sábado, 20 de junho de 2015

ENTREVISTA: LEO CHERMONT (STROBO)

Se você for a um show da banda paraense Strobo, prepare-se: pode virar músico por uma noite. Arthur Kunz (bateria e programações) e Leo Chermont (guitarras e efeitos) estão divulgando por aí o terceiro CD, ‘Mamãe Quero Ser Pop’, e  têm o hábito de convidar uma  pessoa da plateia para tocar um teclado chamado Strobox. Vale dar uma escutada nos discos da dupla, todos disponibilizados em seu site oficial, e que trazem um som entre o rock e o eletrônico, só com músicas instrumentais e títulos como Nonsense, Quando se perde a inocência, Ostentação, Bizarro Dance Club.

Bati um papo com Leo, um dos strobos, há algumas semanas, quando o grupo-dupla veio lançar o novo CD no Solar do Botafogo. Na época saiu matéria no O Dia, como você vê abaixo. A íntegra da conversa está aí.


O repertório de vocês é instrumental, mas as músicas têm nomes bem engraçados, parecem que contam histórias... Como esses nomes surgem? Durante o processo de composição eles vão mudando. Teve muita músicas que começou com um nome e partiu para outro. Amazônia bang bang, por exemplo, foi inspirada no Amazonas e pensamos nela como se fosse um roteiro de filme. É engraçado porque muitas das nossas músicas aparecem realmente em trilhas. Estamos fazendo isso cada vez mais.

O repertório de vocês é bem próprio para isso... Tem muito documentário ou curta-metragem de Belém usando músicas nossas, alguns comerciais... Outro dia esbarramos com Pop Guiana sendo usada numa matéria do Esporte Espetacular sobre o Zico, contando a história dele. É engraçado ver a música tomando um rumo desses. Nenhum de nós dois tem tino para cantar. Meu negócio sempre foi ser sideman de várias bandas. E também não fazemos "música instrumental para músico, não estamos tocando para músicos que querem ser virtuosos. A gente faz música para tocar na noite, em festa, em inferninho, em festival de rock, de música eletrônica...

O som de vocês se tornou mais eletrônico com o passar do tempo. Sim. A gente sempre tá se autoproduzindo, se autotestando. O primeiro disco tinha muita coisa na linhagem de rock and roll dos anos 70, até em timbres de bateria, com reverbs. Nesse novo disco, quisemos fazer boas linhas de guitarra, gravamos a bateria com microfone para não ter som de sala. Tentamos deixar a bateria com som de eletrônico e procuramos deixar cada vez mais as guitarras com som de sintetizador. Em muita música, é a guitarra que tá fazendo a melodia, mas o cara pode pensar que é um sintetizador. Fizemos muitos testes porque para chegar nesse timbre é complicado. É como querer descaracterizar um instrumento.


E como é apresentar isso ao vivo? A gente reformula algumas coisas. Mas somos sempre eu e o Arthur. A gente está tentando tocar cada vez mais ao vivo e ter menos coisas eletrônicas. Na real, duas pessoas tentando fazer tudo é foda. Muitas bandas que conheço que fazem som eletrônico não se impõem a ele.  Nós o temos como um terceiro elemento, que se impõe sobre o som. Tem músicas que tocamos sem retorno, sem clique e bases. Tem músicas em que não programamos o baixo num midi. Levamos um sintetizador de baixo e tocamos na mão. Queremos que isso vá para dentro da música, não que saia de uma linha de baixo que já veio preconcebida.

E vocês gravam por conta própria? Sim. Temos bons computadores, placa de som e bons microfones. Conseguimos tirar um som no estúdio do Arthur que é em Belém, num porão da loja de doces da mãe dele. É um porão, com teto baixo, a mãe dele vende doces e salgados lá... e a gente quebra tudo no porão. Eu mesmo estou voltando pro meu estúdio antigo em Belém.


O disco novo se chama Mamãe quero ser pop. De onde veio esse nome? É alguma brincadeira de vocês que surgiu durante a gravação? A gente sacaneava muita gente em Belém que queria parecer londrino. Cara, Belém, num calor dos infernos, aquele caos ali, uma cidade que cresceu no caos... Começamos a brincar com esse nome, que nada mais é que uma sacaneada nuns amigos nossos de lá. A gente até falava para alguns deles: "Esse teu som aí é londrino...". Mas o engraçado é que serve para a gente também. No ano passado fomos indicados como Revelação do Prêmio Multishow e pensamos: "A gente vai concorrer com Anitta, Clarice Falcão e Karol Conká., E fazemos som instrumental, não tem cantor... Como a gente conseguiu entrar nessa?". A gente nunca pensou que fosse ser pop, nesse contexto, com essas pessoas. Mas ao mesmo tempo estamos fazendo uma música mais pop, os músicos instrumentais não levam a gente a sério, falam "pô, esse som aí é só fuleiragem". Mas não estamos nem aí para isso. Estamos abrindo caminhos.

Vocês criaram um teclado que permite até a quem não é músico tocar com vocês. Fala um pouco disso. Ah, é o Strobox. Ele está em várias fases de testes. O irmão do Arthur, o Thiago, que o criou, é o nosso Professor Pardal. É um geniozinho, se você tem problema no pedal ele vai lá e dá um jeito. Sempre experimentou coisas novas e começamos a ter a ideia de fazermos algo juntos. Quando surgiu o projeto do show, tínhamos que ter interação com o público. Pensamos em criar um aplicativo de celular, que o cara baixa e tal... Mas a nossa ideia era mesmo fazer algo que possibilitasse às pessoas a possibilidade de fazer um som com a gente. Esse já é o Strobox 3. O primeiro era em cima de várias escalas em mi. Qualquer coisa que o cara fosse improvisando já dava. Convidávamos as pessoas para subir ao palco com a gente e a ideia era que o cara não fosse músico. Num show chegou a subir no palco uma menina que era estudante de nutrição. O segundo veio já com um batida pré-programada, como se fosse um bpm pronto. Nunca dá para saber como vai sair, é um experimento.. Queremos gravar o próximo disco com esses instrumentos do Thiago, alternando pedais. O Strobo é uma banda pequenina mas por fora, tem muita gente que acredita na gente. Gente que faz os vídeos, etc.
Vocês também investem numa imagem bem gozadora, com clipes em que aparecem de sunga... É, no de Nonsense o Arthur aparece de sunga e eu de collant, no de Minimal o Arthur é um zumbi... A gente já tinha alguns clipes posando de rockstar e resolvemos nos expor mais ao ridículo. É legal ver os amigos rindo da gente. A gente é sério no som mas na vida pessoal somos pessoas tranquilas, não estamos preocupados em ter uma estética sonora ou de imagem formatada. E é chato fazer clipe sempre com cara de mau.

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