quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

LIVRO DE CARNAVAL

Um papo com a carnavalesca Rosa Magalhães sobre seu livro O inverso das origens, que traz histórias de doze enredos do carnaval que tiveram sua participação.

HISTÓRIAS DO CARNAVAL EM TEXTOS E DESENHOS
Rosa Magalhães recorda 12 enredos que criou em O inverso das origens
Publicado em O Dia em 09 de dezembro de 2014

A carnavalesca Rosa Magalhães alivia-se com o fato de os historiadores já estarem mais abertos a pesquisar as escolas de samba e os blocos. “Havia muito preconceito, hoje não há tanto. E realmente saem mais livros. Só que muita gente tem preguiça de pesquisar e alguns livros acabam não saindo tão interessantes”, queixa-se a artista, fazendo sua parte em O inverso das origens, escrito com Maria Luiza Newlands e lançado hoje no restaurante La Fiorentina, no Leme (Editora Nova Terra, 180 págs., R$ 249).

No livro, 12 enredos sobre História do Brasil desenvolvidos por Rosa, com texto das duas (incluindo detalhes históricos e casos de bastidores) e desenhos originais de figurinos e carros alegóricos criados pela carnavalesca. “Foi um ano de trabalho. Maria Luiza releu vários livros que li, nos encontrávamos nos fins de semana para discutir. A parte histórica contextualiza uma série de enredos”, explica Rosa.

O inverso passeia por enredos conhecidos como Catarina de Médicis na Corte dos Tubinambôs e Tabajères (Imperatriz Leopoldinense, 1994, sobre a nobre italiana que se tornou rainha da França), Mais vale um jegue que me carregue do que um camelo que me derrube lá no Ceará (também da Imperatriz, de 1995, sobre a convivência entre os dois animais em terras cearenses) e outros.

“Muitas dessas histórias ninguém nem conhecia antes do Carnaval”, diz Rosa, preferindo sempre enredos históricos, que passam longe de ‘ganchos’. “Acho que eu nem sei fazer esse tipo de Carnaval, em que é sugerido um tema como ‘fome’ e lá vem uma historinha”.

O pai de Rosa, o literato Raimundo Magalhães Júnior, integrou o júri do primeiro desfile das escolas de samba, em 1932. “Ele também foi o inventor do Rei Momo. Mas minha família nem era muito carnavalesca. Lembro de ver bem pouco Carnaval quando criança”, conta.

De volta ao grupo Especial desde 2011, a São Clemente é o mais novo pouso de Rosa, onde trabalha no enredo A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi, para 2015. O homenageado é o carnavalesco Fernando Pamplona (1926-2013), que lançou Rosa na profissão em 1971, na Acadêmicos do Salgueiro. E a pôs no caminho da História.

Ele resgatou personagens esquecidos, como Xica da Silva, Dona Beija, gente que depois virou livro, filme. E trouxe à tona a temática africana”, recorda a artista. “O enredo vai falar da infância dele no Acre, sua chegada no Rio, seu trabalho no Salgueiro, que foi o diferencial”.

Após vários anos na Imperatriz, Rosa passou pela União da Ilha, pelo Império Serrano e , entre 2011 e 2013, pela Unidos de Vila Isabel, da qual saiu de maneira conturbada. “A escola deixou dívidas comigo e com um monte de gente. A diretoria mudou e nada foi feito. Muita gente não vai receber. É uma pena”, lamenta.

Em resposta, a presidente da escola, Elizabeth Aquino, conta que a Vila Isabel já sanou dívidas acumuladas da gestão anterior, “mas que muitas delas vieram por acordos de cavalheiros com a antiga gestão, e não têm nem comprovação em papel. Não temos como resolver isso.”

As várias subidas e descidas da São Clemente — entre os grupos Especial e de Acesso — não assustam Rosa. “Não tem nem que ficar pensando em derrota, não. Estamos no cronograma e vamos fazer bonito. Não temos o dinheiro que certas escolas ganharam, claro. Algumas conseguem até R$ 10 milhões para o Carnaval. Mas vamos lá.”

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