terça-feira, 28 de julho de 2015

JOE JACKSON DEU SAUDADES DO CASAMENTO DA PRETA GIL

...e de toda a confusão que envolveu o casório, o disse-me-disse, a polêmica, as histórias envolvendo os patrocinadores, etc. O assunto do dia é um pouco mais sórdido. O pai do rei do pop Michael Jackson resolveu vir comemorar seu aniversário no Brasil, numa festa que custou mais de R$ 600 mil (evidentemente essa grana não saiu do bolso dele). Teve um AVC e, óbvio, não pôde ir ao seu próprio aniversário. Mas a festa aconteceu assim mesmo, porque "havia um contrato com a casa na qual ela se realizaria", o Clube Golf, na Zona Sul de São Paulo. Convidados como Geisy Arruda, Pepê e Neném, as irmãs Minerato (quem?) e mais uma turma se divertia e tirava selfies enquanto o aniversariante ficava internado no Hospital Israelita Albert Einstein. Se alguém já achava que essa história de festas patrocinadas, com muitas fotos no backdrop cheio de nomes de marcas, já estava indo longe demais, chegou a razão para se ter certeza disso: devido aos custos de investimento, os eventos acontecem com ou sem a presença do homenageado. Mesmo que ele tenha tido um problema de saúde que poderia ter custado sua vida.

Ficam aí as perguntas que o amigo Helder Maldonado fez no R7, neste texto: a quem interessa a presença de Joe Jackson no Brasil e qual o motivo de tanta glamourização em torno do pai de Michael? Bom, o pai do cantor veio ao Brasil promover uma exposição sobre a família Jackson e, anteriormente, participara do clipe de Moonálcool, do sertanejo Thiago Matheus. Um amigo morador de São Paulo diz que há pelo menos dois anos sabe da presença de Joe por aqui, e já esteve atrás dele numa fila de farmácia. Matérias publicadas por aí explicam que "os artistas que foram convidados eram fãs de Joe e queriam conhecê-lo", algo mais bizarro ainda ao se lembrar que nem Michael Jackson, que sempre acusou o pai de maltratá-lo e humilhá-lo, era publicamente fã dele. E que Joe não é um "artista", com obras e grandes feitos, para que alguém seja fã dele. Bom, Geisy Arruda tem fãs sem ter feito nada de relevante. E daí, enfim?

É comum que celebridades decadentes estrangeiras pintem por aqui de vez em quando e fiquem meio maravilhadas com... com... bom, deve haver algum motivo. Talvez seja o fato de que aqui, especialmente fora do Rio, haja uma turma que realmente se deslumbra com qualquer coisa e levanta a autoestima de qualquer famoso que já foi grande e hoje precisa lembrar algumas pessoas de sua existência. Ou a falta de memória das pessoas, que mal devem saber do passado sombrio de Joe, já exibido em uma série de TV (The Jacksons, que passou na Globo nos anos 90, o pintava como um misto de mentor musical dos filhos e feitor com chicote na mão). Talvez seja o tal vazio de ídolos que Zeca Camargo disse, na TV, ter levado tanta gente a chorar a morte do sertanejo Cristiano Araújo por dias e dias. 


Num país que pratica a, digamos assim, simonalização de artistas, e no qual não é nada difícil para uma pessoa conhecida ficar com filme queimado em pouco tempo, é até estranho que tanta gente não tenha medo de ficar marcada por sua associação com o pai de Michael. A simples ida de um bando de sertanejos a uma festa na casa do então presidente Fernando Collor, nos anos 90, faz com que os artistas que estavam lá tenham que lidar com esse assunto em entrevistas até hoje - a memória das pessoas não é tão ruim assim. Artistas que defendem cegamente Dilma e Lula mesmo em tempos de crise são ofendidos e zoados via redes sociais. Lobão é ofendido em milhares de blogs governistas por cantar "Dilma bandida" nos palcos da vida e por torcer pelo impeachment da presidente.

Por outro lado, se nessa semana o assunto no tabloide inglês The Sun é um lorde britânico envolvido com prostitutas, provavelmente ninguém vai ver o mesmo "vazamento" de vídeos e fotos acontecendo no Brasil. Jornal nenhum publicaria e, talvez, esse tipo de assunto nem escandalizasse ninguém (será?). Um paparazzo que entrevistei certa vez me disse que o que mais chama a atenção do brasileiro em viralização de fotos é "gente tropeçando e caindo na rua", e não grandes escândalos, gente consumindo drogas (ok, cada um faz com seu corpo o que bem entender), etc. Enfim, a indignação do brasileiro é bastante seletiva e serve para o que lhe convém no momento. 


Fato é que o pai de Michael está aí em busca de uma segunda chance (como pessoa, como empresário, etc). É algo que não costuma acontecer com muita gente e que, vejam só, é a matéria-prima que atualmente envolve muita coisa no Brasil, desde o comportamento político até a conversão a certas seitas religiosas. Não deve ter sido por acaso que ele resolveu aparecer mais vezes por aqui. Quem quiser que torça para que ele, um cara a quem podem ser responsabilizadas muitas das cicatrizes psicológicas que Michael Jackson carregou por toda a vida, mereça essa oportunidade.

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