segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

RAUL SEIXAS NA WARNER EM CAIXA

A Warner abre as comemorações pelos 70 anos que Raul Seixas faria em 2015 com a caixa 70 Raul Seixas. Fiz uma matéria para o jornal O Dia falando do assunto. É a primeira vez que os álbuns de Raulk lançados pela gravadora (entre 1977 e 1979, mais A panela do diabo, gravado ao lado de Marcelo Nova, em 1989), ganham tratamento de box set. Com direito e letras, encartes, etc. Tudo produzido por Marcelo Froes, que, diz ele, ficou um tempinho no pé da gravadora para conseguir fazer o projeto.

Após discos de bastante sucesso na Philips, Raul estava em declínio, com drogas e magia negra tomando a maior parte do seu tempo. Não era só isso. Um casamento desfeito e o afastamento de sua primeira filha também contribuíam para isso - Raul simplesmente terminara abruptamente a relação sem dar qualquer assistência e nunca mais veria a menina. Arrependeria-se disso por muito tempo.

Diamante de mendigo, uma contrafação estranha de seu primeiro grande hit Ouro de tolo, falava disso em tons graves. E era uma música de um desses discos da Warner, Por quem os sinos dobram (1979). Nesse período, Raul também teve problemas graves de saúde. Tirou parte do pâncreas devido ao abuso de álcool e passou a ter diabetes. A pancreatite que o mataria, claro, viria daí. Enfim, inferno astral total.

Para a matéria ao lado, conversei com Mazzola, que assinou o contrato de Raul na Warner (e tinha sido também um de seus anjos da guarda na Philips) e com Kika Seixas, esposa de Raul durante parte dos anos 80. Eu não fazia ideia de que Raul estava tão em baixa no mercado fonográfico que todo mundo tinha sido contra sua contratação na Warner - pelo menos foi o que Mazzola me contou.

Dos três discos da caixa, o que fez um pouco mais de sucesso foi o primeiro, O dia que a terra parou (1977), da faixa-título e de Maluco beleza. Todo o material foi feito ao lado do letrista Claudio Roberto. A qualidade do material não era lá essas coisas - um tom radiofônico e meio raso tomou conta do som de Raul. Já Mata virgem (1978) é o melhor da fase. Traz Paulo Coelho de volta e acena para a MPB nordestina daquela época, com um som bem diferente do que se esperaria de Raul. Por quem os sinos dobram (1979), já falei aqui várias vezes, é bem ruim.

A matéria tá aí do lado e saiu no domingo, dia 4 de janeiro (leia o link do O Dia aqui).

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