terça-feira, 7 de outubro de 2014

MOLEJO: ENTREVISTA

O Molejo é rock´n roll. Eles não fãs de Ramones (apesar de haver uma camiseta unindo o nome deles ao logotipo da banda americana), dizem que essa história de "Molejo é melhor que Beatles" é só gozação, fazem pagode com cara rock, curtem black music. Mas a atitude irreverente tem tudo a ver, guardadas as devidas proporções, com o espírito moleque do rock mais antigo.

Bati um papo com o Anderson Leonardo (cavaco e vocal), Lúcio Nascimento (repique, percussão e vocal), Jimmy Batera (bateria e vocal), Robson Calazans (o popular Robinho Presença, percussão e vocal), Marquinhos Pato (reco-reco e vocal) e Claumirzinho (pandeiro e vocal) durante uma manhã na Praça Saens Peña (Tijuca), quando o grupo participou de um encontro com fãs, com direito a show, autógrafos e ônibus-camarim, e pré-lançamento do DVD Molejo 25 anos - #obaileesemparar.  O papo gerou a matéria abaixo (desce a barra de rolagem aí), que saiu neste domingo no jornal O Dia, com direito a um papo animado com os fãs da banda - alguns seguem o grupo há 25 anos, outros são bem novos, adolescentes. E segue aí a conversa na íntegra. Para fãs pagodeiros, hipsters e roqueiros.

Quais são as maiores lembranças desses 25 anos de samba pelo Brasil?
ANDERSON LEONARDO O que sempre ficou para a gente é esse aprendizado. Todo dia é um processo novo, estar começando, aprendendo. Tem que ver o que a galera gosta, tem que acompanhar tudo o que está acontecendo. E a força da banda está mais nos baixos do que nos altos, né? No alto é mole, quero ver é administrar no baixo.

Muitos baixos e altos? Quais foram os piores?
ANDERSON LEONARDO
Rapaz, é tanta coisa... Mas te falo que quando você está na transição das coisas sempre acontecem baixos. É sempre mais difícil. Quando surgem coisas novas, você tem que estar sempre ouvindo, pesquisando, para levar isso para a música. Tem que acompanhar a vibe da garotada.
 Mas com 25 anos você ganha equilíbrio. Nem perdemos público nesse tempo. A gente começou muito jovem. Quando você é jovem, tem direito de errar.

Nesse tempo todo aí já deu para vocês perceberem o que é amor e o que é cilada?
JIMMY BATERA Ah, deu... (rindo)

E qual foi a pior cilada?
JIMMY BATERA
Ah, aí é com o Anderson.

ANDERSON LEONARDO Rapaz, é tanta coisa que fico até sem graça de contar... Lembro que fomos abrir um show do Raça Negra, uma chuva tremenda e os caras chegaram na hora em que a gente ia pro palco. Rolou um "sai, sai, sai que os caras vão chegar", e tocamos no final, pra ninguém. Foi a maior cilada.
LUCIO Teve aquela história... Depois viram que era mentira, né? Do fã que soltou aquela faixa no Rock In Rio, dizendo que Molejo era melhor que Iron Maiden. Saiu até na página policial.
ANDERSON LEONARDO Esse aí caiu numa cliada.
CLAUMIRZINHO A melhor coisa é quando a gente passa por uma situação que parece cilada e depois a gente vê que é amor. No carnaval a gente ia fazer um show e estava três horas atrasado. Tava escuro, chegamos na estrada, na entrada da cidade e tinha um pessoal esperando a gente. Pediram para segui-los e fomos para um lugar escuro, só mato. Pensamos: "É o rodo, vão bater na gente (risos). Os caras tão bolados com o atraso". Só que chegamos numa casa cheia de comida, bebida, tudo liberado. Levamos até bolo pra casa. Os caras falando "pô, fica à vontade aí, sou fã de vocês" (risos). Não era cilada, era amor.


Hoje tem muitos roqueiros curtindo o Molejo...
CLAUMIRZINHO
Isso acontece porque a gente sempre tentou andar um pouco diferente do que está acontecendo, na contramão. Sempre procuramos uma coisa para diversificar e todo mundo ter uma alternativa. A voz do nosso cantor (Anderson)... Ela tem uma identidade, as pessoas conhecem. Já vimos até muito roqueiro falando: "Pô, sou fã de rock, mas do samba e do pagode só gosto do Molejo". 


Tem essa camisa de vocês que fizeram com a logo do Ramones...
ANDERSON Isso. A gente curtiu bastante, achou diferente, porque uma garotada começou a fazer... Mas não vou ser hipócrita de dizer que conheço a banda. Conheço de nome. Gosto é de black music.

Vocês até fizeram recentemente uma versão de September, do Earth, Wind & Fire, para o programa Música boa ao vivo (do canal Multishow, apresentado por Thiaguinho).
ANDERSON Nós, que somos antigos, adoramos esse tipo de som e o som deles. Eu devo ter uns oito DVDs, fora os CDs, deles. Sou fã.

E essa história de que "Molejo é melhor que Beatles", que aparece em faixas e camisetas nos shows de vocês?

ANDERSON. Ah, isso é zoação.
JIMMY BATERA A gente tem feito muita festa em formatura de faculdade e os estudantes fazem essas brincadeiras, criaram uma relação com eles. Mas é tudo brincadeira.
ANDERSON Teve aquela camisa também em que brincaram com a língua dos Rolling Stones, aí botaram meus dentes. Já viu essa?

Tem muito gringo que curte vocês? Vocês têm uma música chamada Merci beaucoup.

ANDERSON Tem, tem... muito por causa dessa irreverência. Temos um disco chamado Polivalência que foi tipo exportação, foi muito bem lá fora. Nosso samba chegou a vários países. Acredita que até o Julio Iglesias gravou uma música nossa? Ele pegou Paparico e transformou em Mamacita.

É mesmo? Ele está vindo ao Brasil (estava em turnê e daria show no Rio naquela semana).
ANDERSON
Pô, a gente adora "coração apaixonaaaaaadooo" (todos cantam o refrão de Coração apaixonado, de Julio).

Vocês já estiveram com ele?
ANDERSON
Já, sim. Fomos encontrar com ele numa piscina de hotel e ele já chegou falando que gostava da nossa música. Pensamos "ih, tá de sacanagem, não sabe nem quem é a gente" (risos). Mas ele conhecia sim. Foi nota mil. Lembro que foi um papo rápido, quando ele chegou, falamos "ih, olha o cara!".


E quem é que tá sambando diferente hoje em dia?
ANDERSON Ah, muita gente... De grupos tem o Clareou, Nosso Sentimento, Imaginassamba, Turma do Pagode. Tem várias mulheres por aí. Gabi Moura é quase minha filha.

Recentemente, vocês voltaram a falar com o Andrezinho, que foi integrante da banda. Como foi isso?
ANDERSON Olha... a gente estava há quase sete anos sem se falar e essa coisa me incomodava. O filho dele é colado comigo, meu filho é colado com ele, a mãe dele me adora, a minha mãe adora ele. Nossos amigos são todos os mesmos, todo mundo é da mesma turma, se falava, e só a gente não se falava. Nos encontramos e acertamos os ponteiros.

Por que houve essa briga?
ANDERSON Foi o desgaste normal do tempo, né? A gente tem mais de 30 anos de amizade. Mas agora graças a Deus tá tudo renovado. E tem uns cambonos de artistas aí, uns puxa-sacos que vou te contar... Mas deixa isso pra lá que tá tudo dominado.

Ouça agora Amigo gaguinho, música nova do Molejão.




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