segunda-feira, 8 de junho de 2015

ALGUÉM TINHA ALGUMA DÚVIDA DE QUE O SUPERSTAR NÃO É TOTALMENTE AO VIVO?

E mais: será que playback, mesmo que não 100% deixado às claras como playback, é tão deletério assim?

Acredito que boa parte das pessoas que acompanha música na TV ao vivo desde os anos 80 - época do Cassino do Chacrinha - já tem uma vaga ideia de que um programa com música 100% ao vivo em que tudo é transmitido em tempo real envolveria muito mais atropelos e erros do que o que já foi mostrado pelo Superstar na televisão.

Ontem, aconteceu o que geral viu na abertura da apresentação da banda Versalle, quando uma trilha de fundo entrou errada no início da canção do grupo, após a contagem regressiva. Suspeitas levantadas, muita gente reclamando no Facebook dizendo que o programa é "uma fraude", muitas bandas aproveitando para destilar ressentimento, etc (se você não viu, tem o trecho exato aqui). Revelou o que muita gente mais ligada já sabe: os vocalistas dos grupos cantam em cima de bases pré-gravadas. Daí a, bem, indignação.

Foi uma bobeada feia, mas diria que o menor dos problemas dessa edição do Superstar, que venho tentando acompanhar (não vejo sempre), seria o playback. Diria inclusive que o pop-rock brasileiro, via Chacrinha e até Planeta Xuxa/Xou da Xuxa, deve bastante ao playback. Acho mais problemáticas essas sete coisas aí embaixo.

1) O júri tem pelo menos dois jurados que não disseram a que vieram, Sandy e Thiaguinho. A ex-cantora teen nunca fez parte de uma banda, pelo menos não que eu saiba. O ex-Exaltasamba não sabe o que dizer (o melhor e mais experiente é Paulo Ricardo e, sim, ele vai bem no papel e não poderia dar uma de jurado "do contra").

2) A plateia tem vários convidados especiais que não dão a menor dúvida de terem sido chamados às pressas para estar lá. Samuel Rosa, do Skank, e Paulinho, do Roupa Nova, foram alguns dos de ontem, e pareciam um tanto constrangidos. No caso de Samuel, imagino a situação que deve ter sido avaliar a dupla Lucas & Orelha, cuja Não vou te esperar parece seguir os passos trilhados pelo próprio Skank nos anos 90. Vale lembrar que o Skank está há tempos devendo um novo hit de verdade.

3) Sim, Fernanda Lima, gatíssima e carismática, não está exatamente esbanjando simpatia apresentando o programa. E quase sempre parece descontar a (provável) aporrinhação nos jurados, em especial em Sandy.

4) Sim, o Superstar deveria limar bandas experientes. Particularmente me deu certa vergonha ver por lá o Tianastácia, banda que já participou de um Rock In Rio, foi aposta de gravadora, teve um hit que volta e meia reaparece nas rádios (a boa Cabrobró) e que gravou recentemente um disco produzido por Liminha, Love love - cuja faixa-título andou pela trilha do filme Mato sem cachorro, com Bruno Gagliasso e Leandra Leal.  Um sintoma total de falta de critérios.

Talvez, para evitar esse tipo de confusão, o foco devesse estar apenas em grupos realmente novos (o que, infelizmente até para bandas de amigos meus - torci para várias delas - inclui tempo de formação) e sem hits auditados de forma tradicional. Ou seja: apenas bandas que não tocaram de jeito algum em rádio na programação normal. E que não foram apostas de gravadoras. O que, ok, abriria a porteira para grupos que conseguiram sucesso de forma não-tradicional, com hits de YouTube, refrãos divulgados pelo Snapchat, clipes divulgados pelas redes sociais na base do "não sei o que aconteceu, fizemos o vídeo e no dia seguinte todo mundo compartilhou" (sei). E, claro, faria com que mais gente vociferasse nas redes sociais pedindo revisão de critérios. Bom, ninguém disse que seria fácil.

5) Talvez seja uma questão de orçamento baixo, mas ninguém fica sabendo se bandas e padrinhos encontraram-se verdade para trocar toques e impressões. As bandas não ficam confinadas e levam uma vida quase "normal" após os domingos, o que já seria interessante para pequenas reportagens e vídeos sobre cada uma delas (para exibição na TV e não apenas no GShow). Esse tipo de coisa até o Fama, que foi apresentado pela Globo há alguns anos e teve Thiaguinho como um dos participantes, resolvia de maneira mais eficaz. Ou o Geleia do Rock, apresentado por Beto Lee no Multishow.

6) E, sim, tocar cover deveria ser algo que não deveria sequer ser levado em consideração. Sobre isso, vale citar o que me disse ninguém menos que o ex-jurado Fábio Jr., maior defensor do "autoral": "Pô, o cara já ta na Globo! Por que vai tocar músicas dos outros?" Básico.

7) Teve muita gente falando mal nas redes sociais também da qualidade (supostamente ruim) das bandas. Isso não é problema do programa. Minhas preferidas do Superstar dessa edição foram Reverse e Facção Caipira, e a primeira talvez nem entrasse no critério de tempo de carreira que coloquei acima. Scalene e Versalle, citadas por muitos, não me animaram até o momento. Que a escalada à fama das bandas escolhidas por essa edição seja proveitosa e estimule mais e melhores grupos autorais a sair das suas tocas.

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