quarta-feira, 19 de novembro de 2014

DADI EM LIVRO

Dadi lançou livro de memórias. E bateu um papo comigo para O Dia

MEMÓRIAS DO VOVÔ-GAROTO
Dadi relembra música e vida pessoal em livro
Publicado em O Dia em 19 de novembro de 2014


Músico de vários discos clássicos da MPB, conhecido por seu trabalho com os Novos Baianos e A Cor do Som, o baixista, compositor, cantor, guitarrista e agora avô (de Nina, 1 ano) Dadi, 62, não para quieto. Faz o maior barulho conversando com O DIA sobre o livro de memórias Meu caminho é chão e céu (Ed. Record, 176 págs., R$ 30), que lança segunda-feira na livraria Argumento, no Leblon. “Tô na cozinha fazendo uma lentilha e um arroz”, anuncia, ao celular, enquanto abre armários e separa material.

No livro, Dadi (Eduardo Magalhães de Carvalho, na certidão de nascimento) relembra histórias musicais e casos engraçados vividos com suas bandas e os músicos com quem trabalhou. Entre eles, Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, Rita Lee, Marisa Monte. O polivalente Dadi revela que o excesso de boas oportunidades já o levou a aceitar muitas coisas para fazer ao mesmo tempo.

“Sou desorganizado e organizado ao mesmo tempo. Não tenho agenda, vou pela cabeça. Por ser músico, me acostumei a decorar tudo. Mas tem horas em que espero que o destino resolva. E dá certo”, brinca ele, lembrando no livro as várias horas de padecimento que sofreu após aceitar fazer um show com Marisa Monte e Philip Glass em Nova York e descobrir que seu passaporte estava vencido (e, sim, ele conseguiu viajar).

Os períodos de dureza na época dos Novos Baianos (seu baixo está no clássico Acabou chorare, de 1972) tomam boa parte do livro. “Na época, eu tinha 19 anos, nem me preocupava com grana. Acho até que eles pensavam que eu era rico”, graceja. Numa ocasião, ganhou um carro da banda e depois descobriu que, por ter aceitado o “presente”, precisava pagar as parcelas do veículo.

“Não havia retorno financeiro. O pouco que entrava era para a comida. Mas a vida era mais fácil”, conta. Curiosidades do começo do rock brasileiro não faltam: num show do grupo, Pepeu Gomes (guitarrista) provocou risos nos colegas e no público ao rasgar suas calças no palco, durante um animado solo de guitarra “Ele ficou com o ‘saco’ aparecendo”, comenta.

Dedicado à irmã Heloísa Carvalho Tapajós (morta este ano), Meu caminho é chão e céu traz várias passagens ao lado de Jorge Ben, com quem tocou ao sair dos Novos Baianos e ao lado de quem ainda se apresenta, quando dá. Lembra que, ao vê-lo com um cigarro de maconha numa festa, Jorge prometeu ao pai do músico que iria “salvá-lo”.

“Quando escuto Jorge da Capadócia, tenho vontade de mandar fazer uma camiseta: ‘Eu sou o baixista da gravação original dessa música!’”, escreve. Recorda também o auge da Cor do Som, banda com a qual lotou ginásios, mas diz ter visto bem menos grana do que merecia. “A gente era como aquele porquinho da história dos Três porquinhos, o que construiu a casa de palha”, brinca.

Pai de Daniel, 35, e André, 33, ambos músicos, hoje Dadi larga tudo para ficar com a neta. “É a coisa mais maravilhosa do mundo. Na minha família tem homem para tudo quanto é canto, foi muito legal ter vindo uma menina”, conta ele, que é casado com Leila, sua namorada de adolescência, há quase quatro décadas. A receita para manter o casamento durante todo esse tempo? “Saber entender o outro. Mas a gente se desentende por causa da minha irresponsabilidade financeira. Às vezes eu ‘viajo’ um pouco”, confessa.

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