terça-feira, 18 de novembro de 2014

NEGRO É LINDO

Vários eventos chegando por aí que lembram o mês da consciência negra.

Matéria minha que saiu domingo no jornal O Dia (alguns eventos dessa matéria já rolaram - confira o link original do texto aqui).

NEGRO É LINDO
Eventos em homenagem ao mês da Consciência Negra celebram a cultura de origem afro e todos os tons e sons que vêm das misturas

Publicado em O Dia em 16 de novembro de 2014

O grito forte dos Palmares corre terra, céus e mares — como dizia o clássico Kizomba, a festa da raça, samba de 1988 da Unidos de Vila Isabel em homenagem ao líder negro Zumbi, cuja morte é lembrada quinta-feira, Dia da Consciência Negra. A cultura que vem da África mistura-se com as de outros países e encontra solo fértil no Rio, numa festa da inclusão que culmina no dia 20, mas dura todo o mês, com uma série de peças, filmes, shows e debates que ocupam a cidade. 

“Aqui, a cultura afrodescendente vai a todo lugar e passa por todo tipo de mistura”, festeja o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz. Ele leva hoje a Feira das Yabás pela primeira vez à Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, para celebrar a gastronomia e a cultura de origem afro. “Lá em Madureira e Oswaldo Cruz, onde fui criado, a população era predominantemente negra. Mas convivíamos com outros grupos que lá eram minorias: judeus, portugueses, italianos. O samba Quitandeiro, do Paulo da Portela e Monarco, falava de macarronada!”

Arlindo Cruz sentencia que só o dia 20 é pouco para a cultura negra. “Ela tem que ser comemorada todos os dias! Quando se combate cada ato de racismo ou de intolerância religiosa”, diz o sambista. No próximo domingo, ele festeja a data na Quinta da Boa Vista, às 17h, e depois segue para o seu Centro Cultural, em Realengo, para cantar com o filho Arlindo Neto e celebrar os 199 anos do bairro. “O Brasil é um país misturado. Temos que ter uma consciência mestiça!”, exclama.

Não é só o samba que batuca na festa. Na Lapa, um dos berços do ritmo, eventos black trazem o funk-rock do nigeriano Keziah Jones (ao Circo Voador, dia 19) e o reggae da lenda viva Bunny Wailer, com abertura do Cidade Negra (à Fundição Progresso, dia 20). E todo tipo de música enraizada na África pode ser inscrita na 3ª edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, realizado pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon).

O cinema negro ganha duas grandes mostras. Zózimo Bulbul — Uma alma carioca traz fotos e filmes do cineasta e ator (1937-2013) de terça até 18 de janeiro no Centro Cultural Justiça Federal. E 24 filmes de 12 países africanos surgem na tela da Caixa Cultural no ciclo Uhuru — Mostra de cinema africano pós-independência, em cartaz até o próximo domingo. A inclusão também está na TV Brasil de segunda a sexta às 23h, com a novela angolana Windeck, que acaba de estrear e é pioneira na importação da teledramaturgia africana.

Além disso, há verdadeiras aulas de história negra rolando pelo Rio. O Grupo Cultural Jongo da Serrinha traz o show Vida ao jongo na quinta, no Teatro Carlos Gomes. E até 29 de novembro é encenada, no Centro Cultural Ação da Cidadania, a peça André Rebouças, o engenheiro negro da liberdade, de José Miguel da Trindade e André Luiz Câmara. “O carioca sabe que o túnel que une as zonas Sul e Norte homenageia André e seu irmão Antônio. Mas não conhece a história deles”, diz Trindade. 

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