terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ASSIS VALENTE - BIOGRAFIA

Bati um papo com o jornalista baiano Gonçalo Junior (gente finíssima) sobre a biografia que ele acaba de lançar, do compositor Assis Valente. Saiu em O Dia.

DROGAS, AMORES E SAMBA NA BIOGRAFIA DE ASSIS VALENTE
Quem samba tem alegria destrincha seu vício em cocaína
Publicado em O Dia em 27 de dezembro de 2014

A vontade de pesquisar a vida de Assis Valente, autor da dramática marchinha de Natal Boas festas, não surgiu do nada para o jornalista baiano Gonçalo Junior, que lança a biografia do compositor, Quem samba tem alegria (Ed. Civilização Brasileira, 644 págs., R$ 65). Sua família foi marcada por uma história parecida com a de Assis, que se suicidou em 1958. “Um tio meu se matou. Meu pai, que impedira duas tentativas dele, citava o exemplo do Assis para dizer que ninguém deveria fazer isso”, recorda Gonçalo, hoje radicado em São Paulo.

O currículo do autor de Brasil pandeiro (redescoberta pelos Novos Baianos em 1972, no clássico Acabou chorare) incluía uma tentativa de suicídio em 1941, quando se jogou do Corcovado, de uma altura de 80 metros. Gonçalo soma à roda viva de problemas do compositor o abuso de cocaína e álcool. É o que teria sido a verdadeira razão de sua ruína, além de uma paixão recolhida por Carmen Miranda, que gravou várias músicas suas. Mas não toca no tema de sua suposta homossexualidade, como a biografia A jovialidade trágica de José Assis Valente, de Francisco Duarte Silva e Dulcinéa Nunes Gomes, colocara antes.

“Conversei com a Sausa Machado, espécie de afilhada dele, que disse: ‘O problema dele era químico’”, conta. “Não há pista de homossexualidade em sua vida, a não ser por interpretações de letras como E o mundo não se acabou, gravada por Carmen Miranda (que fala em “dancei um samba em traje de maiô”). O sócio de Assis (José de Aguiar Dantas, com quem manteve um laboratório de próteses dentárias) estava vivo nos anos 80 e disse que ele era bem mulherengo.”

Grande marqueteiro de si próprio (costumava visitar jornalistas e radialistas), Assis penou para ser gravado por outros cantores após a ida de Carmen Miranda para os Estados Unidos, em 1940. “Ele vai atrás de alguns deles e ouve coisas como: ‘Tá me trazendo música? Vai atrás da Carmen!’”, conta Gonçalo. “O (jornalista) Sérgio Cabral chegou a vê-lo uma única vez, já no fim da sua vida. E disse que ele estava maltrapilho, pedindo que fizessem matéria com ele num jornal, porque queria voltar ao sucesso.”

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