quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

QUARENTA ÚLTIMAS MÚSICAS

Dizem por aí que dá sorte, na hora da virada, ouvir só a última faixa dos seus discos preferidos. Tá a fim de tentar? Facilitei seu trabalho e peguei quarenta encerramentos de grandes (e pequenos) discos. Ouve aí. Feliz 2015!

"AUTUMN'S CHILD" - CAPTAIN BEEFHEART AND HIS MAGIC BAND (Safe as milk, 1967). Um som realmente mágico e o final de uma das estreias mais perturbadoras da história do rock. Ouça mil vezes.

"GET BACK" - BEATLES (Let it be, 1970). O grupo britânico deixava claro para os fãs (isso depois da chorosa The long and winding road) que era realmente o fim, com uma mensagem estranha sobre "voltar para o lugar ao qual você pertence", e que já ganhou várias interpretações.


"GOOD NIGHT" - BEATLES (White album, 1968). Tem gente que encara essa música como a parte II de Revolution 9, a bizarra colagem sonora que vem antes. Mesmo em meio à barra pesada de 1968, nada como dormir e sonhar.

"SOMETHING HAPPENED TO ME YESTERDAY" - ROLLING STONES (Between the buttons, 1967). Uma canção sobre ficar doidão e não lembrar muito do que aconteceu ontem. Pela primeira vez, o guitarrista Keith Richards faz vocais principais. No final, Mick Jagger lê uma nota agradecendo ao produtor Reg Thorpe, a todos na banda e aos que ouvem o disco. E recomenda: "Se sair de noite, não esqueça: caso saia de bicicleta, vista branco".


"WHY" - BYRDS (Younger than yesterday, 1967). Lado-B do compacto de Eight miles high, lançado um ano antes, apareceu em outra versão fechando um dos melhores discos do ano de 1967.

"NÃO FIQUE ESTÁTICA" - GUILHERME ARANTES (Guilherme Arantes, 1976). Uma das melhores heranças nacionais do som de Sgt Peppers, dos Beatles. A letra é linda.

"THE OCEAN" - LED ZEPPELIN (Houses of the holy, 1973). Um dos melhores cruzamentos de soul, rock e blues lançados pelo Led.

"CINCO MINUTOS" - JORGE BEN (A tábua de esmeralda, 1974). "Sabe quando uma grande banda de jazz ou soul entra numa espécie de transe e atinge um momento tão sublime e arrebatador que o fenômeno só pode ser explicado pela conjunção de inspirações e musas que baixaram ali, naquele instante? Pois é. Cinco minutos é assim, só que gravada em estúdio, sem a possibilidade de inspirações momentâneas aterrisando no local", escreveu André Barcisnki aqui.


"PABLO" - MILTON NASCIMENTO (Milagre dos peixes, 1973). Música infantil que é "puro Salvador Dali", como definiu seu letrista Marcio Borges no livro Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina ("meu nome é Pablo / como um trator é vermelho / incêndio nos cabelos / pó de nuvem nos sapatos").

"HAPPY BIRTHDAY" - STEVIE WONDER (Hotter than july, 1980). A bela homenagem de Stevie ao aniversário do líder negro Martin Luther King.

"BREAK" - APHRODITE'S CHILD (666, 1972). O grande hit de um dos discos mais impressionantes e perturbadores da banda grega de rock progressivo. No Brasil, fez sucesso a ponto de ser lançada em compacto e de o álbum, duplo, ser cortado ao meio e lançado como Break.

"CABEÇA FEITA" - GUILHERME LAMOUNIER (Guilherme Lamounier, 1973). Num disco repleto de baladas e canções com inspiração soul, hard rock com letra doidona e solos de guitarra bem legais.


"AVE GENGIS KHAN" - MUTANTES (Os Mutantes, 1968). Psicodelia misturando Beatles e Sergio Mendes, e inspiradíssima pelo single We love you, dos Rolling Stones (os riffs se parecem um tanto).

"GOUGE AWAY" - PIXIES (Doolittle, 1989). Leitor contumaz da Bíblia, especialmente do Velho Testamento, Black Francis/Frank Black encerrou o melhor disco de sua banda com um punk classudo que traz referências à história de Sansão e Dalila ("acorrentado aos pilares/uma festa de três dias/quebro as paredes e mato a nós todos/com dedos sagrados").

"PIE IN THE SKY" - FRANK BLACK (Teenager of the year, 1994). Um quase-punk fechando um dos melhores discos do vocalista dos Pixies.

"DO YOU LOVE ME" - KISS (Destroyer, 1976). Paul Stanley gasta onda perguntando a uma mulher se ela realmente gosta dele ou se curte estar perto do estilo de vida rock´n roll.


"PRETA PRETINHA" - NOVOS BAIANOS (Acabou chorare, 1972). No clássico dos grupo, a música aparecia em duas versões: a maior, que todo mundo conhece, e uma menor, quase uma vinheta, editada para rádio. E a que fez mais sucesso foi a de mais de seis minutos, mesmo. A Som Livre tentou fazer isso em alguns dos seus primeiros lançamentos (Em busca do ouro, de Ruy Maurity e Trio, também tinha isso), mas não deu certo.

"L.A. BLUES" - STOOGES (Funhouse, 1970). Drogas, sexo, zoeira, revolta e tudo o mais que se pudesse comprimir numa estranha mistura de punk e jazz - uma bizarra jam distorcida, de assustar (e que já apareceu nessa lista aqui).

"STARSHIP" - MC5 (Kick out the jams, 1969). Encerrando o clássico do grupo pré-punk, uma música baseada num poema psicodélico de um dos jazzistas mais loucos da história do gênero.

"TRUCKIN'" - GRATEFUL DEAD (American beauty, 1970). A estrada como metáfora da vida, num dos mais belos patrimônios da psicodelia dos anos 60/70. Ouça agora.


"SUN ARISE" - ALICE COOPER (Love it do death, 1971). Um clássico do pop britânico (composto pelo entertainer australiano, radicado na Inglaterra, Rolf Harris) relido em versão ensolarada pelo cantor americano.

"O ÚLTIMO ROMÂNTICO" - LULU SANTOS (Tudo azul, 1984). Encerrando o melhor álbum da primeira fase do cantor, uma de suas melhores músicas. Dizem que muitos baixistas rodaram de bandas cover de anos 80 por não conseguirem reproduzir as linhas de baixo dessa música.

"SHE LIKES SURPRISES" - SOUNDGARDEN (Superunknown, 1994). Já escrevi sobre esse disco, que foi reeditado recentemente em edição dupla, aqui. O cantor Chris Cornell dá uma de Bob Dylan num dos raros momentos ensolarados da carreira do grupo.

"JUST LIKE YOU" - ROLLINS BAND (The end of silence, 1992). Henry Rollins, vocalista do grupo americano, reencontrou seu tão odiado pai, que costumava espancá-lo. Retribuiu a visita com dez minutos de distorções e urros clamando por "vingança". O final dá medo.


"HOW LONG"  - FOCUS (Con Proby, 1978). Acompanhado pelo crooner PJ Proby, o grupo holandês de rock progressivo caiu no pop e se aproximou, de certa forma, até da disco music. Quem lembra de Hocus pocus não reconhece o Focus aqui.

"MARRIED WITH CHILDREN" - OASIS (Definitely maybe, 1994). Vinte anos esse ano, de uma das estreias mais bacanas da década passada.

"GAROTOS DO SUBÚRBIO" - INOCENTES (Inocentes, 1989). Num dos discos mais criticados do grupo (aquele em que apareciam sem roupa na capa), os Inocentes relembravam um de seus mais confessionais sucessos da fase punk.

"PORQUE NÃO" - REPLICANTES (O futuro é vortex, 1986). O grupo gaúcho misturou punk e psicodelia em seu primeiro disco, e se despediu dos fãs com um hardcore no qual - pelo menos na letra original - queriam que Caetano Veloso fosse para a "puta que o pariu". A frase acabou não sendo gravada em disco.


"SKUNK (SONICALLY SPEAKING)" - MC5 (High time, 1971). Percussões, metais e lisergia. Olá, fãs do Queens Of The Stone Age.

"MANERA FRU FRU MANERA" - FAGNER (Manera Fru Fru manera, 1973). Psicodelia meio nordestina-meio indiana, poesia instantânea e uma estranha letra em que Fagner parece zoar Take it easy my brother Charles, de Jorge Ben, sei lá com que razão. Ouça todos os dias.

"HARD LOVIN MAN" - DEEP PURPLE (In rock, 1970). Sete minutos de som lascado e galopado - o Iron Maiden só existe por causa disso.

"RATIONAL CULTURE" - TIM MAIA (Tim Maia Racional vol 1, 1975). Doze minutos de improvisos e pregações sobre o Universo em Desecanto, em inglês.


"MAGIC MIRROR" - LEON RUSSELL (Carney, 1972). Quando a música pop fazia você pensar.

"BIKE" - PINK FLOYD (The piper at the gates of dawn, 1967). Syd Barrett, então líder do Pink Floyd, e seu imaginário infantil.

"THE IRISH KEEP GATE-CRASHING" - THE THRILLS (Let's bottle bohemia, 2004). Um dia, e não vai demorar, vai aparecer um monte de gente cultuando essa banda irlandesa, já extinta.

"F.O.D." - GREEN DAY (Dookie, 1994). "Você é simplesmente um merda/eu não consigo explicar isso, porque acho você uma droga/eu estou tomando orgulho/para mandar você se foder e morrer". Essa é do tempo em que os bichos falavam e o rock andava de mal com o mundo - como sempre devia ser.


"SUPPLY AND DEMAND" - THE HIVES (Veni vidi vicious, 2000). Essa banda é muito boa. E foi um dos grupos mais renovadores de seu tempo. Mostrou para muita gente que ainda dava para fazer punk a meio caminho do hard rock, e com muita classe.

"RAT RACE" - BOB MARLEY AND THE WAILERS (Rastaman vibration, 1976).
"Não esqueçam a vossa historia/conheçam o vosso destino/quando a água abunda/o estúpido morre de sede". Aprendam a lição.


"ROCK AND ROLL SUICIDE" - DAVID BOWIE (The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, 1972). O fim da história do astro Ziggy.

"RIP OFF" - T REX (Electric warrior, 1971). O folk rock sumia da vista do T Rex e o glam rock suingado e espacial dobrava a esquina.



TODAS AS LISTAS DE QUARENTA:

- quarenta discos de 1974 parte um dois
- quarenta micromúsicas
- quarenta momentos em que a macumba virou pop
- quarenta músicas que você tem que ouvir parte um e dois
- quarenta melhores momentos de Hermes & Renato
- quarenta fatos sobre o Abba
- quarenta discos de 1984 parte um dois
- quarenta fatos sobre o Menudo.

Um comentário:

  1. Maneiro!
    Cara... O baixo de "Último Romântico" eu sempre uso como uma espécie de exercício. Nunca cheguei a tocá-lo de cabo à rabo, rsrrs. Mas é só estudar que dá!
    Falando nisso... QUARENTA MÚSICAS QUE COMEÇAM COM UM (bom) RIFF DE CONTRABAIXO - rola essa lista? ;) hehehe
    Abç!

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