sexta-feira, 12 de junho de 2015

ENTREVISTA: TULIPA RUIZ

Fiz uma entrevista há algumas semanas com a Tulipa Ruiz para O Dia. Achei o papo na íntegra e coloquei aí. Hoje, sexta (12) tem show dela no Circo Voador, lançando o novo disco, Dancê - que à primeira vista, pode soar como o mais dançante dela, mas esconde outras referências e inovações no seu trabalho.

A primeira impressão que um disco com o nome de Dancê pode causar é que está mais dançante. Quais foram as inspirações? Teve o compacto de remixes que você lançou ano passado... Essa coisa da dança foi a primeira intuição que eu tive. Quando cheguei para compor as músicas com o Gustavo (irmão e guitarrista) ficamos 15 dias numa praia pensando nelas. Me reuni com a banda e tive mais 15 dias para desenvolver as músicas que começamos. O disco foi mesmo criado com a ideia de criar música para dançar. A partir da exposição desse meu desejo, as músicas foram pensadas num ritmo mais acelerado. Mas é um lance meio primitivo, não penso necessariamente numa dança com uma coreografia específica. Penso mais numa dança em que você está em casa sozinho de olho fechado, sente essa musicalidade e começa a dançar. É um universo muito amplo, a gente pode ir de Sarajane a Pina Bausch (rindo). Uma dança mais abstrata. Não é algo que tenha a ver com dance music.

Engraçado você falar da Sarajane, porque senti algo meio baiano no som do disco...  É mesmo? Superlegal você falar isso. Se tem algo baiano aí é mesmo a influência da guitarra do Pepeu Gomes. Tem Bahia sim, inclusive no encontro do Felipe Cordeiro (guitarrista paraense) e do pai dele Manoel Cordeiro (idem) com meu pai Luiz Chagas em Virou (música composta também por Tulipa e pelo irmão Gustavo). Queria muito promover esse encontro do meu pai, que é um cara super paulistano, com o pai dele, que é super paraense. Como daria essa pororoca? (rindo). A gente acabou indo para a a Bahia na música. Se você quiser dançar um arrocha, cabe ali.

Tafetá tem a participação do João Donato e ficou bem a cara dele... Quando o Gustavo me mandou essa música, pensava só no Donato. A letra acabou virando a descrição do Donato. Eu já tinha tocado com ele algumas vezes e sempre rolou uma empatia, sou admiradora O nome Dancê veio dele. A gente já tinha pensado em alguns nomes, normalmente a gente vai escolhendo, vou mostrando para os amigos... E enquanto não sei o nome do disco não consigo começar o projeto gráfico. Quando estávamos gravando a música, falei pro Donato: "E se a gente fizer um dancê no meio?". Ele respondeu: "Maravilha, vamos fazer o dancê no meio!", e a gente foi passando a usar a palavra, até que nos demos conta de que tinha um título ali.

Proporcional brinca com os tamanhos de roupas, G, P, GG... O que você tá achando do crescimento da moda plus size? Absurdamente incrível. Engraçado que essa coisa do padrão é tão "despadronizada". Eu tenho uma marca de roupas, a Brocal, e a grade de roupa tem P, M, G. Só que o P não é o mesmo para todas as pessoas. Tem quem seja P em cima e G embaixo, cintura P  e busto G. Vimos que a exploração disso dá infinitas possibilidades.

O encarte do disco apresenta as letras de forma pouco usual, quase como se fosse poemas, com versos separados por pontos...  Veio mesmo do livro, de apresentar cada letra como se fosse um capítulo. Quando comecei a pensar no projeto gráfico, fui atrás de alguém que tivesse uma certa elegância gráfica, um compromisso gráfico. Cheguei na Cosac Naify, que é uma editora que eu sempre gostei, e na Tereza Bettinardi. Consegui chegar onde queria, mas só fiquei satisfeita mesmo com as letras quando elas me foram lidas em voz alta. Mas sabe que eu tinha mesmo a ideia de que a capa fosse feita pelo (desenhista e roteirista de quadrinhos) Robert Crumb?

Não conseguiu? A minha pré-ideia era o Crumb, Achava que ele fosse me ver e querer me desenhar e que nem cobraria (risos). Chegar no Crumb era meio como ter o Jimi Hendrix no disco. Fui atrás pela editora dele no Brasil, mas quando chegou na secretária dele, ela me respondeu: "Querida, o Crumb não trabalha mais". Ele está no Sul da França vivendo uma vida totalmente diferente. Fui para o plano B e acabou sendo mais divertido para mim. Mas quem sabe ele não faz um flyer para o meu show? Bom, teria que procurá-lo de um jeito mais informal...

Você costuma deixar seus discos para download ou streaming gratuito no seu site. Considera que já desapegou do formato CD? Eu tenho escutado pouquíssimo CD em casa. Tenho um superfone e ouço música no celular em streaming. O CD virou souvenir. Eu sempre vou facilitar o acesso à minha música. Há alguns anos as pessoas preferiam baixar e hoje é no streaming, que é onde o artista até ganha dinheiro. No download eu não ganhava nada. 

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