sexta-feira, 22 de abril de 2016

TÁ FODA

Tem dois projetos meus vindo por aí. Para os dois, preciso driblar a crise e tirar dinheiro do bolso, como já invisto na própria página do Acorde, meu programa de rádio na Roquette-Pinto FM. Pago anúncios de Facebook, boto uma grana no podcast, baixo programas para ajudar na hora de editar certas coisas, etc. 

Se alguém me dissesse, quando eu era bem novo, que lá pelos 40 anos eu estaria fuçando blogs de empreendedorismo, ouvindo podcasts sobre o assunto e dando os primeiros passos para eu tentar criar meu emprego e investir nele da maneira que for possível, eu jamais acreditaria. Nunca me veria como "empreendedor" no sentido mais literal da palavra. Mal sei fazer contas e morro de medo só de pensar em criar uma tabela no computador. De modo geral, jornalismo não é uma faculdade que te ajuda muito nisso. Meu consolo é que não estou sozinho. A julgar pelo volume de páginas que vejo ensinando coisas bem básicas sobre empreendedorismo para jornalistas, o buraco é bem mais embaixo.

O fato de estar montando um site (ok, revelei um dos projetos!) me fez dar uma lida bastante detalhada em sites para ver um pouco do projeto digital deles. Confesso que me deu uma bela horrorizada. Mesmo sites que pretendem ensinar um pouco a novos empreendedores do jornalismo sobre como se virar no mercado recorrem a coisas que, honestamente, eu acho bastante caretas. Links para baixar e-books mal editados, textos bastante mal escritos  e um certo apego a uma mistura de auto-ajuda e empreendedorismo que dá uma boa embregalhada na busca por informações. Gostei bastante do projeto Draft, que ainda inclui aulas presenciais e online, além de entrevistas bacanas com gente que está aprontando das suas no mercado. Uma dica é ficar de olho no universo dos podcasts, bem melhores do que os sites e artigos que rolam por aí.

Quem acompanha minimamente o mercado de revistas e jornais hoje em dia sabe que as coisas estão mal. E assim vão continuar por um bom tempo. Salários atrasando, cada vez menos leitores e, vamos lá, o conteúdo publicado nos jornais hoje em dia parece bem menos dinâmico se comparado à internet, ao rádio, à TV. Num papo de bar, eu e uns amigos outro dia chegamos à conclusão de que faculdade de jornalismo não é mais um fim em si próprio. Que o curso pode se esgotar em pouco tempo. Que jornalismo virou uma profissão de criativos e empreendedores, de gente que quer criar o próprio trabalho. Eu e mais uma renca de gente estamos tentando nos adaptar a isso, criando projetos, tentando enxergar uma profissão em algo que surge como brincadeira e prazer. Vamos ver se esse finzinho de 2016 ajuda a gente de alguma forma.

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