sábado, 4 de outubro de 2014

VINNIE VINCENT, MAIS SUMIDO QUE BELCHIOR

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O site Metalsucks perguntou em abril: "Onde no mundo está Vinnie Vincent?". Na mesma época, a Rolling Stone foi a Smyrna, no Tennessee, onde ele morava, para tentar encontrá-lo. Reconheceu que o local não é lá muito perfeito para um Deus da guitarra, perto de Nashville, repleto de fazendas e casas antigas. E não achou o ex-guitarrista do Kiss, que teoricamente vive em reclusão lá há uns 15 anos e desapareceu a la Belchior faz tempo. O próprio vizinho de porta de Vinnie declarou à Rolling Stone que nunca o viu, apesar de ter tido com ele, via correspondência, uma contenda por divisa de terreno - fato comum em subúrbios e areas rurais dos EUA.

Não foi um mero sumiço do meio musical. O guitarrista da fase 80 da banda mascarada, que veio ao Brasil em 1983 com o circo do grupo (e bateu os recordes da banda tocando para mais de 140 mil pagantes), está até mais desaparecido que o autor de Como nossos pais, que de vez em quando é achado por aí. Há alguns dias vazaram - por artes do próprio Metalsucks - foto da casa em que o guitarrista vivia, lá mesmo em Smyrna. Olha aí. O estado do banheiro e da cozinha é de amedrontar.





A matéria inteira do Metalsucks está aqui, com todas as imagens alegadamente feitas lá dentro. É de deprimir, e muito. Mais do que sujo ao extremo, o lugar está abandonado. Mais: a esposa de Vinnie, Diane Kero, morreu em janeiro por abusos ligados ao álcool e também já não era mais vista nas ruas antes disso. Foi a partir daí que todo mundo deu pela falta de Vinnie.

Tido como Deus da guitarra por muitos fãs do Kiss (mais até do que o próprio Ace Frehley, a quem substituiu na banda), o voluntarioso Vinnie já chegou no grupo impondo sua personalidade. No começo deu certo e ele foi até aproveitado como compositor em Creatures of the night (1983) e Lick it up (1984).

O fato de o Kiss sempre ter funcionado como uma grande empresa presidida por Gene Simmons e Paul Stanley não o deixava nada satisfeito. Recusou-se a assinar contrato como "funcionário" do grupo e ficou bem irritado por ver guitarras suas em Lick it up serem substituídas pelas do superguitarrista de aluguel Rick Derringer.

Do outro lado, Paul e Gene já estavam fartos dos problemas de ego de Vinnie, saído do grupo no meio da turnê de Lick... "Ele não tinha o menor senso e não sabia a hora de parar", chegou a lembrar Stanley. Depois o músico venderia milhões de cópias (e abriria turnês do Iron Maiden) com o grupo Vinnie Vincent Invasion, mas os problemas não cessariam. Compôs para o próprio Kiss em 1992 (no disco Revenge) e processou a banda por royalties supostamente não pagos, virando persona non grata na "empresa". Não esquentou banco em lugar nenhum, sempre envolvido em brigas com colegas.

Em 2011 Vinnie já tinha virado notícia por causa de uma ocorrência (no sentido policial) igualmente deprimente e mórbida. Sua mulher Diane apareceu numa delegacia toda ensanguentada e cheirando a álcool - e o acusou de tê-la espancado. Ao chegarem em sua casa, os policiais encontraram quatro cachorros mortos, em contêineres fechados. Sua mulher alegou que eles haviam sido mortos por cães maiores e mais ferozes nas ruas, e Vincent disse que costumava resgatar cachorros envolvidos em situações de abuso.

Quem conseguir uma exclusiva com Vinnie, se ele estiver em condições de falar alguma coisa - ou até se estiver vivo - tem um grande furo de reportagem nas mãos. Achá-lo é que é bem complicado. Nesse vídeo, é possível assistir a uma entrevista do Kiss na TV americana, apresentando-o como seu novo guitarrista. Aqui você curte o mesmo papo, só que pré-edição, com todas as conversas de bastidores. 

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