quarta-feira, 17 de junho de 2015

FREDDIE MERCURY EM BIOGRAFIA

Um ídolo nato, um celebridade nata, um sujeito que em troca da fama oferecia dedicação intensa à arte, à música e ao universo dos espetáculos - o contrário de qualquer estrelinha vazia e fútil. Um grande entertainer (essa foto ao lado, achada na internet, resume o carisma do homem). Um cara verdadeiramente amigo dos amigos. Ou o outro lado, que exibia um sujeito inseguro, ególatra, reservado, cruel, cheio de conflitos pessoais.

Freddie Mercury - A Biografia
, da escritora escocesa Laura Jackson, acaba de sair no Brasil pela Record e, na mediação entre as duas facetas do cantor, dá a entender que nem todo mundo está preparado para fama demais e sucesso demais. Nem mesmo um cara que hipnotizou 250 mil pessoas no Rock In Rio em 1985 sem fazer força.


Laura abre o livro indo direto ao passado de Freddie e em sua infância em Zanzibar, onde nasceu - seu nome verdadeiro era Farrokh Bulsara.  Redescobre um Freddie criança e adolescente, alucinado com os mercadores de Mumbai, praticante de pingue-pongue e criado por pais seguidores de uma religião, o zoroastrismo, que repudiava veementemente a homossexualidade. 

Sobre os primeiros anos de carreira de Freddie e do Queen, eu não fazia a menor ideia de que o cantor, lá pelos 20 anos (e antes até de conhecer o guitarrista Brian May) era fanático por Jimi Hendrix e costumava copiar até suas roupas. Nem de que, lá no início do Queen, o grupo abriu shows do Mott The Hoople. Nessa época, chegaram a ter uma treta curiosa com ninguém menos que o Aerosmith. O grupo de Steven Tyler, também iniciante, tinha sido igualmente escalado para abrir um show do Mott e nenhuma das duas bandas queria ser a primeira a tocar. Outra influência que Freddie teve foi de um dos mais renegados álbuns da história do rock, a ópera-rock S.F. Sorrow (1967), da banda britânica The Pretty Things. Segundo Laura, era um dos dez únicos álbuns que Mercury deixava guardados em seu quarto na época da faculdade.

Depoimentos de astros que tocaram com o Queen não faltam. Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, relembra a época em que ambas as bandas, colegas de gravadora, tocaram no Rock In Rio, em 1985 - e dá um depoimento de fã sobre a sensação que teve ao assistir ao Queen na Cidade do Rock. Scott Gorham, guitarrista do Thin Lizzy, recorda uma turnê que fez com a banda em 1977 e diz que seu grupo, então "completamente homofóbico", precisou arejar a mente para lidar não apenas com Freddie como também com o público gay de San Francisco, California. 

Em outra ocasião, Mercury teve um confronto engraçado com outro gay (futuramente) assumido do rock, o vocalista do Judas Priest, Rob Halford. Como Mercury adotara a certa altura um visual de motoqueiro, Halford desafiou-o a pilotar uma motocicleta no circuito de Brands Hatch. O cantor do Queen disse que topava, desde que Halford aceitasse dançar com o Royal Ballet. O metaleiro achou melhor deixar a discussão para lá.

Como era se de esperar, o livro relata detalhadamente a vida sexual do astro e seus vários relacionamentos. O astro chegou a ser casado com uma mulher, Mary Austin, que continuou sua amiga e acabou herdando boa parte de seu patrimônio. Relembra também as festas do Queen, repletas de strippers, fumaça de gelo seco, cobras, brinquedos de parques de diversões e outras coisas de assombrar. Freddie era uma diva, difícil de lidar e o livro mostra que a personalidade forte do astro foi temperada com o aumento da fama e o consumo de cocaína. Certa vez, irritado com problemas numa turnê, Mercury chegou a espatifar um espelho enorme na cabeça de um assistente. Depois obrigou-o a arrumar uma vassoura para varrer os cacos.

Escapando do vício detalhismo-pelo-detalhismo e editando bem a vida do roqueiro, o livro de Laura tem alguns (poucos) pecados. Um deles é que não há muitas fofocas sobre a apresentação do cantor com o Queen no Rock In Rio (e existem várias) e o tema ocupa só cinco páginas. Para quem se interessa por assuntos de tablóide, não, o suposto "namorado brasileiro de Freddie Mercury" (um sujeito chamado Dennis Winits, revelado por uma entrevista à revista Bizz nos anos 90) não está entre os entrevistados, nem chega a ser citado.

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