domingo, 31 de julho de 2016

E ESSE FIM DA RÁDIO CIDADE, HEIN?

(publicado no meu Facebook em 22 de julho e repetido aqui por motivos de... de... porque sim)

Por questões de gosto e identificação pessoais, ouço mais a Kiss FM e a 89 FM, ambas de São Paulo, e ouvia pouco a Rádio Cidade. Que já anunciou o encerramento de suas atividades no dial FM e vem dando o que falar entre fãs e detratores: gente que ouve a rádio direto e lamenta muito seu fim, gente que reclama que ela só tocava hits mofados, gente gabaritadíssima no assunto rádio que aproveitou o fim da Cidade para anunciar que o segmento acabou e que o negócio agora é música por streaming (ah, os mensageiros da desgraça...), etc.

Prefiro nem entrar na discussão de se a Cidade era boa ou não. Já deparei com Adele tocando lá numa madrugada, mas por outro lado já voltei para casa ouvindo Wishbone Ash e Jethro Tull. E ainda tinha o zerodb, do mestre José Roberto Mahr. De uma rádio-rock, não espero que ela toque o mesmo tipo de som o dia inteiro. Acredito que nem os chefes delas queiram isso, o mesmo tipo de rock 24 horas por dia. Até porque se forem competentes, sabem que trabalham com planilhas de custos, pesquisas de opiniões dos ouvintes, públicos-alvo - ao lado de novos negócios, inovação, etc. Empresas de comunicação são boas empresas de vendas. Que se venderem bem, conseguem até investir em coisas não-vendáveis.

Disse aí que não ouvia muito a Cidade. Em todo caso, me entristeço muito com o fim da rádio. Quem é fã de rock sabe que não ficou órfão - há várias web radios e programas em FMs como a Rádio Roquette-Pinto FM. Para o estilo musical, estar longe das emissoras mais comerciais é uma tragédia: menos visibilidade, menos cartas na mão, menos tudo. O fã de rock, mesmo o que se sente no direito de apontar o dedo para a Cidade e dizer coisas como "aah, só tocava sucessos, era uma merdaaaa", sente isso quando percebe que há menos shows de grandes bandas sendo agendadas para o Rio. Quando vai a um show de um grupo histórico do rock brasileiro e quem patrocina a apresentação é uma grande rádio do segmento de MPB - o que já diz muito a respeito de como será o show, que público irá à apresentação, etc. Pior: quando acontece um grande festival de rock na cidade e o veículo oficial do evento é uma rádio comercial marca barbante.

Para quem chora pelo desaparecimento da Cidade: vale dizer que NÃO é o fim definitivo da rádio. Ela já está avisando no seu próprio perfil que continua a partir de amanhã como webradio, em radiocidade .fm. Para fãs de rock, falei aí em cima, a saída é correr atrás do enorme número de rádios por streaming, que é outro departamento, bem diferente das rádios mais comerciais - e que quando começar a se comercializar, provavelmente fará tudo de maneira diferente. Assim espero.

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