sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O STONE TEMPLE PILOTS DE 2010

Que Scott Weiland morreu nos últimos dias de 2015, todo mundo já sabe - que a autópsia já descobriu a morte por overdose, idem.

A novidade pouco divulgada é que Stone Temple Pilots, último disco do quarteto formado por Scott (vocal), Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria), lançado em 2010, já está disponível em todos os ambientes de streaming. Foi o primeiro disco gravado após um hiato que começou logo após o lançamento do fracassado Shangri La Dee Da (2001). No geral, um disco ensolarado, cheio de melodias ótimas (a balada Maver e o rock com cara country Cinnamon são as melhores) e muito bem resolvido, que em nada mostrava o caos sempre reinante nas internas do grupo. O único disco dos STP a levar o nome da banda no título foi também o único título do grupo a não ser produzido por Brendan O'Brien - quem cuidou das sessões foram os próprios irmãos DeLeo, reclamando de terem sido explorados pelo produtor em trabalhos anteriores. 

O álbum foi precedido por (como não poderia deixar de ser) vários problemas e concidências infelizes. Em 2008, a gravadora Atlantic ameaçou processar Weiland e o baterista Kretz por quebra de contrato. O grupo devia mais dois discos para a gravadora e não sabia disso. Após muito bate-boca entre advogados, resolveram gravar o disco, aproveitando material escrito apenas pelos dois irmãos e completado por Weiland. Ocupado com a turnê do segundo álbum solo, 'Happy' in galoshes, Weiland limitou-se a receber CDs com as demos, trabalhar nas letras e descartar o material do qual não gostasse. Apesar de ter, tecnicamente, se mantido longe das drogas durante a preparação do disco, haviam referências a elas em letras como a da autoexplicativa Between the lines, primeiro single do álbum.

A "volta" do grupo com Weiland não duraria mais do que três anos e seria igualmente tumultuada - o STP chegou a pensar em lançar uma versão recauchutada do primeiro disco, Core (1992), para comemorar 20 anos de banda, só que a versão nem saiu. De qualquer jeito, o retorno de 2010 rendeu as primeiras e únicas passagens do grupo pelo Brasil. Uma delas foi a turnê do álbum Stone Temple Pilots que esteve no Circo Voador em dezembro de 2010. Olha aí o baixista Dean De Leo tocando nada menos que Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, após o bis.

Fiz uma resenha do show na época, publicada num portal que não está mais no ar. A do amigo Marcos Bragatto no site Rock Em Geral está aqui. Lembrei, sem olhar o set list colocado pelo Bragatto no link, que boa parte do material vinha dos dois primeiros discos. E que a banda, apesar dos pedidos da plateia, se recusou a tocar a pós-grunge Big Bang baby. Me chamou a atenção também o fato de que a banda parecia desritmada, sem cadência, com músicas ganhando versões um tanto lentas e os integrantes parecendo se esforçar para acompanhar uns aos outros. Ninguém parecia muito à vontade no palco. De qualquer jeito, o hit Plush, cantado pelo público, emocionou. Veja aqui.

No ano seguinte, o grupo voltaria ao Brasil para o SWU, em São Paulo, num show infinitamente melhor - e que, enfim, teve Big bang baby no repertório. Foi um bom reencontro e uma boa despedida dos fãs brasileiros. Chateia só que nenhuma turnê solo de Weiland (que, a bem da verdade, nunca conseguiu muito sucesso como artista solo) tenha passado por aqui.

Por último, o trio restante do STP liberou em seu site um vídeo em que ouvem e comentam a gravação de Atlanta, última faixa do disco Nº 4, de 1999 - e soltaram versões da canção só com os quatro no estúdio, e só com Weiland e a orquestra. A música é tida pelos fãs do grupo. como um dos mais belos desempenhos de Weiland no vocal.

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