVA PARA IGGOR CAVALERA
Músico fala ainda sobre mudanças no trabalho e na família após ida para Inglaterra
Publicado no O Dia em 9 de setembro de 2013

Discos, um moletom com estampa da banda punk The Misfits, câmeras fotográficas, mais roupas. Todo um material que estava ocupando espaço na antiga moradia do casal Iggor Cavalera e Laima Layton em São Paulo foi posto à venda no ano passado, pouco antes de os dois fazerem as malas e se mudarem para Londres. “Cansamos da dinâmica de viver no Brasil e trabalharmos mais tempo aqui do que aí”, diz o baterista, trazendo o grupo que divide com o irmão Max, Cavalera Conspiracy, para show no Circo Voador nesta quinta-feira.

Iggor também mantém um projeto de música eletrônica com a mulher, o Mixhell, que foi a principal razão da mudança para a Inglaterra. “Nos mudamos para Londres para focar nisso”, revela o músico, que tem tocado com Laima em vários festivais na Europa e agenda mais três lançamentos do Mixhell ainda para 2014. “Morar aqui nos ajuda. Todo o time que ‘trampa’ com a gente é daqui e tínhamos que voar de oito a dez vezes por ano. Viver em Londres é simples, civilizado, calmo e tudo funciona”, conta ele.

A educação dos dois filhos do casal (o baterista ainda tem mais três do primeiro casamento, com Monica Bass) tem tido reflexos da mudança. “A escola aqui é mais integrada com o dia a dia, com a vida fora dela. O fato de usarem transporte público, de ajudarem na arrumação da casa, de não terem tudo pronto e sim se virarem é uma supercontribuição para isso. E em Londres o povo é mais educado, o que ajuda muito.”

Acompanhados de Marc Rizzo (guitarra) e Nate Newton (baixo), e trazendo como atrações de abertura os grupos brasileiros Krisiun, Confronto e Test, Max e Iggor retornam ao Rio em entressafra. O terceiro disco do Cavalera Conspiracy, Pandemonium, está programado apenas para novembro. A turnê nacional do grupo começou dia 31 de agosto no festival Porão de Rock, em Brasília.

“O show no Rio vai ser especial. Acontecerá num local histórico, e o mais legal é que estaremos apresentando músicas do disco novo em primeira mão para o público carioca”, diz Iggor, considerando o disco novo o mais rápido e visceral do grupo — o que é confirmado pelo single Bonzai kamikaze, já disponibilizado na internet. Na produção, está John Gray, que também comandou trabalhos de grupos como o Soulfly (a outra banda do irmão Max, que a montou assim que saiu do Sepultura) e a banda de metal industrial Ministry.

Após a saída de Max do Sepultura, em 1996, os dois irmãos ficaram dez anos sem se falar. Retomaram o contato (devido à insistência da mulher de Iggor, por sinal) semanas após o baterista deixar a banda, em 2006. O retorno ao convívio fez os dois abrirem o baú e resgatarem músicas compostas entre os 15 e 20 anos de idade.

“Nos shows, sempre aparecem essas músicas. No caso do disco novo, tudo foi feito exclusivamente, são 12 faixas novas. De qualquer jeito, o feeling que tivemos ao tocar foi muito parecido com o de quando éramos mais moleques”, afirma Iggor, dizendo curtir o Soulfly, banda do irmão. “E Max também gosta do Mixhell. O nosso projeto eletrônico tem público diferente do que tem o Cavalera Conspiracy. Existem muitos fãs do Mixhell que sequer sabem o que é o Sepultura, e eu acho isso muito legal.”


O assunto Sepultura não é tabu para Iggor — que recentemente disse em entrevistas ter tentado reunir a formação original do grupo, sem sucesso. Quando ele e Laima fizeram o bazar com coisas antigas do casal, foi noticiado que um dos produtos à venda era um disco de ouro do seu ex-grupo, o que gerou boatos de que o músico estaria se desfazendo de sua memorabília da banda. Nada disso, esclarece.

“Na verdade, dei esse disco de ouro para um casal amigo e, como eles ajudaram a gente a montar o bazar, usamos para ilustrar. Não gosto de ter discos de ouro pendurados em casa, acho meio egocêntrico. Guardei várias lembranças do Sepultura para mim. Mas precisávamos começar de novo com menos coisas.”

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