sábado, 26 de março de 2016

FAZENDO PLAYLISTS (OU MIXTAPES) DO NADA

O Acorde (programa que apresento todo sábado 16h na Rádio Roquette-Pinto FM) já tem duas setlists prontas. É a da semana que vem e uma que vai ao ar talvez em abril. A da semana que vem tem alguns pedidos de ouvintes e umas sobras de edições anteriores que acabaram não rolando, mas que eu quero tocar mesmo assim. A outra, ainda sem data, cai dentro de uma mescla de country, punk, power pop (este, em especial, já que ninguém valoriza bandas como Big Star por aqui, nem as rádios-rock) e anos 90. E tem algumas novidades. O desafio é comprimir isso em uma hora de programa.

Não sei ainda quando vou colocar esta última playlist no ar porque nesse tempo ainda vai rolar um programa ao vivo com convidados (a turma do Acorde Pesado). E a foice da Dona Morte vai trabalhando mais rápido do que a gente pode acompanhar durante a elaboração das playlists. Como vejo bem pouco o Acorde como um programa jornalístico, prefiro não me pegar muito em coisas que estão acontecendo na semana e que todo mundo já teoricamente acompanhou pelos jornais mesmo. Ou pelas demais rádios-rock. Mas gente que tá saindo de cena precisa ser homenageada, nem que seja uma ou duas semanas depois. Não deu para não tocar nada do Motörhead, do Emerson, Lake & Palmer ou de David Bowie.

Como andei falando por aqui, tento seguir o raciocínio de uma mixtape, misturando coisas legais, divrsificando e procurando ser o mais didático possível nos textos que acompanham as músicas. E pensando na maior parte do tempo que não se trata de um programa de rádio que tem um podcast, mas um podcast que tem um programa de rádio. O que sair no programa, vai acabar virando algo que pode ser compartilhado, mandado para amigos e tocado todos os dias, a todo momento, no celular de alguém. Enfim, um pequeno treino de como fazer coisas para plataformas diferentes - algo que me meto a aprender fazendo, lendo, errando, acertando e perguntando pra outras pessoas. Em breve deve rolar uma pequena pesquisa de opinião com amigos e conhecidos, ou até desconhecidos, sobre o que ando fazendo no programa. Ando meio obcecado por mixtapes e devo retomar o assunto aqui em outros momentos.

O engraçado é constatar que, apesar de eu me orgulhar bastante de tocar coisas diferentes e pouco conhecidas ou valorizadas no Acorde, muitos fãs de rock que ouvem o programa querem mesmo é ouvir coisas que eu me sinto pouco à vontade de oferecer, porque pra mim são mais do que executadas em rádios-rock: Led Zeppelin, Deep Purple, Uriah Heep, Black Sabbath, Beatles. Tá aí o que é mais desafiador: o que dessa turma toda não costuma rolar em rádio? É o que pode rolar no Acorde. Stairway to heaven, do Led Zeppelin, tá vetado até segunda ordem. Não gostaria de tocar Owner of a lonely heart, do Yes, apesar de achar uma das melhores músicas do grupo e de ter ganhado o compacto com essa música no lado A (e Our song no lado B) dos meus pais quando criança - tenho esse single até hoje nos meus guardados, em bom estado. I love to change the world, do Ten Years After, é a música que provavelmente todos os fãs lembram deles - Goin home ao vivo no festival de Woodstock também. Beatles? Gostaria de tocar Octopus's garden e Maxwell silver hammer, duas infames (tem muito fã que não gosta) canções do disco Abbey road, o útimo da banda, de 1969. Quem sabe não faço uma edição Acorde Hits, só para o podcast, ou até para o rádio? Quantas pessoas ouviriam isso?

Pra quem quiser ter uma ideia do que pode rolar nos próximos programas, ando ouvindo bastante os trabalhos solo de Peter, Paul and Mary, que lançaram discos entre 1971 e 1972 mais ou menos no mesmo esquema em que os integrantes do Kiss lançaram seus LPs solo em 1978 - como se fossem uma pausa no trabalho do grupo, e não uma "carreira solo". Até as capas fazem referência ao logotipo usado pelo trio, tanto que o disco de Noel Paul Stookey, o Paul, se chama Paul and. Descobri uma banda punk de Nashville liderada por uma garota, chamada Bully. Roubei do programa do Kid Vinil uma banda obscuraça de country rock do começo dos anos 70 chamada Timber, que tinha como um de seus integrantes um sujeito chamado George Clinton - que não é o do Parliament/Funkadelic, é outro cara, branco e músico de country. Em breve isso rola por lá, no rádio e em podcast. Mas se você já quiser ir descobrindo tudo sozinho (a), cai dentro.

2 comentários:

  1. Achei legal você querer fugir do mainstream,parabéns pelo pensamento. Existem muitas bandas e cantores sensacionais que muita gente não conhece aqui no Brasil ou até mesmo em seus países de origem. Nunca ouvi seu programa, mas ler seu texto me fez sentir muita vontade de ouvir. Ouvirei! E pra sua próxima playlist gostaria de sugerir que tocasse Little Joy e Leon Bridges, nunca ouvi nas rádios e gosto bastante. Conheço outros que também não tocam, mas já pedi demais, é?! rs.

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  2. Laila, obrigado por ler e fazer contato. Sugestões anotadas, mande mais. Bj

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