terça-feira, 22 de março de 2016

MIXTAPE

Na minha época de adolescência, quando se gravava fitinhas, ninguém - pelo menos ninguém da minha turma - falava em mixtape. 

Quando vejo gente dizendo "ah, vamos recordar a época em que todo mundo gravava mixtapes" fico imaginando que rola uma certa distorção e romantização do passado. De modo geral você até fazia fitas (não se usava o termo mixtape, enfim) perfeitas quando tinha um amigo com vários discos legais, ou quando gravava dos seus próprios discos. Quem gravava do rádio precisava ficar esperando aparecer as músicas que gostasse para gravar - e nem sempre o resultado ficava como o desejado. Fazer arquivos de áudio que funcionam como mixtapes hoje até que parece algo bem mais fácil. É só baixar as músicas e usar um programinha para mixar, mesmo que de maneira rudimentar. 

De certa forma o ACORDE, que acho que nem preciso mais dizer que é o programa que apresento todo sábado na Rádio Roquette-Pinto FM, virou minha (vá lá) mixtape, feita com a ajuda dos ouvintes que fazem pedidos pela página do Facebook. Toda semana tento levar para o rádio um pouco do raciocínio do que é unir sons diferentes e juntar tribos. Muito embora alguns programas sejam até radicalmente diferentes um do outro. O dessa semana vai ter sons mais eletrônicos, umas coisas meio punks e até rock português. Depois devem rolar programas com pedidos de ouvintes - eu demoro, mas atendo todo mundo - e mais uma edição do Acorde Pesado, só com heavy metal. E que eu adoraria que virasse um programa em separado.

O legal é que levar a cultura das velhas fitinhas para o universo dos podcasts faz com que gravar sons e mostrar para outras pessoas ganhe um novo formato - mais ampliado, com um pouco (um pouco?) mais de capilaridade, bem diferente do ato de entrar num ambiente de streaming e ver o que está rolando, que se aproxima mais de um contato com sua própria discoteca. Uma busca em sites que disponiblizam mixtapes deixa qualquer um surpreso com as combinações de sons que podem ser encontradas por aí, feitas por DJs amadores, radialistas, jornalistas ou apenas fãs de música. É um universo que tenho pesquisado bastante e que tem despertado bastante minha curiosidade. Quase tanto quanto ir todo dia no Spotify conferir novidades e ver a lista de Descobertas da Semana. 

No Mixcloud dá para descobrir muitas mixtapes, inclusive as edições do programa Zerodb, apresentado por José Roberto Mahr na Rádio Cidade. E se eu fosse músico, estaria pensando em disponibilizar as minhas mixtapes, com sons que me influenciaram. Aliás, se eu tivesse uma empresa, talvez estivesse pensando no mesmo, nem que fosse para mostrar um lado diferente do meu trabalho. Uma boa, não?

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