segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

MASCOTES DE IPANEMA

Um papo que bati com herdeiros de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e com torcedores, sobre os mascotes das Olimpíadas (Tom e Vinicius).

A BOSSA DOS MASCOTES
Famílias de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, cariocas e turistas aprovam homenagem aos compositores para os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Publicado em O Dia em 22 de dezembro de 2014

Vindas de Londrina com suas famílias para passar o fim de ano no Rio, as amiguinhas Ana Clara Subtil e Marina Zandonai, de 5 anos, descobriram agora quem é Tom Jobim (1927-1994). Visitaram a estátua do maestro na Praia de Ipanema e se encantaram com os bonecos dos mascotes das Olimpíadas e das Paralimpíadas, respectivamente chamados Vinicius (de cor amarela) e Tom (verde). Os jogos acontecem no Rio em 2016.

“Muito legal!”, disseram elas enquanto seguravam as miniaturas, com sucesso garantido entre pais e filhos, assim como a própria obra dos homenageados Vinicius de Moraes (1913-1980) e Tom Jobim. Eles escreveram músicas e poemas para crianças e adultos e, agora,foram escolhidos em votação popular para batizar os mascotes por 44% dos eleitores em 323.327 votos, desbancando nomes como Oba e Eba e Tiba Tuque e Esquindim.

“Foi a melhor escolha, em função da bossa nova de Garota de Ipanema (clássico da dupla). E assim que viemos ao Rio, já queríamos fazer logo uma foto na estátua”, conta a gaúcha Marina Gonzales, em Ipanema, ao lado da família.

“Adoramos a homenagem. Vi os outros nomes, achei todos bem alegres, mas, para representarem nossa cultura, realmente, eram bem fracos”, admite Maria de Moraes, filha mais nova do poeta Vinicius. “Os representantes do Comitê chegaram a me falar que os estudantes da rede pública citaram bastante o nome de Vinicius, até por causa do centenário dele, já que visitamos várias escolas”.

Vinicius chegou a fazer artes marciais quando jovem. Praticou até jiu-jítsu “razoavelmente”, como confessou no poema autobiográfico Autorretrato. Mas o que ficou para a história foi mesmo o lado boêmio dele e do amigo Tom, relatado em várias histórias. Após uma noite virada numa boate carioca, o poeta teria chegado a fazer, com o amigo cronista Antonio Maria (1921-1964), um juramento de “nunca mais fazer exercício físico na vida”, ao ver um grupo fazendo ginástica na areia da praia, em frente ao Copacabana Palace.

“É, o esporte preferido deles era mesmo o levantamento de copo”, brinca o pianista Daniel Jobim, neto de Tom. “Mas Tom e Vinicius fizeram várias músicas falando de esportes, ou sobre praia. Isso existe na obra deles”. Maria, que tinha 10 anos quando o pai morreu, em 1980, diz que ele “era um cara dos esportes, sim. Minhas referências, minhas memórias, são as de quando ele já era um senhor. Mas meu pai era botafoguense, nadou quando jovem. Se você for pegar na obra literária dele, tem textos do Vinicius falando sobre Pelé, sobre Mané Garrincha, que ele chamou de ‘o anjo de pernas tortas’”, conta.

A temporã do poetinha diz que o uso do nome ‘Vinicius’ foi autorizado pela família. “Eles não poderiam usar sem ter autorização dos detentores dos direitos. É uma forma de proteger a obra dele. Mas foi sem pagamento. É uma festa grandiosa, vamos receber pessoas de 200 países, mas entramos no espírito olímpico. Temos o benefício do reconhecimento, dos novos leitores”.

Já Daniel Jobim não se preocupa com o assunto. “Tom Jobim é de todos, e ‘Tom’, a meu ver, pode ser qualquer Tom. É um nome comum e é sempre importante que ele esteja sendo dividido com todos”.

MÚSICA E ESPORTES Desenhados pelo Birdo Studio, os personagens Tom e Vinicius foram criados para representar, além da cultura brasileira, a dinâmica da Olimpíada e da Paralimpíada. Vinicius, mascote olímpico, mistura a agilidade de vários animais do país e apresenta “olfato apurado, capaz de farejar aventuras, e a audição que identifica onde estão as torcidas mais animadas”, como diz o material divulgado pelo Comitê.

Já o paralímpico Tom, cuja cor refere-se à mata cantada pelo maestro em várias músicas, “consegue se transformar o tempo todo, com determinação e alegria, crescendo e superando obstáculos”.

“Além de representar a fauna e flora brasileiras, nossos mascotes agora também se conectam com o melhor da nossa música. Temos certeza de que eles serão uma inspiração para as crianças”, comenta Carlos Artur Nuzman, Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

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