sexta-feira, 28 de novembro de 2014

TITÃS - RAIMUNDOS

Um papo com Digão (Raimundos) e Sergio Britto (Titãs) sobre o show que as duas bandas vão fazer amanhã no Citibank Hall.

CAMINHOS CRUZADOS NO ROCK NACIONAL
Responsáveis pelo lançamento do primeiro disco dos Raimundos em 1994, Titãs dividem palco com banda brasiliense neste sábado no Citibank Hall
Publicado em O Dia em 25 de novembro de 2014

Em 1994, recém-saídos de Brasília e em busca de fama — no que eram ajudados pelos Titãs e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, donos do selo Banguela —, os Raimundos estavam na lista de convidados de uma festa no apartamento do casal Tony Bellotto e Malu Mader, cheia de estrelas globais. As duas bandas se reencontram neste sábado ao dividir o palco do Citibank Hall, na Barra: os Raimundos divulgando Cantigas de roda, os Titãs na turnê do recente Nheengatu. E as recordações da tal festa alegram o guitarrista da banda brasiliense, Digão, até hoje. 

“Véio, éramos crianças num parque de diversões. Lembro da (atriz) Betty Lago lá, da gente zoando o (ator) Taumaturgo Ferreira”, lembra. A festa estendeu-se para os shows da banda. “A Marinara Costa e a Regininha Poltergeist (modelos) foram nos visitar no camarim. Achamos que não era com a gente e falamos: ‘Olha, o camarim dos Titãs é ali’.”

Vinte anos após o primeiro disco, Raimundos, as duas bandas mantêm a admiração mútua. “Os Titãs nos lançaram. A gente abria shows deles e pensava: ‘Olha que f..., são os Titãs!”, conta Digão. “As bandas brasileiras cantavam em inglês por causa do Sepultura e os Raimundos, não. Quando selecionamos bandas para lançar, na época, todo mundo gostou do humor deles ”, lembra Sergio Britto, dos Titãs.

Os dois anos em que os Titãs foram donos de selo e lançaram bandas como Raimundos, Mundo Livre S/A e Maskavo Roots ganham um documentário em 2015, Sem dentes — Banguela Records e a turma de 1994, dirigido pelo jornalista Ricardo Alexandre. “A ideia é usar o selo como parábola para contar um momento de renovação do rock brasileiro”, conta Ricardo. Um período do qual Digão se lembra bem. “Acho que só os Engenheiros do Hawaii faziam sucesso na época”, brinca. “Antes do Banguela, chegamos a ir bater um papo na Sony e o diretor artístico queria mudar nosso som todo e dar aula de dicção para o Rodolfo (ex-vocalista). Fomos embora”.

Hoje os Titãs, reduzidos a quatro (na época eram sete) e os Raimundos, com formação mudada (sobraram só Digão e o baixista Canisso), estão de bem. Mas os Titãs não ficaram nada satisfeitos quando o grupo deixou o Banguela e assinou com a multinacional que distribuía o selo, a Warner. O relacionamento entre as duas bandas esfriou por um bom tempo. “A gente queria gravar com produtor gringo. O Banguela ofereceu pouco dinheiro para o segundo disco. Hoje conversamos com os Titãs sobre isso e eles até falam que, se fosse com eles, teriam feito a mesma coisa. Mas na época foi chato”, lembra Digão.

Já Britto conta que os Titãs viram que não dava para assoviar e chupar cana. “O selo começou a tomar tempo demais da gente. E só a Warner lucrava. O Banguela não dava dinheiro. Queríamos era fazer uma ponte com o som que gostávamos”, conta o titã, que anos após Rodolfo se converter à fé evangélica e deixar os Raimundos, reencontrou o vocalista. “Ele continua o mesmo cara, só quis fazer da vida dele outra coisa. E ele não tentou me converter, nem acho que faria isso!”, diz.

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