sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NEW ORDER

Procurando textos antigos meus, achei essa resenha que foi publicada no meu antigo blog, o Discoteca Básica, por volta de 2006 sobre o CD Waiting for the sirens call, do New Order. Tava no Archive.org, onde volta e meia cato textos que não estão mais online.

A lembrança que tenho desse texto é a de que recebi por vários dias e-mails indignados de um "fã" do grupo, bem puto por ver sua banda preferida detonada. Tudo estaia bem, se eu não tivesse caído na tentação de responder à altura e começado uma troca grosseira de e-mails com o tal sujeito. Nem sequer me lembro mais o que escrevi, mas li coisas do nível "seu crítico de merda", além de ter que engolir o cara sustentando suas opiniões com as resenhas de usuários da Amazon.com.

Prometi nunca mais discutir online com alguém e hoje o pior que alguém consegue arrancar de mim após uma detonação básica a um texto meu é um "obrigado por ter lido o texto". Mas como recordação fica aí a resenha. A propósito, fui reouvir esse disco outro dia e... achei a mesmíssima coisa.


WAITING FOR THE SIRENS CALL - NEW ORDER (London). Num,a entrevista recente, Bernard Sumner tinha adiantado que o álbum novo do New Order seria dividido tranqüilamente entre guitarras e teclados - mais ou menos na linha do anterior, Get ready. A saída da tecladista Gillian Gilbert e a entrada de um guitarrista-tecladista, Phil Cunningham, já entregava que o New Order poderia perder muito da sua graça. Quando nada, por uma coisa bem boba, do tipo "quebraram o cristal da formação de sééééculos". E quando o single Krafty começou a circular na internet, o que mais apareceu foi gente dizendo que tinha achado a música fraca.

Só que Krafty não é fraca. Anima qualquer fâ saudoso da banda, só que, analisando friamente, não provoca aquela sensação equivalente a sentir vento no rosto em pleno calor. Como acontecia, só para citar um exemplo recente, com Regret, do Republic, disco do New Order de 1993.

Waiting for the sirens call, no que depender das faixas que já andam circulando nos p2p da vida, deixa a mesma sensação de falta de surpresas. O desenho da capa lembra mais uma coletânea picareta do que um álbum de carreira. Já quebra qualquer expectativa.

De novidade tem o fato de que os norte-americanos do The Killers - uma das bandas que mais se sobressaiu entre os filhotes do New Order - já superaram os mestres na fórmula dance-rock, o que já dá para perceber logo na primeira música, Who's Joe, e em faixas como Morning night and day. São faixas dançantes, com ganchos razoáveis, mas muito aquém de qualquer coisa que o New Order já tenha feito. E há coisas curiosas, como a ragatanga (rararará!) I told you so e a punkinha Working overtime, cantada por Bernard Sumner numa sem-gracice de constranger.

Então lá vai: o que tem de realmente legal no disco? Numa análise saudosista, Dracula's castle pode ser considerada uma música maravilhosa - tem os famosos riffs de baixo de Peter Hook, copiados à exaustão, o som que marcou o grupo. Hey now what you're doing, apesar de belíssima, é uma das coisas mas estranhas do álbum: uma música do New Order cuja introdução lembra R.E.M. (!) e cuja melodia tem uma mistura de guitarra, violões e bandolins, além de teclados tapa-buraco. O resto vai na mesma base, sem surpresas. E se alguém duvidava da importância de Gillian Gilbert para o New Order é só dar uma escutada na tecladaria sem sal do álbum novo.

Waiting for the sirens call é bom de baixar do Soulseek e sair falando pra todo mundo "sabe o disco novo do New Order? Eu tenho e você não tem", mas gastar 40 paus são outros quinhentos. Depois de escutar um disco como esses, dá até vontade de escrever uma resenha-testamento comparando o New Order com a situação atual do Flamengo, com torcedores sofrendo ao envergar a bandeira do clube e comemorando empates como se fossem vitórias. Complicado isso - e no andar da carruagem do New Order, só vai rolar gol daqui a uns cinco anos.

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