domingo, 2 de novembro de 2014

ROBERTO CARLOS E SUA FOTOBIOGRAFIA

Para liberar um livro sobre si próprio, Roberto Carlos se convidou para virar coeditor. Leia mais nessa matéria minha para O Dia.

APROVADA
Roberto Carlos lança biografia com restrições: não há texto nem legenda nas fotos selecionadas por ele durante sete anos
Publicado por O Dia em 26 de outubro de 2014

O veto ‘real’ dado à biografia Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, foi taxativo — tanto é que o livro nunca mais voltou às lojas. Já a fotobiografia Roberto Carlos (Editora Toriba, 384 págs., R$ 249) sai agora, mas com o cantor de Detalhes como coeditor. E ele verificou detalhadamente (e demoradamente, levou sete anos) cada página. “Mas não é uma biografia. Nem precisava da minha autorização, mas eles me perguntaram sobre todas as fotos. Tudo que foi publicado foi visto por mim. Acho que todos deveriam ter esse cuidado”, diz Roberto, por intermédio de sua assessoria de imprensa.

Diretor editorial da Toriba, o jornalista Carlos Ribeiro não se arriscaria a produzir um livro sobre o cantor, mesmo que só de fotos, sem falar com ele. “Legislação no Brasil é complicado, né?”, afirma Ribeiro, que só se aproximou de Roberto em 2008, quando o CEO da Toriba, Pedro Sirotsky, disse que poderia fazer a ponte entre a companhia e o empresário do artista, Dody Sirena. Ainda assim, o livro começou a tomar forma apenas de três anos para cá. “Ele já estava nos finalmentes ano passado. Mas Roberto preferiu que saísse em 2014, porque implica com o número 13”, brinca Ribeiro.

Definido como uma fotobiografia, Roberto Carlos não tem textos sobre o cantor. “Logo nas primeiras reuniões, nos falaram que o livro poderia demorar, mas que, se tivesse legendas, seria pior ainda”, conta Ribeiro. A solução foi legendar as fotos com versos de músicas suas, como Emoções. Para alegria dos fãs, há imagens históricas, como o cantor em seus primeiros shows (tocando guitarra e usando um microfone antigo de rádio) e posando com seu primeiro calhambeque.

Outro percalço foi o fato de Roberto ter liberado, com raras exceções (como as fotos de infância), apenas material já publicado em jornais e revistas. “Dizem que ele tem um galpão cheio de cartas de fãs, roupas, cenários de shows, tudo fechado. São 50 anos de história da música trancados lá e ele não consegue liberar. Nunca enchemos o saco dele para que essa liberação acontecesse, mas não teve jeito.” Algumas raridades, como uma antiga agenda do cantor com a letra de Namoradinha de um amigo meu escrita à mão, foram conseguidas com colecionadores como Vera Marchisiello, do fã-clube Um Milhão de Amigos. “Mas até isso corria o risco de não sair. Levamos para ele ver, ficou um silêncio absoluto, ele perguntou onde achamos aquilo e dissemos que foi com a Vera. Aí ficou tudo bem.”

O livro tem fotos do cantor com ex-mulheres como Cleonice Rossi (a Nice) e a atriz Miriam Rios. E, evidentemente, sua última mulher, Maria Rita, morta em 1999. “Ele chorou ao ver fotos dela. Foi o trecho mais difícil. Toda foto que ele via, perguntava: ‘Não tem uma imagem em que a gente esteja junto? Ou em que ela esteja mais alegre, ou mais romântica?’”, conta Ribeiro, que pesquisou “todos os bancos de imagens que existem atrás das fotos dela. Devemos ter tudo aqui com a gente”.

PROCURANDO ENCRENCA O voo de Roberto Carlos pelo grupo Procure Saber (formado inicialmente por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Erasmo Carlos e Milton Nascimento) aconteceu entre outubro e novembro de 2013 e foi turbulento. Na época circulou a notícia de que a entidade seria contra a publicação de biografias não autorizadas. Um tema que interessa ao Rei, que tirara das livrarias Roberto Carlos em detalhes, de Paulo César de Araújo, alegando "invasão de privacidade". O cantor saiu do grupo após desentendimentos com Caetano e empresária do baiano, Paula Lavigne.

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