quinta-feira, 1 de outubro de 2015

HOLLYWOOD VAMPIRES NO ROCK IN RIO: O GRANDE SHOW PARA O QUAL GERAL CAGOU

Alice Cooper no Rock In Rio, em clique da amiga
Cacau Fernandes (foto usada sem autorização)


Um timaço de roqueiros liderado pelo crooner Alice Cooper (com a voz cada vez mais em forma) e incluindo nomões como Joe Perry (Aerosmith), Matt Sorum (The Cult/Guns N Roses), Duff McKagan (Guns N Roses), além de convidados como Zak Starkey (filho de Ringo Starr, afilhado de Keith Moon, do Who - e hoje ocupando o lugar que foi do padrinho na banda). E ainda o gatão das gatinhas Johnny Depp, na guitarra e fazendo até uns solinhos. Essa turma toda deu uma baita aula de história no Rock In Rio, na última quinta-feira, e fez o melhor show do festival.

São os Hollywood Vampires, cujo nome descende de uma confraria de roqueiros bebuns dos anos 70 (gente como Alice, Moon, John Lennon, Harry Nilsson e Elton John) e que retornou agora num projeto de turnê e CD, feito para homenagear os amigos dessa época que já não estão mais aqui. Se você não assistiu ao show, nem ao vivo nem na transmissão do canal Multishow, olha sua chance aí.




Apesar de Alice Cooper ter prometido em entrevistas que "todo o disco e mais umas quatro músicas" estariam no show, não foi bem isso o que aconteceu. Algumas músicas do disco não entraram. Senti falta de clássicos como Come and get it, composto por Paul McCartney (e gravado com participação do próprio no disco dos Vampires) para o Badfinger em 1970. Ok, abrir o show dos Queens Of The Stone Age e do System Of A Down com uma balada power pop lindíssima talvez não desse certo, compreendido. Como a intenção do projeto era homenagear amigos que tombaram diante dos velhos vícios, uma canção recuperada para show e disco vai fundo na emoção: Cold turkey, de John Lennon, duro relato sobre a crise de abstinência da heroína. O set list, se você está curioso para conhecer, segue aí.




Não era show para qualquer zé mané. Zak Starkey, com uma cabeleira igual a que o pai ostentava nos anos 60, espancou seu simplificado kit de bateria na versão de I'm a boy, do Who. O grupo relembrou a latinesca I got a line on you, do Spirit, um daqueles sucessos do rock que dão orgulho a qualquer pessoa que tenha por volta de uns 70 anos e lembre de quando essa música foi lançada. Alice Cooper deve ter visto um filme passar diante dos olhos ao lembrar Jeepster, do T. Rex, para uma plateia que mal deve ter ouvido falar do grupo, monolito do glam rock dos anos 70

O problema é que haviam muitos zés manés que vibraram apenas quando Alice lembrou seu sucesso School's out, mesclando-o a Another brick in the wall, do Pink Floyd. Ou quando a banda atacou Whole lotta love, do Led Zeppelin. Sem falar nos zés e marias manés que passavam o show inteiro um tanto apáticos e só vibravam quando Johnny Depp, bastante humilde e participativo no palco, se aproximava do público ou posava para as câmeras. Aliás, para muitos, aquele era basicamente o show "do Johnny Depp". Dava para perceber isso só escutando as conversas de algumas pessoas do público.

Nem isso conseguiu estragar o fato de que os Hollywood Vampires fizeram 85 mil pessoas (é a média de público esperada por dia do Rock In Rio) conhecerem uma época em que parecia que o rock era mais divertido e perigoso. Pelo menos parecia. Hoje, com raras exceções, nem parece. 

4 comentários:

  1. Longe de mim desmerecer o Depp, mas tenho pena de quem não sabe quem são os outros membros da banda e sua importância. E Alice Cooper... showman! Precisa mesmo voltar com o show dele pro Brasil. <3

    ResponderExcluir
  2. Muito bom, Ricardo, falou e disse tudo. Achei o Vampires e QOTSA o ápice do festival. Abraço

    ResponderExcluir
  3. Esqueceu de mencionar as canções do The Doors. Quando começaram a tocar "Five to One", um Zé Mané do nada me perguntou se o nome daquela música era "Take Me Out" do Franz Ferdinand. Eu com toda a paciência respondi o nome da música, que era um clássico do The Doors. O Zé Mané disse "ah, claro, daquele vocalista, Jim MORRISEY". A paciência acabou. MORRISON, MEU FILHO! MORRISON!

    ResponderExcluir
  4. Nossa, eu achei esse show deprimente. Gente gabaritada demais se prestando a um papel de banda de bar, zero inspiração... não tem como criticar nenhuma música do repertório, óbvio, mas a performance em geral achei abaixo de qualquer parâmetro, sob medida para impressionar aquele seu tiozão que curte de vez em quando "um rock pauleira". Minha opinião, apenas. Fora que a banda tinha 4, às vezes 5 guitarristas no palco, provavelmente para cobrir qualquer derrapada do Depp.

    ResponderExcluir