sábado, 2 de maio de 2015

MC MELODY

Bati um papo com o pai da MC Melody, menina de oito anos que virou notícia na semana passada - e a bem da verdade já vinha sendo comentada por aí há alguns tempos - por cantar funk com letras e coreografias bem adultas. A menina fala em mulheres recalcadas numa letras e mal sabe pronunciar a palavra "recalcada" direito (fala "recocada"). E vai por aí o teatro de horrores.

No caso do meu texto, ouvi o pai, MC Belinho, pagodeiro e produtor de shows convertido em funkeiro após trabalhar com o MC Daleste, e também bati um papo sobre o assunto com Fernando Scarpa, psicanalista que é colunista do O Dia. E que ajudou a levantar uma lebre bem interessante de caça às bruxas. Sim, o pai da menina precisava de um susto desses, ninguém duvida. Pegar uma menina de oito anos de idade, colocá-la para cantar funk (e rebolar num palco, coisa que ele me garantiu que só aconteceu uma única vez) e vesti-la com sutiã de bojo não está certo sob aspecto nenhum, nem pela ótica do "é ela quem quer, não estou obrigando". Mas o fato é que o Conselho Tutelar e o Ministério Público já têm tarefas mais importantes a cumprir (a prostituição infantil acontece em plena luz do dia em várias cidades do Brasil) para passar a eleger pais de funkeiros menores de idade como inimigos número 1 da família brasileira. Só espero que não surja nenhum delegado ou político herói dessa história toda. O Brasil não precisa disso.

O caso gerou outras reportagens bem interessantes e equilibradas. O amigo Helder Maldonado foi bater um papo com o pai da criança (e com outras pessoas envolvidas) para o portal R7. O jornalista André Forastieri fez um papel de advogado do diabo (boa frase: "se você vê Melody dançando e fica excitado, quem tem problema é você, não ela"), em seu blog também no R7. Como acredito que jornalistas só devem dar respostas após fazerem todas as perguntas, que bom que o caso foi visto com equilíbrio e disposição para a análise por vários colegas.

Além do pai, tentei falar também com a própria menina ao telefone. Apesar de inicialmente ter agendado uma entrevista com ela por intermédio dele, todas as vezes em que tentei ligar, o telefone não atendia ou estava fora de área. Seja como for, confira o texto ao lado.




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