quarta-feira, 1 de outubro de 2014

SEPULTURA EM DVD

Bati um papo com o Sepultura sobre o DVD com o Tambours du Bronx, Metal veins - Alive at Rock In Rio. Saiu no O Dia.

SEPULTURA: UMA BANDA QUE NÃO MORRE NUNCA
Com 30 anos de estrada, grupo lança DVD com o show do Rock In Rio ao lado do Tambours du Bronx e prepara documentário e longa que registram sua história

Publicado em O Dia em 30 de setembro de 2014

Se o thrash metal é um estilo de música radical e feito por músicos radicais, ligados apenas em um tipo de som, alguém esqueceu de avisar ao Sepultura. O grupo sempre curtiu fazer parcerias e abrir o leque — e lança agora o DVD Metal veins - Alive at Rock In Rio, gravado na edição de 2013 do festival, ao lado do grupo-multidão francês Tambours du Bronx. 

“Nunca tivemos medo de perder fãs. A gente perde uns e ganha outros. E vemos gente de tudo quanto é tipo que conhece a história da banda e pelo menos uma música. Temos 30 anos, né, meu?”, diz, em bom paulistês, o guitarrista Andreas Kisser. Até crianças conhecem o Sepultura: o grupo fez uma versão metal do clássico infantil Ciranda cirandinha para o quadro Camera Kids, do Fantástico, há alguns meses. “Nosso público tem várias idades e classes sociais. Sempre tivemos essa coisa de gerações diferentes, até dentro do Sepultura. Heavy metal passa de pai para filho. Isso faz parte da nossa história”, acredita.

Em Metal veins — Alive at Rock in Rio, os quatro integrantes do Sepultura (além de Andreas, Eloy Casagrande na bateria, Paulo Jr. no baixo e Derrick Green no vocal) têm o desafio de não desaparecer em meio à massa de 18 instrumentistas batendo em tonéis. O repertório inclui sucessos do grupo (Refuse/Resist, Kaiowas, Territory, Roots bloody roots), uma música feita pelas duas bandas especialmente para a ocasião (Structure violence), outras do Tambours (como Big hands) e até um cover do Prodigy (Firestarter). Nos extras, um documentário com bastidores da apresentação.

“Tudo foi consequência daquele primeiro show nosso com o Tambours, no Rock in Rio de 2011 (no Palco Sunset), que teve um começo difícil. Demoramos para alinhar tudo e subir no palco, rolou vaia, mas deu certo e teve um impacto que ninguém estava esperando”, anima-se Andreas Kisser. “A gente já tinha esse plano de fazer o DVD e contamos com toda a estrutura e tempo. Antes, tocamos também no Rock in Rio Lisboa (2012) e pudemos ter o palco todo para a gente. O Metallica, que era o headliner, foi bem generoso com as outras bandas nesse aspecto. Já quando tocamos no (festival alemão) Wacken Open Air, o Slipknot fechou o evento e tivemos um palco bem limitado. 

Sem planos para apresentações no Rio por enquanto (o grupo toca na Austrália e Nova Zelândia em breve), o Sepultura continua a turnê do álbum The mediator between head and hands must be the heart, o primeiro a trazer o jovem Eloy Casagrande na bateria. “A turnê está sendo ótima. Fora o bullying comigo, é tudo tranquilo”, graceja Eloy. “Mas eu também faço bullying com os mais velhos, especialmente o ‘tio’ Paulo (Paulo Jr., baixista), que tem barba branca. Com o Andreas nem dá, porque ele é quarentão, mas nem aparenta”, diz. “Daqui a pouco o Eloy processa a gente”, diverte-se Andreas. 

O grupo acaba de fazer um documentário, Sepultura do Brasil, exibido pelo Canal Bis, mostrando as três décadas de história e as mudanças na formação da banda — que, hoje, usa sua marca em diversos produtos, como cervejas, vinhos e até um molho de pimenta. E vem aí um longa com o resto do material gravado para o doc, Sepultura 30 anos. Mesmo com os diversos projetos, discos e turnês, ainda assim é comum fãs perguntarem a Andreas e Paulo sobre uma volta da formação clássica do grupo. “Esse assunto é uma m..., já encheu o saco. Detesto falar disso”, detona Paulo. “Tem gente que pergunta coisas como: ‘Quando é que o Sepultura vai voltar?’”, brinca Andreas. “Mas a gente está muito focado e está vivendo o melhor momento da banda. Temos muito mais para oferecer do que se ficássemos voltados para o passado.” 

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