quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

QUARENTA (+1) MÚSICAS ENORMES

"THICK AS A BRICK" - JETHRO TULL (Thick as a brick, 1972). Um disco inteiro com uma única música, de mais de 40 minutos - claro que no vinil original era dividida em dois lados. Irritado com críticos que consideravam Aqualung (1971) como um disco conceitual, o líder e homem-do-jethro Ian Anderson prometeu que iria vir com um disco realmente conceitual, "baseado" nos versos de um fictício garoto de oito anos.

"SHOW OPINIÃO (LP)" - NARA LEÃO-ZÉ KETI-JOÃO DO VALE (Opinião, 1965). Gravado "diretamente do espetáculo do Grupo Opinião", esse LP traz todas as músicas do show sem separação. No CD ficou uma faixa só e nunca ninguém se preocupou em consertar.

"AMANHECER TOTAL" - O TERÇO (Terço, 1973). Último álbum do grupo antes da banda virar um embrião do 14 Bis, trazia essa suíte de vinte minutos ocupando todo o lado B. Um som puro, belo e vigoroso.

"ATOM HEART MOTHER" - PINK FLOYD (Atom heart mother, 1970). A suíte "rock-concerto" do Pink Floyd impunha-se pela grandiloquência, pela vontade de soar quase erudito e pela substituição do som psicodélico por algo mais orgânico e elaborado. O músico Ron Geesin ajudou a dar foco no que antes eram várias ideias soltas.

"RITUAL (NOUS SOMMES DU SOLEIL)" - YES (Tales from topographic oceans, 1973). O lado mais porradeiro do disco-duplo-de-quatro-faixas do Yes, com tons mais soturnos, ataques de percussão (trata-se de um ritual, certo?) e climas tensos. Vinte e um minutos e uns quebrados.



"BY THE TIME I GET TO PHOENIX" - ISAAC HAYES (Hot buttered soul, 1969). Muita gente gravou essa canção composta por Jimmy Webb, ams foi Hayes quem a transformou num épico de 18 minutos.

"SISTER RAY" - VELVET UNDERGROUND (White light/white heat, 1968). Drogas, violência, sadomasoquismo e homossexualidade, entre outros temas tão caros à tradicional família brasileira, aparecem comprimidinhos nos distorcidíssimos 17:29 dessa canção lado-B-inteiro-de-vinil do Velvet.

"DAZED AND CONFUSED" - LED ZEPPELIN (The song remains the same, 1976). "Inspirada" (surrupiada, né?) numa canção de um compositor americano chamado Jake Holmes, Dazed tem mais de 26 minutos no disco duplo do Led, inclui trechos de San Francisco, sucesso de Scott McKenzie, e o famigerado solo de guitarra com arco de violino.

"THE UKON" - TODD RUNDGREN'S UTOPIA (Todd Rundgren's Utopia, 1974). Só trinta minutos, apertadinhos no lado B da estreia do grupo progressivo liderado pelo autor da pop I saw the light.

"ERUPTION" - FOCUS (Moving waves, 1971). Adaptação quase instrumental da ópera Euridice, de Jacopo Peri.

"THE SEER" - SWANS (The seer, 2012). Se tinha isso na era do vinil, imagina na do CD: trinta e dois minutinhos de puro barulho.

"AUTOBAHN" - KRAFTWERK (Autobahn, 1974). Mais de 22 minutos de viagem pelas sensacionais estradas alemãs. A musica deixou David Bowie tão impressionado que ele só viajava de carro ouvindo a canção.

"THE DIAMOND SEA" - SONIC YOUTH (Washing machine, 1996). Essa canção de 19 minutos de um dos grupos mais barulhentos do mainstream americano chegou a ser editada como single do álbum.

"UNKNOWN SOLDIER" - FELA KUTI (Unknown soldier, 1981). Tido como "música incendiária", esse disco traz um explosivo afrobeat dividido entre duas versçoes da mesma faixa, uma de 14 e uma de 16 minutos.

"RIME OF THE ANCIENT MARINER" - IRON MAIDEN (Powerslave, 1984). Durante os treze minutos dessa música, o baterista Nick McBrain já saiu do palco, deixou o local do show, foi dar uma nadada no mar e voltou a tempo de continuar a canção - como já disse.


"THE CELEBRATION OF THE LIZARD" - THE DOORS (Absolutely live, 1970). Alguns trechos dessa  minissuíte de 14 minutos já haviam aparecido em shows e até num disco da banda - Waiting for the sun, de 1968, tinha Not to touch the Earth.

"ALICE'S RESTAURANT MASSACRE" - ARLO GUTHRIE (Alice's restaurant, 1967). Blues falado que mistura realidade, ficção, guerra do Vietnã e crimes. Dezoito minutos.

"IN A GADDA-DA-VIDA" - IRON BUTTERFLY (In a gadda-da-vida, 1967). Essa banda americana não tinha só essa música. Mas esse clássico de 17 minutos, com solinhos de guitarra, baixo, teclado e (esse o mais memorável) bateria, foi editado em quatro minutos para rádio, tocou até enjoar e... tratou de ofuscar tudo o mais que ela fez.

"SALISBURY" - URIAH HEEP (Salisbury, 1971). Rock de guerra, de uma das mais significativas bandas dos anos 70, em 16 minutos.

"VOODOO CHILE" - JIMI HENDRIX (Electric Ladyland, 1968). A versão blueseira, com 15 minutos de aplausos, solos de guitarra, conversas, bate-papos entre os músicos, etc.


"IN HELD TWAS' IN I" - PROCOL HARUM (Shine on brightly, 1968). Dezoito minutos de progressivices, classic rock, órgãos de igreja e vários excertos.

"2112" - RUSH (2112, 1976). Inspirada nos escritos da novelista americana (e "objetivista") Ayn Rand, essa canção de vinte minutos já fez o trio americano ser considerado uma banda de extrema-direita e até nazista.

"GET READY" - RARE EARTH (Get ready, 1969). Primeira banda branca de rock, blues e soul a ser contratada pela Motown, esses americanos misturavam singles pop com improvisos lisérgicos - e conseguiram bastante êxito até no Brasil, inclusive em trilhas de novela (Bandeira 2, de 1972). O clássico de Smokey Robinson ganhou sua versão editada para rádio, mas no LP tinha 21 minutos.

"SUPPER'S READY" - GENESIS (Foxtrot, 1972). Em sete partes, uma viagem pessoal do vocalista Peter Gabriel - dividida com todos os então integrantes da banda - envolvendo temas bíblicos.

"KARN EVIL 9" - EMERSON, LAKE & PALMER (Brain salad surgery, 1973). Trinta minutos de rock progressivo, começando no lado A e acabando no lado B de um dos melhores discos da banda - e tem o refrão "welcome back friends, to the show that never ends", que virou uma assinatura da banda.


"MOUNTAIN JAM" - ALLMAN BROTHERS BAND (Eat a peach, 1972). Sim, esses caras gostavam mesmo de improvisar. Dividida em dois lados do duplo Eat a peach, Mountain jam soma "apenas" 33 minutos, gravados direto do palco do Fillmore East, em Nova York.

"I HEARD IT THROUGH THE GRAPEVINE" - CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL (Cosmo's factory, 1970). Clássico da Motown gravado por Marviin Gaye e transformado em canção de onze minutos pelo grupo.

"GOIN HOME" - ROLLING STONES (Aftermath, 1966). Onze minutos de blues e (dosados) improvisos.

"METAL CONTRA AS NUVENS" - LEGIÃO URBANA (V, 1991). Com uma música de nove minutos, Faroeste caboclo, que tocou em rádio, a Legião consegiu fazer os onze progressivos minutos de Metal... - uma espécie de inventário de amarguras da era Collor - igualmente virarem hit.

"SAD-EYED LADY OF THE LOWLANDS" - BOB DYLAN (Blonde on blonde, 1966). Homenagem de Dylan a sua então esposa Sara Lownds, que ocupava todo o lado D de seu disco duplo.


"PARTIDA DOS LOBOS" - IVINHO (Ivinho ao vivo em Montreaux, 1978). Épico de mais de vinte minutos, que ocupa todo o lado B do disco ao vivo do violonista e guitarrista pernambucano.

"ALLIGATOR" - GREATEFUL DEAD (Anthem of the sun, 1968). Clássico da época em que o grupo fazia jams intermináveis como se estivessem todos "vendo coisas" no estúdio - ou como se houvesse uma plateia. Onze minutos e uns quebrados.

"SEEING AS YOU REALLY ARE" - HAWKWIND (Hawkwind, 1970). Da primeiríssima fase do grupo de space rock, com guitarras pesadas, gritos, sons sinistros e ambientação de viagem psicodélica - sem assustar mais do que o normal. Só dez minutinhos.

"YOO DOO RIGHT" - CAN (Monster movie, 1969). Na estreia do grupo alemão, uma música de vinte minutos ocupando todo o lado B - editada de mais de seis horas de música.

"ALPHA CENTAURI" - TANGERINE DREAM (Alpha Centauri, 1971). Para quem gosta muito, mas muito mesmo de rock progressivo e space rock.


"TUBULAR BELLS, PART 1" - MIKE OLDFIELD (Tubular bells, 1972). Não daria mesmo para esquecer esse disco, o primeiro lançado pela gravadora Virgin e uma das obras de rock progressivo mais conhecidas do mundo. Por causa da aparição de algumas partes desse álbum no clássico do terror O exorcista, o lado A chegou a tocar no rádio.

"THE JOURNEY/RECOLLECTION" - RICK WAKEMAN (Journey to the centre of the Earth, 1974). A primeira parte do segundo álbum do eterno tecladista do Yes fez sucesso no Brasil a ponto de ser usada em aberturas de programas de TV, reportagens televisivas, etc. No mundo todo vendeu 14 milhões de cópias.

"THE LOW SPARK OF HIGH HEELED BOYS" - TRAFFIC (The low spark of high heeled boys, 1971). E o Traffic ganhava de vez uma cara meio jazz, meio progressiva, com músicas um pouco maiores que a média da banda. Ficou bem legal.

"HEY JOE" - MUTANTES (O a e o z, 1973). Doze minutos de progressivices e papos no estilo todo-mundo-numa-pessoa-só

"REVELATION" - LOVE (Da capo, 1966). E lá vinha o Love com seu estranho encontro entre pop barroco, psicodelia, blues, soul e protopunk - evidentes nessa música de dezenove minutos. Dá pena de Arthur Lee, o vocalista, hoje não ser um cara mais lembrado e celebrado

"GREY/AFRO" - ALEXANDER "SKIP" SPENCE (Oar, 1969). Esse aí não tava puro, não. Vale a menção, apesar de ser uma música até pequena para os padrões dessa lista (só nove minutos).
TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

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