quarta-feira, 2 de março de 2016

ROLLING SELFIES

Da lista de coisas que não me incomodam nada em show: gente fazendo selfie e tirando fotos, ou fazendo vídeos. Já abstraí.

Quem está na pista vip faz isso mesmo - tendo gasto dinheiro ou tendo sido convidado para fazer o show de um artista, é a chance que a pessoa tem para levar uma recordação para casa, mostrar para os amigos, postar, e bem perto de quem está no palco. Eu mesmo, que não costumo fazer isso, fiz dois vídeos do show dos Rolling Stones, que coloquei na página do Acorde, meu programa de rádio. Se você tiver vontade de assistir, são o início e o finzinho da apresentação, com as indefectíveis Start me up e Satisfaction.


O primeiro tá aí. O segundo tá aí. Fiz ambos me cagando de medo de que algum imbecil metesse a mão no meu celular ou batesse nele. Nenhum dos dois vídeos estão bons, e só valeram a recordação.

De modo geral, o comportamento de quem assiste a shows mudou e não adianta muito reclamar. Mas entendo quem reclama: não é das tarefas mais fáceis assistir a um show ao lado (ou atrás, o que é pior ainda) de gente que mal sabe se comportar. Ou de gente absolutamente fora do contexto, que está lá para fazer figuração e foi convidada por alguém ou por alguma empresa - coisa típica de áreas vips, onde já ouvi até coisas como "que banda é essa aí do palco?". Um amigo chegou a falar pra mim que tinha até dinheiro para comprar ingressos para a área vip, mas largou mão porque ficaria puto com as pessoas levantando o braço e fazendo fotos e vídeos. E deu uma ideia interessante: que todo mundo fosse ao show com uma câmera Go-Pro na testa, para tirar fotos e fazer vídeos da apresentação sem atrapalhar os outros. Seria um artefato bem ridículo mas, fato, atrapalharia menos. E pouparia o público de ver gente cometendo atos bem mais escrotos ainda, como tirar foto do telão (isso aconteceu e muita gente viu). 

Pelo menos no caso do show dos Rolling Stones - e isso levando em conta quem estava perto de mim - não me decepcionei com uma coisa básica: envolvimento da plateia com os artistas. Vi muita gente que sabia cantar além de Satisfaction, muitos fãs antigos animados com músicas como Gimme shelter e até gente que conhecia a pouco conhecida Doom and gloom, incluída numa coletânea recente deles e que apareceu no show do Rio. Havia até gente sonhando com She's a rainbow, que não entrou na lista de músicas a serem votadas pelo público no show carioca (em tempo: pra mim essa música perdeu totalmente o encanto quando soube que ela foi executada no casamento da filha de um figurão de um periódico carioca que já teve tempos áureos e hoje existe apenas na internet).

Bom, o assunto "Rolling Stones" já está ficando velho, até porque daqui a pouco a banda sai do Brasil. Pra quem quiser recordar ou saber um pouco como foi o show deles no Maracanã há algumas semanas, tem aí a minha resenha do show que orgulhosamente escrevi para o portal da revista Rolling Stone. De modo geral, é isso: um circo que funciona, e que tem algumas pílulas de surpresas aqui e ali, de vez em quando, como Keith Richards emocionado com a ovação da plateia e substituindo Charlie Watts no quesito "aplausos que duram mais de cinco minutos".

Nenhum comentário:

Postar um comentário