terça-feira, 10 de maio de 2016

DE VOLTA



Tirei férias e deixei três edições do ACORDE gravadas. Fiz a pedido da rádio e também porque precisava dar um tempo e me preocupar com outras coisas: namorar, viajar e não fazer nada, por exemplo. 

Aproveitei para dar uma desenvolvida na página do programa, aprender a fazer posts mais curtos para anunciar os links do podcast e para gastar dinheiro com a página antes que comece a fazer um projeto que com certeza vai me dar muita coisa legal - e me fazer usar mais do meu (pouco) dinheiro e bem mais ainda do meu (menos ainda) tempo. Só estou retomando a produção do programa nesta semana, depois de tentar me atualizar ouvindo um monte de coisas novas e velhas, dar um voadão pela nova produção de música pop (gostei do single novo da Sandy e tenho escutado bastante o CD novo da Beyoncé, coisas que há dois anos eu jamais escutaria tão feliz da vida assim), etc. Penso de leve em voltar a fazer o Acorde ao vivo por uns tempos. Talvez aproveitando as sugestões dos ouvintes ao vivo mesmo, coisa que eu já queria fazer há um tempo.

O fato de ter deixado de gravar o programa por três semanas acabou trazendo de volta um problema no qual eu já havia pensado mas acabei deixando pra lá, que é a rapidez do trabalho da Dona Morte em 2016. Prince se foi e não consegui fazer uma homenagem decente a ele no programa. Fiz um Acorde Mais Cedo (mixtape semanal do programa, toda quarta disponível no podcast) com sua obra e acho que consegui até escapar de um baita lugar-comum na hora de falar do cara. Foquei em versões ao vivo conseguidas baixando música por horas do eterno Soulseek. Muitos amigos dizem que nunca mais entraram no Soulseek - programa de compartilhamento de músicas largamente usado por muita gente entre 2003 e 2006 - e digo que não sabem o que estão perdendo. Até falei sobre isso outro dia: acho tudo lá. 

No sábado provavelmente terá algo de Prince no programa - de repente duas músicas mostrando fases diferentes da carreira dele, algo que sempre quis fazer com outros artistas e acabei nunca fazendo. Sou fã tardio, extremamente tardio, e até comentei neste blog outro dia que passei um fim de semana baixando toda a sua obra, porque conhecia pouco. 

Fiquei espantado com a beleza de um disco que nunca tinha ouvido (o roqueiro Chaos and disorder, que completa 20 anos) e recordei outros que escutei há tempos mas deixei pra lá (Around the world in a day, de 1985). Li há tempos que Prince foi acusado de imitar Lenny Kravitz em Chaos, disco cheio de experimentações com hard rock e punk. Lenny, roqueiro negro que toca todos os instrumentos em seus discos (e muitas vezes toca só o basicão), é quem imitava e lembrava Prince, né? Mas era Prince que podia ser visto como alguém prestes a perder terreno, após brigas com a gravadora, chiliques em entrevistas, a troca do seu nome por um sinal maluco.

Tenho alguma experiência como jornalista e muita vivência como ouvinte de música, mas bateu uma insegurança enorme de tentar mostrar algo da obra de alguém sabendo que muita gente escutava aquilo há décadas. Fui na intuição, que é o que tem me ajudado esse tempo todo. O que fiz no Acorde Mais Cedo teve muitos downloads e pode ter ajudado alguém a gostar de Prince. O que vai rolar no Acorde neste fim de semana é a tradicional junção de sons e histórias do mundo do rock, e espero que ajude alguém a querer conhecer sons novos e antiguidades pouco celebradas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário