quarta-feira, 19 de novembro de 2014

NEM A MORTE NOS SEPARA

Rolou ontem o lançamento de Nem a morte nos separa, corajoso romance em que o jornalista Ricardo Gonzalez fala sobre a luta de seu filho contra o câncer e sua morte, em 2010. Fiz a matéria abaixo para O Dia.

PARA AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ
Em livro, o jornalista Ricardo Gonzalez detalha a morte do filho
Publicado por O Dia em 18 de novembro de 2014

"Eu sempre falava para meu filho: ‘Rafa, eu só vou te dizer o que cada opção sua vai te causar. Mas a escolha é sua. E fique tranquilo, porque se der errado eu vou estar sempre por perto pra te apoiar e resolver’. E aí surge uma situação que eu não podia resolver”, diz o jornalista Ricardo Gonzalez.

Ele conta as histórias vividas ao lado de seu filho Rafael — morto em 2010, aos 21 anos, de câncer linfático — no livro Nem a morte nos separa (Ed. Mauad, 252 págs., R$ 54), que lança hoje às 18h na livraria Argumento, no Leblon. Mesmo relembrando detalhadamente a luta contra a doença e a morte de Rafa, Ricardo procurou manter leveza e humor no relato.

“O livro não é o tempo todo pesado. Fica claro em várias passagens que Rafael era um menino bem-humorado, que se permitia rir das nossas mazelas”, conta o autor, editor de texto do canal SporTV. “Minha ideia foi homenageá-lo e convidar os pais para que passem a ter seus filhos como prioridades na vida. Um dia, eles podem não estar aqui”.

Durante o tratamento de Rafael, toda a família viu de perto o pouco investimento dado à saúde no Brasil. “Ficou clara a falta de centros de referência. Vi hospitais com salas de espera lotadas já às 8h. Nem às 20h teriam dado conta! Mas não é um livro-denúncia. Nem citei os lugares nos quais Rafael se tratou”, conta Ricardo. O autor optou por não usar a primeira pessoa ao narrar a história. “Fiz um romance baseado em fatos reais”.

Ricardo conta que a maturidade de Rafael, mesmo nos momentos mais graves, surpreendeu a todos. “Para ele, nada tinha peso excessivo. Em vários momentos, ele é que me tranquilizava. E deveria ser o contrário”, conta. “Ele sempre me dizia que nós o havíamos preparado para qualquer coisa. Inclusive para o que aconteceu.”

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