terça-feira, 12 de maio de 2015

DEZ FATOS SOBRE A VOLTA DO CAMISA DE VÊNUS

Assisti ao começo da turnê do grupo, que retorna com formação completamente desfigurada em seus 35 anos. Da formação original, ficam Marcelo Nova (voz) e Robério Santana (baixo). A turma que vai para o acompanhamento já estava na banda solo do cantor: seu filho Drake Nova (guitarra solo), Celio Glouster (bateria) e Leandro Dalle (guitarra). O primeiro show rolou no Circo Voador e depois a turma segue para Fortaleza, com show na sexta-feira.

Uma parte do que eu vi foi isso aí.

- Bota pra fudê, música inédita incluída no fraqússimo disco ao vivo Plugado, de 1995, abriu o show. Ali soou legal e tinha até a ver, até para puxar o "bota pra fudê" do público.

- O adventista continua atual e é uma espécie de Ouro de tolo da banda. Vale ouvir e reouvir muitas vezes - especialmente pela previsão do "eu acredito no Partido Trabalhista". A letra, que costuma ser mudada em alguns shows por Marcelo Nova, ficou intacta. Em 1982, nos primeiros shows, eles cantavam "eu acredito em Moraes Moreira". Em 2006, quando voltaram para shows pingados (trazendo o superguitarrista Luis Carlini de acréscimo), incluíram um "eu acredito no Big Brother Brasil".

- Quando eu tinha uns 11, 12 anos e escutava o Batalhões de estranhos (1985), segundo disco da banda, costumava pular a balada Rostos e aeroportos, que achava chatíssima. Continuo achando. Não entendi a inclusão dessa música no repertório do show.

- Acho o disco Correndo o risco (1987) meio equivocado, mas negar que Só o fim e Simca Chambord, ambas incluídas no set list, são boas não rola. Eu particularmente não incluria A ferro e fogo (canção pela qual Marcelo Nova tem certo apreço, tanto que já disse isso em entrevistas) e Deus me dê grana, bem pentelhas. E elas estavam no show.

- Foi bem irônico Marcelo Nova ter substituído o "ô sua puta!" do fim de Silvia por "meu amor, eu te amo". Eu gostaria de ter ouvido os palavrões de músicas como esta e My way cantados por ele - Marcelo deixou para o público cantar.

- A nova formação toca bem, sim. Talvez um pouco melhor do que o esperado para quem tinha o "bota pra fudê" entalado na garganta. O lado ruim é que a sujeira dos arranjos originais foi embora por completo. 

- Quando cantou Silvia, Marcelo afirmou que se ele e Robério tivessem feito a canção hoje seriam "crucificados nos Arcos da Lapa": "Hoje tem essa coisa insuportável do politicamente correto, que acabou com o sentido de crítica e ironia no convívio social. Hoje todos tem verdades irrefutáveis na internet"- me disse coisa parecida numa entrevista que fiz com ele para O Dia, também. 

- Músicas das quais senti falta, embora sabia que jamais rolariam: Lobo expiatório, O país do futuro, Dogmas tecnofacistas, Meu primo Zé (que até foi um hit), Rotina, Controle total.

- Drake Nova, filho de 22 anos de Marcelo Nova, toca muito bem. Não dá pra negar. Dá uma cara meio blues, meio hard rock demais para certas canções, mas a guitarra dele funciona bem em todas elas. Ainda assim, a sujeira da formação original faz falta, bla bla bla bla bla

- No fundo o Camisa de Vênus que faz falta é o dessa época aqui. Mas legal a banda voltar.

2 comentários:

  1. Concordo com a maioria do seu texto. Na verdade o que faz falta além da sujeira das guitarras da formação original,quem dá o tom de verdade nas músicas do camisa é o guitarrista Gustavo Mullen. Criativo e com solos melodiosos em cima da pancadaria,ele foi o diferencial do camisa.

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  2. Concordo com a maioria do seu texto. Na verdade o que faz falta além da sujeira das guitarras da formação original,quem dá o tom de verdade nas músicas do camisa é o guitarrista Gustavo Mullen. Criativo e com solos melodiosos em cima da pancadaria,ele foi o diferencial do camisa.

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